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A prática de compartilhamento de senhas, tão comum em serviços de streaming como Netflix e HBO, pode estar com os seus dias contados. Fontes próximas aos planos das duas empresas revelam que ambas planejam utilizar técnicas como obrigar os usuários a trocar as senhas com frequência, o uso de sistemas de autenticação em dois passos 2FA ou até sistemas biométricos para reduzir um problema que custa “milhares de milhões de dólares em receitas perdidas a cada ano.

 

 

Muita gente compartilha as senhas de suas contas

 

 

O compartilhamento de senhas de serviços de streaming é uma prática muito comum, principalmente entre os jovens. Pelo menos 35% dos millennials (nascidos entre o começo da década de 80 e final da década de 90) compartilham senhas, contra 19% da Geração X (nascidos entre 1965 e o começo da década de 80) e 13% dos Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964).

Pelo menos 10% da audiência da Netflix não paga para ver o serviço, e em um passado não muito recente, tanto a Netflix como a HBO afirmavam que isso não era um problema. Então… agora é!

Em determinados mercados onde as plataformas estão desacelerando o ingresso de novos assinantes (e com a saturação de mercado que vai acontecer com a estreia de novas plataformas), Netflix e HBO agora tentam minimizar os danos, observando o cenário geral e buscando formas de melhorar os números, mas sem entrar em detalhes sobre como vão fazer isso.

 

 

Movimentação entre as plataformas de streaming

 

 

Mudanças são planejadas na forma de acessar as contas. Há dois anos, nasceu o consórcio Alliance for Creativity and Entertainment (ACE), que tem como alguns dos seus membros nomes de peso do universo do streaming, como Netflix, Amazon, Disney e HBO. Mesmo que a entidade não se envolva diretamente nas possíveis medidas, ela afirma que sua missão é “proteger o mercado legal do conteúdo criativo e reduzir a pirataria”.

Fato é que serviços como Netflix e HBO ajudam a mitigar a pirataria, pois são alternativas acessíveis, cômodas e muito potentes no consumo de conteúdos de vídeo. Porém, com tantas empresas competindo pelo mesmo mercado, fica inviável para qualquer pessoa que quer assistir muita coisa (ou tudo) pagar tão ou mais caro que um pacote de TV a cabo. Por isso, a pirataria está voltando.

Ou seja, as empresas de streaming precisam ter cuidado para não espantar os assinantes dos seus serviços. Mesmo assim, a saturação do mercado pode fazer com que medidas para reduzir o compartilhamento de contas e senhas apareçam.

Uma das medidas pode ser a obrigação de mudanças de senha de forma frequente, o que evita os roubos de credenciais de contas. Também planejam uma alternativa para o uso de sistemas de autenticação em dois passos (2FA), já utilizado para o acesso em contas bancárias e serviços do Google, Microsoft e redes sociais.

A terceira possibilidade (mais delicada) seria a obrigação do uso de sistemas biométricos para confirmar o acesso a algumas plataformas em determinados dispositivos. Outra possibilidade é associar o serviço a determinados dispositivos, para limitar o número de gadgets que vão ativar e usar o serviço (obrigando a remoção do acesso de um device para liberar o uso em um novo device).

Por enquanto, nada está decidido. Mesmo porque qualquer medida pode espantar clientes, especialmente os mais jovens, que não estão propensos a pagar por tais serviços (ou não querem pagar muito caro por isso).

Enquanto isso, temos diferentes políticas sobre o compartilhamento de contas nos diferentes serviços. Netflix e HBO são mais permissivas. Já a Apple TV+ permite o acesso de até seis membros de uma família para uma assinatura.

O Disney+ vai tentar “mitigar a pirataria”, mas pelo menos nesse início permite que o seu conteúdo seja reproduzido por até quatro dispositivos simultaneamente, de cada conta pode ter até sete perfis diferentes.

 

Via Bloomberg, CNBC, Vice


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