
A Disney está mudando de ideia em relação aos seus canais lineares?
Vejamos.
Na Espanha, o Disney Channel voltou como canal de televisão. Na Alemanha também, com a diferença de que esse conteúdo será distribuído via Disney+ também, seguindo os passos que a ESPN tomou no país.
Um detalhe importante: nos dois países, o Disney Channel será transmitido na TV aberta, em via satélite e na TV a cabo… exatamente do mesmo jeito que estava no Brasil e em vários outros países do planeta.
O que está acontecendo? O que fez a Disney mudar de ideia lá fora.
E será que o Disney Channel pode voltar ao Brasil em algum momento no futuro?
Como isso vai funcionar?
Para muitos, ter o Disney Channel de graça é o sonho de consumo. E isso vai acontecer na Alemanha e na Espanha.
O canal será distribuído a custo zero, incluindo nas plataformas pagas. Não haverá acréscimo nas mensalidades da TV paga e do Disney+ em função da novidade.
E a primeira coisa que me vem na cabeça quando olho para a iniciativa é: publicidade.
Bem sabemos que os canais FAST (que exibem a programação em troca de exibição de publicidade) estão ganhando força em todo o planeta.
E… muito obrigado, YouTube, pela graça alcançada.
Para arrecadar algum dinheiro adicional, vale a pena disponibilizar o conteúdo para todo mundo. Até mesmo como chamariz para o Disney+.
A própria Disney, através do seu time executivo na Alemanha, reconhece que esse é um passo lógico para oferecer o conteúdo de forma mais flexível para o usuário.
Para quem não quer perder tempo escolhendo conteúdos dentro do serviço, pode simplesmente entrar no Disney Channel e assistir ao que vier.
Além da visualização personalizada, o usuário pode optar por receber o pacote pronto e se divertir do mesmo jeito.
Pode chegar ao Brasil?
Sinceramente?
Acho difícil, mas torço para que eu esteja errado.
Seja para ganhar (ainda mais) dinheiro com a publicidade, seja em nome de flexibilizar o leque de opções para os assinantes, ter o Disney Channel de volta seria algo incrível.
Reconheço que tem muitas pessoas que estão genuinamente cansadas do processo de escolha de conteúdos no streaming.
Ou até mesmo saturadas da pressão de maratonar conteúdos, apenas para se manterem no hype de determinadas conversas.
Neste sentido, um canal linear, que faz a curadoria do conteúdo e entrega uma pequena amostra como “ponto de partida”, faz todo o sentido.
O único problema para nós, brasileiros, está justamente na ganância corporativa do grupo Disney.
Tenho certeza que alguns executivos dentro da plataforma ficam apavorados em pensar que um grande público pode simplesmente abandonar o Disney+ se o Disney Channel voltar ao Brasil.
Algo que, na minha opinião, não faz muito sentido.
Quem está no streaming dificilmente vai sair dele, pois já abraçou o formato e a experiência de uso.
O grande problema do Disney+ é mesmo o seu preço sugerido pelas mensalidades.
Por mais que o conteúdo seja robusto, a grande maioria não pode (e não vai) pagar por ele.
E aí, muitos vão viver mesmo das amostras grátis que o Disney Channel deve oferecer… e não pagar um centavo para o Mickey.
Por isso = e só por isso – o Disney Channel dificilmente vai desembarcar por aqui no futuro.
De novo: eu espero, de verdade, estar errado.
Via Além da Tela
