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Netflix culpa o assinante por estar em crise!

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Não tem como não falar sobre isso hoje.

O mundo está caindo para a Netflix, e nem acho que as perdas registradas pela principal plataforma de streaming do mercado são para tanto desespero. Pelo menos 200 mil usuários abandonaram o serviço no primeiro trimestre de 2022 (em comparação com o mesmo período em 2021), as receitas caíram e as ações despencaram.

Tá, é um cenário caótico quando olhamos a longo prazo. Mas o grande problema para a Netflix é que, ao que tudo indica, as perdas não vão parar com tanta facilidade. E, para piorar, seus executivos dão a entender que não estão enxergando a real raiz do problema, encontrando culpados equivocados.

Vou explicar melhor a minha tese ao longo deste post, pois é fácil prever uma debandada em massa da Netflix após as decisões tomadas pela empresa.

 

 

 

Do que exatamente estamos falando com o termo “tragédia”?

Para qualquer empresa, perder usuários e ver suas ações na bolsa despencando é sim uma tragédia. E para a Netflix, não é diferente.

As ações da Netflix, que já perderam mais de 40% desde o começo de 2022, perdeu mais 24% depois do anúncio dos resultados financeiros do primeiro trimestre do ano. A empresa perdeu pelo menos 200 mil assinantes no último trimestre (em comparação aos números de 2021, quando se esperava agregar 2.5 milhões de novos usuários), e afirma que mais de 100 milhões de lares ao redor do mundo não pagam pela assinatura por conta do compartilhamento de senhas.

Para a Netflix, é justamente este contingente o principal culpado pelas perdas financeiras da empresa. Mas entendo que o buraco é um pouco mais embaixo, e vou falar mais sobre isso daqui a pouco.

A plataforma de streaming também perdeu mais usuários ao longo do ano e em diferentes regiões do planeta: 600 mil nos Estados Unidos e Canadá, 700 mil na Rússia (por conta das recentes suspensões no país) e 300 mil na Europa, Oriente Médio e África. Apenas a Ásia registrou aumento no número de assinantes.

A própria plataforma reconhece que a crise sanitária global mudou a dinâmica de uso do serviço, mas considera o compartilhamento de contas o culpado pelas perdas financeiras recentes.

Os números parecem catastróficos, mas quando colocamos em perspectiva com o número de usuários que a Netflix ainda possui ao redor do mundo (222 milhões), tudo isso pode parecer muito barulho por nada. E, na prática, não é bem assim, já que o cenário atual fala muito sobre o que pode acontecer com a empresa no futuro.

OK. É um cenário complicado mesmo. Mas… vamos ver onde a Netflix está errando e, aparentemente, não quer enxergar isso.

 

 

 

Pagamos muito? A Netflix entrega o suficiente? E a concorrência?

A Netflix deixa de fora várias perguntas que merecem respostas plausíveis e condizentes com a realidade dos próprios usuários.

A maioria dos usuários entende claramente que a mensalidade da Netflix está cara demais, e em qualquer modalidade de assinatura. Até mesmo o ridículo plano com imagens em 480p e apenas uma tela custa mais caro que todos os seus concorrentes diretos, e a plataforma faz vistas grossas para isso.

O compartilhamento de contas sempre foi uma solução que atendia até mesmo a própria Netflix. Foi isso que permitiu que a plataforma alcançasse os tais 222 milhões de assinantes ao redor do mundo. Convenhamos: tem que ser muito corajoso para pagar R$ 55,90 por mês pelo serviço.

E nem mesmo a comparação com os valores cobrados pelos ingressos no cinema justificam valores muito mais altos que todos os concorrentes no segmento de streaming.

E não estamos falando de uma concorrência qualquer. Warner Bros. Discovery, Disney, Paramount, Amazon e Apple são players que podem bater pesado na Netflix, cobrando valores muito mais competitivos por suas propostas, e com um catálogo robusto o suficiente para atender às necessidades de qualquer pessoa.

Sem falar que é de se questionar se a Netflix entrega um catálogo tão bom a ponto de justificar valores tão elevados para a mensalidade. Eu pergunto: o quanto você assiste dos novos conteúdos dentro do serviço? Você não acha que a plataforma fica lançando filmes e séries em escala industrial, sem se preocupar com a qualidade e, na grande maioria dos casos, com conteúdos que não despertam o interesse dos assinantes?

Sim, pois existe a “desculpa” da Netflix em cobrar valores elevados dos assinantes para garantir uma maior entrega de conteúdos originais. Conteúdos esses que são ignorados por todos nós.

