Conheça a “nova internet” que a China está propondo

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Se Donald Trump achou que iria frear a Huawei com o seu bloqueio, se enganou e bonito. A mesma Huawei, em parceria com várias operadoras chinesas e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do país asiático estão discutindo uma proposta pra a construção de uma nova internet. Apenas isso.

O objetivo dessa nova rede é melhorar as comunicações e preparar essas tecnologias para o que está por vir nos próximos anos. Na opinião desse grupo, a internet atual com o seu funcionamento e desenvolvimento de décadas não está preparada para fazer frente para as novas tecnologias.

A proposta foi apresentada para as Nações Unidas, no seu órgão destinado à esta finalidade, a União Internacional de Telecomunicações. A New IP quer substituir o sistema atual, onde a Huawei é a principal protagonista para impulsionar a nova arquitetura, muito em parte pelo seu enorme desenvolvimento tecnológico nas redes de telecomunicações.

Uma documentação detalhada com a proposta formal mostra como a infraestrutura atual da internet é instável e insuficiente para a demanda dos próximos anos, com mais dispositivos IoT ativos, carros conectados e autônomos, entre outras tecnologias.

A Huawei afirma que já está construindo parte dessa tecnologia necessária para a “nova ineternet”, em parceria com vários países e outras empresas. Alguns dos produtos e serviços já podem entrar em testes no começo de 2021, e em novembro de 2020 devem ser revelados mais detalhes sobre o projeto na União Internacional de Telecomunicações das Nações Unidas.

 

 

 

Qual é a proposta da “nova internet” da China?

 

 

Em essência, é substituir o sistema atual de comunicações por internet. Para transmitir os dados hoje, cada dispositivo envia pacotes de dados para um endereço. Este protocolo de transmissão (TCP) junto com o sistema de endereços (IP) praticamente não variou desde a criação da internet.

O novo sistema da Huawei possui uma arquitetura com um sistema de endereços IP mais dinâmico. As redes estão mais separadas e individuais, onde a intercomunicação entre elas está mais complexa e, por conta disso ,mais lenta. No seu lugar, entraria uma tecnologia que permite aos dispositivos da mesma rede que se comuniquem de forma direta entre eles, sem depender de um intermediário.

 

 

 

Mais dinâmica… e mais controlada

 

 

A proposta não convence a todos os países, como Estados Unidos (por motivos óbvios), Reino Unido e Suécia, por acreditarem que isso debilitaria o sistema global de comunicações livre da internet atual, dando um controle mais granular aos provedores e operadoras. Já a Rússia vê o sistema com bons olhos, e o mesmo deve acontecer nos países em desenvolvimento, onde a Huawei está investindo pesado em suas redes de comunicações.

O protocolo mais dinâmico que permitiria o envio de dados sem intermediários entre dispositivos exigiria um sistema de autenticação e, em consequência, o rastreamento de dados. Esse é o fator essencial que não convence a alguns e levanta a preocupação de muitos.

Porém, a Huawei também indica que o novo sistema de IP não incorpora nenhum sistema de controlena sua arquitetura, e especifica que o projeto está aberto para cientistas e engenheiros do mundo todo para participarem e contribuírem com o seu desenvolvimento. Veremos se o projeto vai evoluir, resultando (ou não) em uma internet fragmentada no futuro.

 

 

Via Financial Times


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