A internet segue em plena expansão, e bilhões de pessoas estão conectadas de alguma forma. Algo que é muito bonito no papel, mas na prática, é um verdadeiro caos.

Os criadores da internet não imaginavam (nem em seus mais loucos sonhos) que essa rede iria alcançar esse tamanho. No começo, apenas computadores estavam conectados, a população mundial era muito menor, e eram pouquíssimos usuários. Havia lugar para todos.

Mas o tempo mudou tudo.

 

 

Dia 512K, quando boa parte da internet ficou desconectada

 

 

Hoje, a internet é composta de correções e soluções “temporárias” com décadas de uso. Em alguns casos, as limitações da internet ficam evidentes. Foi o que aconteceu em 12 de agosto de 2014, o Dia 512K, onde centenas de operadoras de internet caíram ao mesmo tempo em todo o mundo, onde muita gente ficou offline e as redes sociais deram cambalhotas com o cenário de caos.

Nesse caso, a tabela de roteamento global superou os 512 kilobytes de tamanho, por causa dessa boa quantidade de routers, especialmente os mais velhos, que falharam ao mesmo tempo.

É preciso entender que a Internet não é uma rede caótica onde todos os internautas do mundo estão conectados ao mesmo tempo. No lugar disso, existem os Sistemas Autônomos (AS), grupos de redes independentes onde é possível se conectar à internet. Uma operadora tem o seu próprio AS, além de grandes organizações com muitos sistemas conectados na internet.

Para você se conectar um servidor em outro local do mundo, é preciso saber a rota que você vai percorrer entre o AS e o servidor, para o seu pedido chegar até lá. Para isso, é necessário que o router saiba quais endereços IP estão em qual AS. A tabela de rotas é atualizada constantemente, com novos endereços IP e novas maneiras de se conectar a esses endereços.

 

 

Por que uma simples tabela gera tantos problemas?

 

Inicialmente, a ideia é que todos que se conectam à internet contem com o seu próprio endereço IP, composto de quatro octetos de bits (por exemplo, 192.168.1.1, o endereço do seu router). Porém, a quantidade de dispositivos conectados já supera e muito a quantidade de endereços possíveis com essa quantidade de bits. Um dos placebos é o IPv6, com seis octetos de bits no lugar de quatro, mas nunca é uma solução permanente.

A solução é cada AS incluir um prefixo que é adicionado na tabela de rotas, incluindo informação adicional para realizar a conexão. E é aqui que nasce o problema: a tabela de rota está ficando grande demais.

A operadora norte-americana Verizon já adicionou 15 mil novas rotas em 12 de agosto de 2014, algo inesperado, ainda mais que não tinha memória suficiente para o seu gerenciamento. O resultado? Roteadores de todo o mundo perderam a conexão, e com ele, usuários e empresas.

 

 

A história se repete no Dia 768K

 

 

Isso vai acontecer de novo. O tamanho da tabela global de rota está se aproximando dos 768 KB, o tamanho de memória válido para muitos routers disponíveis no mercado após a era dos 512 KB.

Logo, os especialistas advertem que muito provavelmente em breve veremos uma repetição dos problemas de 2014, e muitos usuários vão perder a sua conexão de internet de repente. Existem soluções simples para o problema, e que não envolvem a troca do roteador. Mesmo assim, muitas empresas não fizeram o dever de casa.

Não há uma data específica para o Dia 768K acontecer. Vai depender de quantas novas entradas as operadoras vão adicionar. Mas é calculado que pode acontecer ao longo do mês de maio com o ritmo que a tabela é preenchida nesse momento.

 

Via ZDNet