
O CEO da Microsoft, Satya Nadella, soltou uma bomba em forma de manifesto que muitos preferem não ouvir: sua empresa pode estar pagando duas vezes pela IA. A primeira parcela é a assinatura; a segunda, o seu conhecimento estratégico entregue de bandeja.
Se fosse só a sua empresa, tudo bem. Agora, quando eu e você também pagamos DUAS VEZES pelo simples fato de ter um serviço de inteligência artificial ao nosso dispor (para tirar nossos empregos e causar burnout em todo mundo)…
Aqui, temos um grande problema.
Tenho algumas questões com essa fala do Nadella, pois estamos falando do comandante de uma empresa que investiu os tubos no desenvolvimento de plataformas de inteligência artificial.
Ou seja, ele é parte do problema.
Mas… será que ele (Nadella) vai reconhecer isso?
Como Satya Nadella enxerga a questão
A ideia de Nadella é quase uma parábola corporativa. Você usa a IA para resolver problemas, mas cada correção que você faz ensina ao modelo como a sua organização realmente pensa.
Esse “resíduo de inteligência” é o novo petróleo, e as empresas estão perfurando em terra alheia. Todos nós, o tempo todo, estamos alimentando os modelos de IA, que são as únicas que se beneficiam de verdade de nossas correções.
Perceba como o buraco é sempre mais embaixo do que parece. O problema não é vazar um PDF sigiloso, mas sim o acúmulo de milhões de interações cotidianas.
Cada prompt revela suas prioridades; cada ajuste mostra suas exceções; cada ferramenta usada mapeia seus fluxos de trabalho. Com o tempo, o provedor da IA constrói um mapa tático do seu negócio sem precisar de um espião.
Satya Nadella… hipócrita?

A que parece, sim. Pelo menos na minha opinião.
Nadella aponta em seus pensamentos hipocrisia do setor: os laboratórios treinaram seus modelos com dados públicos e agora querem proibir que você use as respostas deles para melhorar seus próprios sistemas.
É o famoso “faça o que eu digo, não o que eu faço”.
Acontece que a própria Microsoft faz parte disso, de alguma forma.
Mais do que isso: estão cobrando os dados daqueles que geraram, lapidaram e corrigiram as informações que as plataformas vomitam em algumas respostas. E é isso o que está acabando com alguns setores profissionais específicos.
A área do jornalismo é uma das mais afetadas.
Com o Google entregando respostas do Gemini, praticamente ninguém clica em links para obter respostas mais densas sobre o conteúdo procurado. E aquele acesso ao site com um banner exibindo uma publicidade simplesmente não existe.
Para driblar esse efeito colateral indigesto, alguns estão apelando para a criatividade ou para o conteúdo com perspectiva pessoal. Porém, o jornalismo de hard News começa a ficar esvaziado, já que ninguém quer trabalhar de graça para uma plataforma de IA.
Produzir notícias para o ChatGPT ou Gemini vomitar respostas é a pior coisa que pode acontecer para os sites independentes.
O que o Nadella propõe como “solução”?
A solução proposta por Satya Nadella é, claro, a nuvem da Microsoft. E isso aqui é algo nada surpreendente.
Surpresa mesmo seria se fosse algo diferente disso, ou a nuvem da Amazon, sua concorrente direta no cloud.
Mas isso não invalida o cerne do aviso. Por mais hipócrita que pareça a fala dele.
A verdadeira vantagem competitiva não estará no modelo mais inteligente, e sim na camada de aprendizado que você constrói dentro de casa. Na curadoria dos dados, na atenção que se dá para o melhor desenvolvimento algoritmo e, principalmente, na fidelidade das respostas.
Ignorar esse alerta é aceitar um contrato de aluguel onde você também financia a compra do imóvel para o locatário. E, neste momento, todos nós estamos pagando a conta por isso.
O que eu penso sobre o manifesto do Nadella
Por incrível que pareça, ele tem uma certa utilidade.
O alerta dado por Satya Nadella é um chamado à sobriedade em meio ao frenesi da adoção da IA. O uso irrestrito (e, por que não dizer, irracional) dessa tecnologia pode fazer com que empresas enormes simplesmente entrem em colapso com esse comportamento sintético nos aspectos corporativos.
Entender que a qualidade dos dados é o grande segredo para a sustentabilidade de uma inteligência artificial pode ser algo determinante para várias empresas que, hoje, estão investindo na coleta massiva de dados.
E esse recado vale também para a dona Microsoft, já que o Copilot passa bem longe de entregar essa qualidade toda como plataforma de IA.
Para conhecer os pensamentos de Satya Nadella sobre o uso da IA nas empresas, clique aqui.
