
Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, manifestaram calma diante da proposta hostil da Paramount, liderada por David Ellison, para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD). A declaração foi feita durante uma conferência da UBS, poucas horas após o anúncio da oferta concorrente. Eles expressaram total confiança na aprovação regulatória e na solidez de seu acordo anterior com a WBD.
Sarandos classificou a movimentação da Paramount como “totalmente esperada”, enfatizando que a Netflix está muito satisfeita com os termos do acordo que buscam firmar. A liderança da Netflix acredita que a transação é benéfica para acionistas, consumidores e criadores, prometendo proteger e expandir empregos na indústria do entretenimento.
Mais detalhes sobre a resposta da Netflix

A Netflix considera que a aprovação regulatória é inevitável devido à natureza pró-consumidor e pró-emprego do acordo, garantindo que apoiarão os reguladores em suas análises. Greg Peters afirmou que não cabe à empresa ditar como os reguladores devem enxergar o mercado, mas que os fundamentos do acordo tornam sua aprovação mandatória.
A empresa argumenta que a aquisição não resulta em redundâncias ou cortes, uma vez que a Netflix está entrando em três novos segmentos de negócios.
A Paramount, por outro lado, tentou desacreditar o acordo da Netflix, alegando que sua proposta ofereceria $18$ bilhões de dólares a mais em dinheiro aos acionistas da WBD. A proposta da Paramount criticou a avaliação da WBD e o nível de alavancagem financeira da entidade pós-Netflix, mas a Netflix se mantém firme em sua posição.
Sarandos fez questão de tranquilizar os investidores, afirmando que a transação, embora complexa, não é mais desafiadora do que outras situações que a empresa já enfrentou.
Nada vai mudar (muito)

Sarandos e Peters enfatizaram que a estratégia da Netflix é preservar e operar os estúdios e o canal HBO como estão atualmente, sem a intenção de consolidar estúdios ou destruir valor. A empresa se compromete a manter o lançamento de filmes da Warner Bros. no formato existente.
A dupla destacou que, ao contrário da Paramount, que busca eficiências bilionárias, a Netflix vê a transação como uma forma de salvar e criar empregos.
A HBO é vista como uma marca de prestígio que não precisará mais se desdobrar para se tornar uma marca de entretenimento geral sob a tutela da Netflix, que já é bem estabelecida nesse nicho. A Netflix quer que a HBO se concentre ainda mais no conteúdo pelo qual é amada.
Os dados da Nielsen Gauge foram usados pela Netflix para argumentar que eles não dominam o streaming, mostrando-se atrás de YouTube e Disney, sugerindo que uma união WBD-Paramount estaria acima deles.
O papel da HBO e das produções para os cinemas

Sarandos dedicou parte da fala para explicar os planos em torno da HBO, destacando que a emissora retomará sua vocação original de conteúdo premium, sem precisar se tornar “uma marca de entretenimento geral”.
A Netflix pretende manter a autonomia da HBO e aproveitar sua força de prestígio para ampliar as produções de alto impacto. “A HBO voltará às suas raízes, e isso é o que o público realmente quer”, disse o executivo.
Outro ponto importante foi a valorização do cinema. Sarandos confirmou que a Netflix, ao adquirir a Warner, passa a operar um estúdio cinematográfico com distribuição teatral completa. Essa estratégia marca uma mudança de postura da empresa, que agora promete dar mais espaço aos lançamentos em salas de cinema, sem reduzir o foco no streaming.
A abordagem da Netflix contrasta diretamente com a visão mais centralizadora da Paramount. Enquanto a Paramount vê sinergias na fusão de operações e corte de custos, a Netflix posiciona sua aquisição como uma expansão, não uma reestruturação. Segundo analistas citados pelo Variety, essa narrativa pode ser crucial para conquistar a aprovação dos órgãos reguladores americanos.
Fatores políticos e impacto nos empregos

A negociação entre a Netflix e a Warner Bros. teve um componente político, incluindo uma reunião secreta entre Sarandos e o ex-presidente Donald Trump. Trump, embora tenha chamado Sarandos de “fantástico”, levantou preocupações sobre o acordo ser “problemático”. A Netflix enfatiza que o foco de Trump na aquisição é o potencial de criação de empregos na América.
Sarandos mencionou que o ex-presidente entende a dinâmica e está interessado no impacto do acordo na geração de empregos e na produção americana. Curiosamente, Jared Kushner, genro de Trump, está entre os apoiadores da proposta da Paramount, adicionando uma camada de complexidade política à disputa.
A Netflix reiterou aos investidores que o acordo é positivo para todos os envolvidos, algo que é aparentemente confirmado pelas preocupações internas dos acionistas da Warner Bros. Discovery pelo suposto envolvimento de um grupo árabe como investidor da Paramount Skydance nessa batalha pela compra de um dos maiores legados da história do cinema e da TV.
Sarandos encerrou sua fala com uma mensagem de otimismo aos investidores da Netflix. Ele garantiu que o acordo é financeiramente sólido e que a empresa está “pronta para a próxima fase”, considerando a transação um marco positivo para toda a indústria global de entretenimento.

