A Netflix encerrou o ano de 2018 liberando o episódio especial de Black Mirror: Bandersnatch, que se destaca por ser um episódio interativo, onde o usuário pode escolher como a história vai continuar em momentos pontuais, e tais decisões vão direcionar para um final em específico.

Na prática, é um sistema bem simples, mas com um enorme potencial. A mecânica gerou discussão na internet, que ficou enlouquecida atrás de finais alternativos e segredos escondidos na série.

O que tornou Black Mirror: Banderstach possível foi o mesmo conceito dos jogos FMV (Full Motion Video) que chegou aos consoles de videogames no meio da década de 1990. O sistema se vendeu como “a mescla entre cinema e videogame”, mas não vingou por conta das poucas possibilidades em comparação com um videogame normal.

A Netflix utilizou o Twine para esse episódio especial de Black Mirror. Essa ferramenta foi desenvolvida para contar histórias não lineares, justamente para que a audiência possa tomar decisões nos momentos considerados chave da história.

 

 

Uma árvore de decisões

 

 

Em Bandersnatch, existem árvores de decisões, onde a história evolui dependendo do galho escolhido. O Twine permite publicar diretamente como HTML na web, e a Netflix só teve que adaptar esse código à sua plataforma. E essa não foi uma tarefa muito fácil.

Black Mirror: Bandersnatch estreou sem ser compatível com vários dispositivos, como o Google Chromecast e o Apple TV. Além disso, precisou de uma atualização de app da Netflix para suportar tais recursos, e outros dispositivos como consoles das gerações anteriores também não podem exibir o episódio.

A Netflix não se pronunciou oficialmente sobre esta incompatibilidade, mas o mais provável é que tais problemas serão resolvidos em um momento posterior. Os apps não só precisam ser atualizados para suportar a tomada de decisões, mas também o método pelo qual controlamos o aplicativo.

Este pode ser um dos principais obstáculos para o conteúdo interativo se popularizar, mas uma vez superado este desafio, mais episódios interativos devem aparecer na Netflix sem maiores problemas.

 

 

Tudo começou com Minercraft: Story Mode

 

 

Aliás, o conteúdo interativo pode ser uma forma da Netflix em responder ao ataque da Disney com o Disney+. Lembrando que o serviço de streaming apresentou antes o Minercraft: Story Mode, que tem conceito similar.

Além de oferecer mais conteúdos originais e exclusivos, a Netflix aposta na interação que pode oferecer nos seus conteúdos e na plataforma como um todo. A barreira entre cinema e videogames está desaparecendo, e propostas como a de Bandersnatch é cada vez mais tangível e viral.

A prova que a Netflix está apostando mesmo na interatividade foi a recente contratação do CFO (Chief Financial Officer) da Activision Blizzard (ou melhor, ele foi demitido depois que ficou clara a intenção do serviço de streaming em ficar com esse executivo).

A ideia de contratar executivos com experiência no setor dos videogames tem como objetivo alcançar o apelo com um novo público. Muitas pessoas que experimentaram Bandersnatch sequer havia jogado um videogame antes, e pode aproveitar de uma experiência muito similar a um game ao ver o episódio.

O futuro vai mostrar como essas iniciativas vão se consolidar (ou não) na Netflix.