Compartilhe

De tanto vocês falarem sobre isso, aconteceu. Mas não da forma que vocês esperavam.

O “(coloque o ano que você quiser nesse espaço) vai ser o ano do Linux” tem o mesmo efeito do “(coloque o ano que você quiser nesse espaço) vai ser o ano do podcast no Brasil”. As duas coisas nunca aconteceram na prática, apesar da insistência dos analistas e especialistas.

A verdade é que o Linux nunca conquistou os desktops, mas nesse momento vive o seu melhor momento, com um crescimento expressivo, dentro de suas perspectivas. Mas a longo prazo, o Windows vai seguir dominando o mercado de PCs, com a Apple com o seu próprio nicho e o Linux resumido a uma porcentagem residual.

Por outro lado, o Linux hoje é mais usado do que nunca. A maioria das pessoas é que não se deram conta disso. Servidores que abrigam a maioria dos sites da web ou nuvens que armazenam os nossos arquivos contam com o Linux em suas entranhas. Hoje, utilizamos smartphones com sistemas operacionais baseados no Linux, compramos em lojas físicas que usam o Linux nos caixas e até painéis publicitários usam versões do sistema operacional.

E aos poucos, o Linux está se expandindo para outro setor importante: o dos carros. Sem fazer barulho, mais e mais montadores estão implantando o Linux em seus novos modelos. E tudo isso graças a um curioso acordo entre as principais marcas do planeta.

Qualquer modelo novo de carro que chega ao mercado possui uma tela como padrão ou como item opcional. Nos modelos mais completos, a tela ocupa boa parte do console central, se estendendo ao quadro de instrumentos, que podem ser personalizados pelo usuário.

 

 

Todas estas telas precisam ser controladas por um sistema operacional, e isso envolve um enorme investimento e muitos anos de desenvolvimento. Por isso, muitos fabricantes dependem do trabalho da AGL (Automotive Grade Linux) para um desenvolvimento em conjunto de um sistema operacional básico para os carros.

A Linux Foundation está encarregada dessa organização, que já conta com 140 membros, incluindo nomes de peso como Toyota, Subaru, Hyundai, Audi, Ford, Honda, Mitsubishi, Mazda, Nissan, Mercedes-Benz, Suzuki, Panasonic, Denso e Amazon.

A ideia faz sentido. A plataforma base para os carros se chama UCB (Unifield Code Base), onde cada fabricante terá a liberdade de personalizar o sistema base para cada modelo ou necessidade.

A UCB representa apenas 70% do sistema operacional final de um carro. Cada fabricante desenvolve o seu software com funções exclusivas, ou seja, não é um “sistema único”.

O mais importante aqui é que a maior parte do “trabalho sujo” está relacionado com o funcionamento interno do sistema, e isso é feito pelo UCB. Assim, cada marca pode se centrar na experiência única do carro, sem dar a entender que ‘copiou e colou’ de outra marca.

O software está ganhando uma maior importância na hora de comprar um carro, e as marcas sabem que essa será uma tendência crescente. Com esse projeto, o Linux está na vanguarda, e com potencial real de ser o sistema operacional dominante do segmento.


Compartilhe