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O Edge agora tem Modo Copilot: vai dar certo?

Não podemos culpar a Microsoft por tentar correr atrás da concorrência e antecipar tendências que outras empresas já estão adotando em seus respectivos navegadores web.

O Microsoft Edge acaba de se reinventar com uma das atualizações mais ambiciosas de sua história. A introdução do novo Modo Copilot marca a transformação do navegador da Microsoft em uma plataforma orientada por inteligência artificial generativa.

Ou seja, a gigante de Redmond não quer ficar para trás e perder a corrida para a OpenAI e a Perplexity, que já anunciaram ou apresentaram propostas similares para navegadores web (proprietários, inclusive). Sem falar no Google, que está turbinando o Chrome com o Gemini.

 

Como o Modo Copilot funciona

Este ainda é um recurso experimental, mas com potencial para mudar profundamente a forma como os usuários interagem com a internet, exatamente da mesma forma que os concorrentes da Microsoft estão fazendo neste exato momento.

O Modo Copilot posiciona o assistente de IA da Microsoft como um verdadeiro parceiro digital, capaz de acompanhar, compreender e agir com base no comportamento de navegação do usuário.

Com o Modo Copilot ativado, a plataforma de inteligência artificial da Microsoft passa a ocupar posição de destaque dentro do navegador. Ele está presente na barra de endereço, nas novas guias e pode ser acessado com um clique.

Bom… não sendo tão insuportável quanto o Copilot é no Microsoft 365, eu já me dou por satisfeito. Caso contrário, troco o Edge pelo DuckDuckGo sem pensar duas vezes.

Seu diferencial é a capacidade de analisar e interagir com todas as abas abertas simultaneamente, oferecendo uma visão holística da sessão de navegação. Isso permite, por exemplo, comparar informações de vários produtos, resumir conteúdos de diferentes sites e sugerir ações com base no contexto geral, e não apenas no conteúdo de uma página isolada.

Essa interação acontece por meio de comandos em linguagem natural, possibilitando que o usuário converse com o navegador de forma intuitiva. É possível pedir ao Copilot que encontre o melhor restaurante em uma cidade, converta medidas de uma receita culinária, localize trechos específicos em vídeos ou organize uma pesquisa em andamento. Tudo isso com base em perguntas simples e diretas, sem necessidade de navegação manual entre as abas.

Não é diferente do que a OpenAI apresentou recentemente no seu chatbot, onde não só é possível realizar essas tarefas online, como também dá para realizar uma sequência de tarefas a partir de um único prompt.

A Microsoft também planeja ampliar as funções do Copilot para torná-lo uma ferramenta com características de agenda de compromissos e tarefas.

Isso significa que, com a devida permissão, ele poderá acessar dados sensíveis como o histórico de navegação e credenciais salvas, para executar tarefas mais complexas, como fazer reservas em restaurantes, marcar compromissos ou organizar rotinas de tarefas com base no comportamento do usuário.

É o próximo passo de evolução do conceito de assistente digital, tornando o navegador uma extensão ativa da intenção do usuário.

A nova experiência oferecida pelo Modo Copilot não exige um PC Copilot+ para funcionar, o que significa que está disponível tanto para usuários do Windows quanto do macOS.

A promessa é que, com o tempo, novas funcionalidades serão incorporadas, permitindo ao Copilot orquestrar a navegação de forma ainda mais automatizada e personalizada.

A expectativa é que o navegador deixe de ser apenas uma ferramenta de consulta, e se torne uma plataforma proativa, capaz de antecipar necessidades e executar comandos com mínimo de intervenção humana.

 

 

É qual é o problema do Modo Copilot?

O Modo Copilot é, neste momento, um recurso adicionado no Edge de forma gratuita, mas por tempo limitado. Até porque a Microsoft vai usar esse período para testes em massa – lembrando: é um recurso experimental.

A Microsoft não especificou quanto tempo essa gratuidade durará, nem quais funcionalidades estarão atreladas a um modelo de assinatura futuramente. Isso mesmo… se você se apegar ao recurso, terá que pagar por ele no futuro.

Especula-se que a versão completa será incorporada ao plano Copilot Pro, atualmente já utilizado em outros produtos da empresa. É importante deixar bem claro que o recurso é totalmente opcional: quem não quiser utilizá-lo pode desativá-lo facilmente nas configurações do navegador.

Pelo menos isso.

A Microsoft garante que os dados dos usuários estão protegidos por seus padrões de privacidade, e que o controle sobre o que o Copilot pode acessar permanece nas mãos do usuário.

Mas… sabe como é esse lance de “eu garanto a sua privacidade na era da ausência da privacidade”. Quando o serviço é de graça, o produto é você – não se esqueça disso!

Especialistas apontam que as promessas de que o Copilot “compreende intenções” ou “vê o quadro completo” são declarações publicitárias que não correspondem ao funcionamento real da IA.

E é bom que a Microsoft deixe isso mais claro para os usuários. Seria péssimo dar a entender que a empresa imita a Apple até nisso – nas falsas promessas.

O Copilot é uma ferramenta baseada em modelos generativos que, a partir de padrões de uso, infere respostas que podem parecer coerentes, mas também podem estar equivocadas ou incompletas.

E um dos maiores desafios das plataformas de inteligência artificial é justamente driblar as alucinações que são entregues para os usuários em forma de respostas críveis e coerentes.

O movimento da Microsoft também representa uma estratégia para se destacar em meio a um mercado cada vez mais competitivo.

O Google já integra o Gemini ao Chrome. A Perplexity e a OpenAI planejam seus navegadores web baseados em IA. E a Microsoft tenta se adiantar com o Edge nessa nova geração de navegadores inteligentes, ao mesmo tempo em que desloca o Bing para um papel secundário na experiência de busca.

É uma forma honrosa de a Microsoft reconhecer publicamente que perdeu a batalha dos mecanismos de busca online, em um duelo que era quase impossível de sair vencedora.

Quando o Bing chegou ao mundo, o Google Search já era um monstro praticamente imbatível.

Então, é a Microsoft investindo no que realmente importa: entregar a sua plataforma de inteligência artificial para o maior público possível.

Se o plano funcionar, vai ganhar vantagem na corrida, redefinindo o seu software e, com sorte, se tornando referência no segmento que vai ditar o futuro da tecnologia.

E isso não será pouco poder concentrado.

Resta saber se o público está pronto para confiar em um navegador que pensa (ou finge pensar) por ele.

 

Via The Verge, ZDNet