Em todos os setores, o download online ganhou o protagonismo, e as mídias físicas estão em extinção. Em alguns casos, as vendas físicas são praticamente inexistentes, como são nos casos da música e do cinema.

Nos videogames, a transição começou. A maioria dos jogos de PC são vendidos no formato online, e até nas lojas físicas você hoje compra o código de download, e não a caixa do produto.

 

 

O primeiro console sem discos já levanta polêmica

 

 

Os consoles de videogames eram a última exceção. PlayStation 4 e Xbox One usam discos de Blu-ray, e o Nintendo Switch usa cartões de memória. Para os três, as vendas físicas ainda são muito importantes.

O rumor de um futuro Xbox One sem leitor de discos já gera polêmica. Para muitos, é um verdadeiro suicídio que a Microsoft estaria cometendo.

Não é bem assim.

Para começar, esse console seria uma revisão, e não um novo console. Ou seja, uma variante da atual geração. Além disso, seria um console mais elegante, menor e mais eficiente. Seria um Xbox One que roda os jogos via download da loja online da Microsoft, executando a partir do armazenamento interno do console.

Antes de achar que a Microsoft está louca, comece a se perguntar quantas vezes você já jogou um game a partir do armazenamento interno do console nos últimos anos. Fato é que hoje não mais rodamos os jogos em disco, especialmente pelo fato das conexões de internet serem cada vez melhores, mais populares e mais confiáveis.

 

 

Discos hoje não servem para mais nada

 

 

Mídias físicas são lentas, o que faz com que a instalação no HD ou SSD represente uma execução bem mais rápida. O único motivo para inserir o disco no console é para comprovar que o jogo é original, mas esse é um processo que pode ser feito pelos servidores da Microsoft.

Além disso, os jogos atuais recebem atualizações, que são instaladas no disco interno do console. É comum jogos chegarem ao mercado sem todas as correções e melhorias. E todos esses detalhes podem ocupar muito mais GBs do que o conteúdo da mídia física. Sem falar nos jogos que exigem a conexão à internet de forma obrigatória, inclusive se você não vai jogar online.

Em outras palavras: os discos não servem para nada. Logo, não espere que a experiência dos próximos consoles sem disco vai se diferenciar muito daquela que você já tem hoje.

 

 

O grande problema do fim dos discos

 

 

O ônus desse fim do formato físico é que os jogos vão depender cada vez mais de uma conexão de internet, e isso fará com que milhares de títulos desapareçam para sempre com o tempo.

Isso já acontece com vários jogos online. Quando os usuários vão embora, a empresa entende que não é rentável seguir mantendo os servidores abertos. E sem os servidores, os jogos não podem ser executados. E assim, se perdem para sempre.

Dessa forma, vários jogos originais vão sumir. E apenas o trabalho dos fãs de emuladores poderão manter vivos muitos dos jogos clássicos do passado. Os mesmos emuladores que são perseguidos pelas empresas, que só agora descobriram que o retrô vende muito. De forma irônica, muitos desses projetos retrôs como os consoles (exemplo: o futuro PlayStation Classic) usam emuladores desenvolvidos pelos fãs.

Assim são as coisas. Muito provavelmente no futuro não poderemos rodar os jogos do presente. Em 20 anos, os servidores estarão inativos, e não teremos cópias legais dos jogos.

Mais do que o fim dos discos, é uma verdadeira tragédia para todo o setor de videogames.