A evolução dos smartphones parece seguir uma rota comum. Um dos objetivos é oferecer um dispositivo sem orifícios, retirando o máximo de conectores para evitar a entrada de água e oferecer maior resistência.

O conector de fones de ouvido é o sacrificado. A Apple o retirou do iPhone, e muitos fabricantes seguiram o mesmo caminho, confiando o áudio ou na porta Lightning (no caso do iPhone) ou no Bluetooth.

Porém, essa retirada da saída de áudio de 3.5 mm tem um efeito colateral bem importante: o fim do rádio FM nos smartphones. Porque o conector é a antena do rádio FM.

Não são poucos os usuários que pedem pelo rádio FM nos smartphones. E para a FCC também que está obrigando a manter o recurso ativo nos dispositivos sempre que possível, pressionando inclusive Samsung e Apple nesse sentido.

É um tema polêmico, uma vez que praticamente todos os smartphones do mundo contam com um rádio FM integrado em seus circuitos, mesmo que ele não fique ativo. E os fabricantes não ativam o rádio FM nos dispositivos por um simples motivo: eles não querem.

O mercado tenta empurrar o consumo de conteúdos por streaming, incluindo as rádios via internet. Porém, o rádio FM é de graça e não consome dados do usuário. Duas coisas que não interessam aos fabricantes.

Já temos uma ideia bem clara dos fabricantes que apoiam o rádio FM. O chip está incrustado no cérebro dos dispositivos, mas ativá-lo e usá-lo pode ou não ser uma decisão dos clientes. Mas sem o conector para fones, não existe o rádio FM. Simples assim.

 

 

A Apple argumentou para a FCC que nenhum dos seus iPhones contavam com rádio FM, quando na verdade contavam, mas não estavam ativos. O motivo real é que, a partir do iPhone 7, não há o conector para fones, e o áudio ou passava pelo Bluetooth ou pela porta Lightning, via adaptador.

Para a FCC, o rádio é um meio vital em circunstâncias de emergência, como meio de comunicação sem depender da conectividade de internet. E não apenas para a comunicação entre pessoas, mas para se manter informado em caso de desastres e situações de crise.

No Android, ainda é possível acudir para uma ROM que ative o chip de rádio FM. Mesmo assim, é um processo complicado e não acessível para todos os usuários, não resolvendo o problema do fabricante escolher pelos usuários, que não podem decidir sobre como usar o produto que compraram.

Podemos até dizer que o rádio por streaming facilita o acesso a uma maior quantidade de conteúdos, ao mesmo tempo em que gasta mais dados e mais bateria que o normal. Por outro lado, sem os conectores de áudio, o rádio FM nos smartrphones está morto, algo que parece que os fabricantes estão muito interessados que aconteça.

O usuário deve ser livre para escolher o que fazer com o smartphone que compra, mas é preciso estar consciente que um telefone sem conector de áudio 3.5 mm traz efeitos colaterais. Você até não pode precisar do rádio FM nesse momento, mas não pode ignorar o direito e desejo daqueles que querem usar do recurso.

Fica a esperança de algum fabricante inserir uma antena no corpo do telefone para receber ondas de rádio. Mas não parece que isso vai acontecer. O stremaing está mandando em tudo, e o usuário pouco pode fazer para evitar isso.