
A Sony nunca quis lançar o seu serviço de streaming próprio porque não queria entrar em uma briga que sabia que iria perder. Neste aspecto, esses japoneses não são teimosos: só investem o dinheiro naquilo que sabem que podem se manter minimamente sustentável e competitivo dentro de cada setor.
Dito isso, a mesma Sony Pictures Entertainment fechou um acordo histórico e bilionário com ninguém menos que a Netflix, essa máquina de conteúdo de entretenimento, onde US$ 7 bilhões serão investidos para que os filmes do estúdio desembarquem na maior plataforma de streaming do planeta em modo Pay-1.
E eu estou aqui para explicar o que isso significa, já que o termo é relativamente novo, e muitas pessoas chegaram a confundir o movimento de licenciamento com um “a Netflix comprou o Homem-Aranha, e agora está tudo perdido”.
O que é um acordo de Pay-1?
É um acordo que, na prática, posiciona a Netflix como o primeiro local que vai receber os filmes da Sony Pictures tão logo o conteúdo deixe as salas de cinema. Normalmente os conteúdos chegavam em Pay-1 para os formatos digitais em VOD (Video on Demand), tanto para compra quanto para aluguel e, simultaneamente, para as vendas em mídias físicas (DVD e Blu-Ray).
Em um segundo momento, e depois que a Sony capitalizou o que podia com a venda desses ativos para o público doméstico, o filme desembarca no Pay-2 que, de uns tempos para cá, foi posicionado como as plataformas de streaming. E a televisão, tanto aberta quanto por assinatura, é o destino final de todo e qualquer filme.
Agora, é a plataforma digital que vira a Pay-1 como destino logo após o fim do ciclo de exibição do conteúdo nos cinemas. E o valor que a Netflix pagou por todo esse direito de exclusividade (repito: nada menos que US$ 7 bilhões) garante que o conteúdo ficará na plataforma como algo exclusivo por alguns meses.
Vários meses, na verdade.
Quando o acordo começa a valer?
Os conteúdos da Sony começam a ser entregues de forma prioritária para a Netflix no final de 2025, e isso vai permanecer até o final de 2032. É um acordo global, mas os conteúdos podem variar na variedade de distribuição em função dos respectivos acordos de licenciamento e distribuição em diferentes países.
Em termos práticos: sim, os filmes do Homem-Aranha vão para a Netflix tão logo os acordos vigentes com o Disney+ expirem. A expectativa é que todo o catálogo da Sony Pictures Entertainment esteja dentro da Big N até 2029, e quem sabe aconteça uma renovação da parceria que, neste momento, rende 40% a mais de receita para a Sony, além de turbinar de forma considerável o catálogo da empresa líder global no streaming.
Está nascendo um monstro?
Se tudo acontecer conforme é apresentado neste momento, a Netflix está se transformando em um monstro do streaming. E faz isso com uma velocidade e voracidade que são simplesmente assustadores.
Não sabemos como os órgãos reguladores dos Estados Unidos verão esse movimento, e como o acordo vai influenciar na compra da Warner Bros. O que é fato é que todo o mercado está com o sinal vermelho mais do que ligado com tudo o que acontece.
Não deixa de ser mais um movimento importante realizado pela Netflix, e um momento histórico para o mundo do entretenimento. É mais um estúdio tradicional e com tamanho considerável que passa a ter o seu conteúdo na maior plataforma de streaming no planeta, mostrando que o formato venceu de forma definitiva.
Estou realmente ansioso para ver como serão as respostas das demais plataformas diante do acordo e, principalmente, as opiniões de David Zaslav (CEO da Warner Bros. Discovery) sobre essa parceria de licenciamento. Será que o executivo vai concluir que a Netflix poderia sim pagar a mais pela WBD e não o fez porque não quis?
Ou todos os envolvidos estão satisfeitos com os acordos feitos (menos é claro a Paramount Skydance, que ficou falando sozinha sem negociar com ninguém)?
O tempo, sempre ele, vai dizer o que vai acontecer.
Via Deadline
