
É um fato que não agrada a todos, mas não podemos fugir da realidade. A Netflix saiu vitoriosa da guerra do streaming, e o seu crescimento está longe de terminar.
Segundo o grupo MoffettNathanson, a empresa possui amplo espaço para expansão, principalmente na monetização do plano com anúncios e no aumento das margens de lucro, elevando sua projeção de preço para as ações da Netflix para US$ 1.100, alterando sua classificação de “neutra” para “compra”.
Os analistas identificaram no modelo de assinatura com anúncios o principal motor para o crescimento futuro da empresa, contrariando absolutamente tudo o que muitos de nós (eu, inclusive) afirmamos sobre esse movimento.
Por que o plano com anúncios deu certo para a Netflix?

Com um preço (em teoria) acessível de US$ 7,99 por mês (R$ 20,90 no Brasil), contra US$ 24,99 (R$ 59,90) do plano premium sem anúncios, a Netflix conquistou usuários que antes se afastaram da plataforma por causa dos custos elevado de mensalidades.
O resultado a favor da Netflix é algo incontestável, e impressiona pelos números alcançados: a empresa encerrou 2024 com 301,6 milhões de assinantes globais, um aumento de 18,9 milhões em apenas um trimestre – quase o dobro das expectativas dos analistas.
O potencial do plano com anúncios é algo simplesmente extraordinário para a principal plataforma de streaming no planeta, e a MoffettNathanson projeta que essa modalidade vai gerar US$ 6 bilhões em receita anual até 2027, podendo alcançar US$ 10 bilhões até 2030.
Existe ainda uma subvalorização significativa da Netflix no mercado americano quando analisada a receita por hora assistida. A empresa gera apenas 40 centavos por hora, enquanto serviços da Warner Bros. Discovery arrecadam 87 centavos e o Paramount+ obtém 86 centavos.
A disparidade detectada pelos números representa uma oportunidade substancial para aumento de receita, o que deve se materializar com o passar do tempo, com lucros que podem ser astronômicos para a Netflix.
O real potencial de crescimento

Apesar dos investimentos necessários para desenvolver o serviço com anúncios e produzir mais conteúdo, as projeções indicam que as margens de lucro da Netflix podem atingir impressionantes 40% até 2030, impulsionadas pela contínua expansão na aquisição de assinantes nos planos menores.
Os números já mostram resultados positivos: um crescimento de 16% na receita, quase dobrando o ritmo dos dois anos anteriores, com margens operacionais aumentando mais de 600 pontos-base, alcançando quase 27% e superando previsões iniciais.
No último trimestre de 2024, a receita atingiu US$ 10,247 bilhões, 12,5% acima do mesmo período de 2023 e superando as expectativas de Wall Street de US$ 10,12 bilhões – o maior ganho desde o final de 2021.
Todos esses números deixam muito claro que a Netflix não apenas venceu a guerra do streaming. Ela simplesmente obliterou a concorrência, em um modelo de negócio que é invejado por todos e difícil de ser copiado pela maioria.
A Netflix está tão na frete (e, na verdade, sempre esteve na liderança), que pode se dar ao luxo de se preparar para os próximos passos, com muitas chances de expandir suas conquistas no mercado global do entretenimento.
Tudo o que a Netflix precisa entender neste momento é que novas batalhas pela dominância desse segmento certamente virão no futuro. E a empresa tem tempo para compreender os movimentos dos adversários e se preparar para enfrentar o que vem por aí.
Via Exame