E, sinceramente… R$ 55,90 é quase o preço de alguns serviços de TV por assinatura via internet, como é o caso do plano TOP HD streaming da Claro (R$ 59,90 mês) e o Vivo Play no seu pacote mais completo (R$ 49,90/mês).

Definitivamente, a conta não está fechando. E a Netflix precisa fazer alguma coisa.

Só me pergunto se as decisões tomadas são as mais acertadas.

 

 

 

O que a Netflix vai fazer?

Como a Netflix entende que a “culpa” por todo esse cenário catastrófico é “nossa”, ou seja, dos assinantes que estão dividindo as contas, a empresa vai “trair os seus princípios” para “nos penalizar”.

Sim… eu sei… muitas aspas em um mesmo parágrafo. Mas tudo soa tão irônico, que não tem como não utilizar tal recurso neste texto.

A cobrança adicional nas contas compartilhadas vai acontecer. Na verdade, a nova política da plataforma será restringir os planos compartilhados entre amigos e familiares que não vivem na mesma casa, adotando a fórmula de “sub-contas” dentro da assinatura global.

Na prática, cada usuário que está dentro da conta compartilhada terá que pagar um valor adicional para se manter ativo no serviço. E isso fatalmente fará com que a Netflix recupere algum valor em função desse comportamento.

Aqui, tudo vai depender do valor que a própria Netflix vai cobrar a mais de cada usuário. Para muitos, pode valer a pena pagar o dobro do que está pagando agora na conta dividida (em média, R$ 22 por mês) para manter a sua participação na conta compartilhada. Afinal de contas, esse valor ainda é menor do que o plano mais barato do serviço, e a qualidade de imagem é a maior possível (4K).

Por outro lado, não é difícil imaginar um grupo enorme de usuários abandonando de vez a Netflix por entender que não vale a pena pagar o dobro do valor atual na conta compartilhada para receber um conteúdo que não entrega o suficiente para justificar um aumento tão agressivo no orçamento individual.

Sem falar que a Netflix acabou de criar um precedente perigoso para as demais plataformas que, muito provavelmente, vão adotar a mesma prática para capitalizar ainda mais em cima das contas compartilhadas. E, se isso acontecer, a brincadeira do streaming pode acabar para muita gente, que certamente vai voltar para o compartilhamento de filmes e séries (aka Torrent).

A outra medida que a Netflix vai adotar para se recuperar financeiramente é lançar planos de assinatura com preços mais acessíveis, mas com a veiculação de publicidade durante a exibição dos conteúdos disponíveis no serviço.

Olha… isso pode funcionar, mas vai na contramão de todos os serviços de streaming neste momento. Quem exibe publicidade (como é o caso da Pluto TV) oferece o serviço de graça. Quem paga para ver conteúdos não vê publicidade. E, de novo, não sei se a Netflix tem argumentos bons o suficiente dentro do seu catálogo para justificar a veiculação de publicidade mesmo pagando.

Além disso, nem sei se vale a pena pagar um pouco a menos para ver publicidade no plano de 480p. Mesmo com valor menor, este é um plano que chega a ofender os usuários pelos valores cobrados.

 

 

 

As mudanças vão funcionar?

Não sei. Não consigo prever o futuro. Se eu fosse capaz de prever o que vai acontecer, jamais estaria escrevendo este post na véspera de um feriado.

Mas posso afirmar algumas coisas que podem acontecer. Por exemplo, uma debandada ainda maior de usuários da Netflix nos próximos meses, e não apenas porque o serviço custa muito mais caro que a concorrência, mas principalmente porque essa concorrência está disposta a roubar usuários a todo custo. E usa o fator econômico para conseguir novos assinantes.

Enquanto a Netfilx não entender que estamos em 2022 (e não em 2013), a tendência é que a plataforma dê uma boa patinada, deixando os seus investidores apavorados. Parte da culpa desse cenário caótico é do próprio serviço de streaming, e seus executivos insistem em não entender isso.

Culpar os usuários pelas perdas financeiras é o pior recado que uma empresa pode dar para quem realmente interessa na ponta final do processo: os próprios assinantes. De novo: muitas pessoas se perguntam se vale a pena manter um serviço lotado de conteúdos que são pouco ou nada relevantes, e quando benefícios como o compartilhamento de contas são vetados, o mais provável é mesmo a debandada de assinantes insatisfeitos com essa decisão.

Mas… vamos ver o que vai acontecer. No final das contas, é o tempo que vai mostrar quem tem razão. Afinal de contas, eu sou apenas um blogueiro de tecnologia que tenta pagar a pizza fria na geladeira de final de semana.

Isso… e a cara mensalidade da Netflix, é claro.


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