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A Netflix está doida para ganhar um Oscar. É o prêmio que falta para a empresa líder no serviço de streaming ser respeitada em Hollywood de uma vez por todas. Bom, pelo menos é isso o que os seus executivos acredita. Entendo que esse respeito passa também pelo fato dos velhos da Academia em respeitarem os diferentes formatos de distribuição de conteúdo, deixando de achar que o local onde o filme é exibido é mais importante que o filme em si.

De qualquer forma, é de conhecimento público que o Oscar é uma verdadeira obsessão da Netflix. No ano passado, podemos dizer que a plataforma ‘bateu na trave’ com o belíssimo Roma, que venceu a estatueta como Melhor Diretor (Alfonso Cuarón). Em 2020, as apostas eram altas, e os investimentos no maketing dos filmes elegíveis aos prêmios foram tão altos como.

Agora, sabemos que a Netflix investiu nada menos que US$ 70 milhões em marketing relacionado com os seus filmes que estão concorrendo ao Oscar. O problema é que dinheiro não compra prestígio, e apesar da plataforma registrar 24 indicações ao Oscar 2020 (o maior número de indicações na premiação deste ano), o estúdio não é favorito para vencer nenhum dos principais prêmios da noite de hoje (9).

 

 

A Netflix faz história no cinema sem vencer prêmios

 

Nunca uma plataforma de streaming (ou que originalmente foi pensada para exibir os seus conteúdos em formato de home cinema) obteve tantas indicações ao Oscar. O gasto, independentemente do fato de ser válido ou não, pode ser amortizado com a presença dos filmes nas premiações. Mas é fato que não é fácil transformar campanhas de marketing em prêmios, o que torna a rentabilidade aplicada insuficiente.

Por exemplo, Scarlett Johansson e Adam Driver contam com potencial para vencer em suas respectivas categorias (Melhor Atriz e Melhor Ator, ambos por História de um Casamento), mas os grandes filmes que a Netflix lançou no ano passado não contam com as mesmas chances.

Dois Papas, O Irlandês e História de um Casamento contam com poucas chances para vencer os principais prêmios que estão indicados, mesmo sendo excelentes filmes com críticas muito positivas dos especialistas e do público, além de uma ampla cobertura nas redes sociais. Porém, Sam Mendes e Quentin Tarantino estão na briga com filmes excepcionais (1917 e Era Uma Vez… em Hollywood).

E, por incrível que pareça, dos filmes disponíveis na Netflix e elegíveis ao Oscar 2020, aquele que mais tem chances de sucesso é a animação Klaus, que não foi muito comentado pelo grande público, mas foi aclamado pela crítica, especialmente depois de todos os prêmios conquistados no Annie Awards 2020.

 

Vai ser interessante ver as consequências do possível fracasso da Netflix no Oscar 2020, e descobrir se esse gasto no marketing vale tanto a pena assim, mesmo com algumas apostas sobre as possibilidades de alguns dos seus filmes ganhar algum Oscar esse ano. Se a plataforma ficar zerada esse ano, a evolução do seu conteúdo, em busca de prestígio ou não. Será que a plataforma vai seguir apostando no bom cinema e nos grandes diretores? Ou vai deixar de lado o objetivo de vencer um Oscar de Melhor Filme… e seguir investindo em filmes espetaculares, independente dos prêmios que conquistar?

Estou torcendo pela segunda opção.


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