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O barulho do modem do passado falava muito mais do que você pensava

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Quem se conectou à internet pela linha telefônica certamente se lembra do peculiar barulho que o modem fazia antes de se conectar à rede. Eram temos maravilhosos, com um encanto singular. Porém, é importante dizer que aqueles barulhos não eram um capricho, mas uma forma de negociar a comunicação do modem com o provedor de serviços de internet.

 

 

Barulhos que falavam muito mais do que mil palavras

Quem viveu a época ainda se lembra da sequência de sons emitidos durante a conexão. Aquele barulho era o “aperto de mãos digital” entre os dois extremos do processo (o computador e o servidor), identificando também a velocidade de transmissão de dados.

 

 

A programadora finlandesa Oona Räisänen analisou a sequência sonora para aprofundar a explicação sobre o processo dessa negociação, e o resultado foi a singular imagem abaixo.

 

 

Essa negociação tem várias fases. Primeiro, era verificado se o autor daquele barulho era mesmo um modem, onde o modem remoto respondia com um tom diferente para reconhecer o modem daquele computador.

Aqui, começava uma troca de dados binários, onde opções como a supressão de eco utilizada nas chamadas de voz entre humanos que, por não estarem presentes, permitiam uma comunicação full-duplex, onde os dois modems conversavam ao mesmo tempo.

Então, chegava a parte mais importante para muita gente: encontrar uma modulação adequada para esta comunicação, o que determinava a velocidade que vamos obter na transmissão.

Em alguns casos, os modems servidores podiam ser de diferentes velocidades, o que resultava nas famigeradas quedas aleatórias. Você até podia desconectar e tentar reconectar em um outro modem melhor.

A estratégia valia a pena, pois a diferença entre uma conexão a 14.4 kbps para uma de 28.8 kbps (e depois, para a de 56 kbps) era evidente. Tinha gente que sabia qual era a velocidade da conexão pelo barulho do modem.

Esses sons audíveis eram normais na época. As linhas telefônicas eram utilizadas para comunicar áudio, e os primeiros modems já utilizavam do telefone para estabelecer a comunicação. Isso foi visto de forma clara no filme Jogos de Guerra (1983), onde David Lightman (Matthew Broderick) usava esse tipo de modem para se conectar a diversos sistemas. A cena da mudança de notas é simplesmente genial, e mostra com precisão como era o processo de conexão.

 

 

Mesmo se popularizando nos anos 90, os modems se faziam presentes antes disso. Em 1981, o Hayes Smartmode ajudou a patronizar os comandos a AT para controlar todos os parâmetros de transmissão, mesmo que em velocidades muito limitadas (entre 1.200 e 2.400 bits por segundo).

Depois, apareceram modems de 9.600, 14.400, 28.800 e 56.000 bits, onde esses últimos eram considerados tops de linha, levando em conta que uma linha telefônica jamais foi concebida para essa finalidade.

Os modems se tornaram objeto de estudo e quase de culto. Alguns dos primeiros usuários de internet documentavam aos possibilidades dos dispositivos de forma bem extensa. E tudo isso deixa claro que era um ruído que tinha muito mais sentido do que parecia.


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