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Se falamos do incêndio da catedral de Notre-Dame em Paris, vamos falar dos incêndios que acontecem na floresta amazônica. De acordo com dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre janeiro e agosto de 2019, foram detectados 72.843 focos de incêndio… até agora. É o número mais alto registrado desde o início da divulgação desses dados, em 2013.

A imprensa está dando pouca atenção para o desastre, e só nas últimas horas (quando uma nuvem de fumaça negra invadiu São Paulo) é que o coletivo se deu conta do que está acontecendo. A NASA ofereceu imagens obtidas através do Observatório da Terra através do satélite Aqua, que mostram a dimensão do incêndio em 13 de agosto. E hoje, 22 de agosto, o cenário ainda é desolador: a fumaça ocupou nada menos que 3.2 milhões de quilômetros quadrados acima da América Latina.

 

 

A floresta amazônica queima sem limites

 

 

As imagens do satélite mostram a floresta amazônica envolta por várias nuvens brancas… que não são nuvens. É a fumaça dos incêndios florestais que está arrasando a vegetação e matando muitas espécies. Mesmo com o clima úmido do local, nos meses de julho e agosto, a floresta sofre da estação seca, uma temporada perigosa para a floresta muito em parte por causa dos incêndios que são produzidos por mãos humanas que trabalham no campo, nas atividades de agricultura e pecuária.

Os satélites Sentinel do Programa de Observação da Terra da União Europeia também registraram o desastre, detectando uma grande quantidade de fumaça em forma de neblina escura que invade tudo. É o fogo, que está acabando com tudo, literalmente.

 

 

A combinação dos dados dos satélites da NASA e da União Europeia destroem por completo qualquer teoria conspiratória sobre o assunto. É um incidente real, com consequências reais.

Apenas para ilustrar como a quantidade de fumaça vinda da Amazônia aumentou entre 28 de julho e 17 de agosto: as imagens vindas do Sentinel 2 mostram como ficou a área que determina o limite entre os estados de Rondônia e Amazonas.

 

 

A situação é extremamente preocupante. Enquanto isso, o irresponsável presidente Jair Bolsonaro culpa SEM PROVAS as ONGs pela autoria dos incêndios. Todos bem sabemos que foram as suas políticas que visam uma maior exploração comercial do local (algumas delas que, curiosamente, estão prejudicando quem ele mais queria beneficiar, ou seja, os agricultores) que resultou nesse cenário de caos.

Nesse momento, mais de um terço de TODAS AS ESPÉCIES DO MUNDO correm o sério perigo de desaparecer. Especialistas reforçam que o território do Amazonas é muito difícil de ser recuperado, pelas próprias características do terreno local. Sem falar que acabar com a Amazônia para beneficiar os agricultores é uma burrice sem precedentes: o seu solo possui uma composição que torna o uso agrícola inviável, inclusive a longo prazo.

Desde 2019 (lembrando que Jair Bolsonaro assumiu o posto de presidente em janeiro), os incêndios florestais na Amazônia aumentaram nada menos que 278% em relação ao ano anterior. Coincidência? Eu estou duvidando.

Quantas imagens a mais precisamos para que os responsáveis por esse desastre de proporções épicas se toquem sobre as burrices que fizeram, e corrijam os erros antes que seja tarde demais?


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