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Nadella lucrou em cima de demissões em 2025

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Já dá para chamar o Satya Nadella de hipócrita? Ou vamos suavizar apenas com a menção da materialização do paradoxo?

O CEO da Microsoft vai se despedir de 2025 com saldo positivo na empresa. Mas… a que custo? Ter um aumento salarial de US$ 20 milhões no mesmo ano que demitiu mais de 15 mil funcionários deve incomodar um pouco na consciência do executivo.

Ou talvez não.

Os acionistas da Microsoft receberam os lucros operacionais de um ano fiscal com ganhos recordes. Logo, nada mais lógico que Satya Nadella tenha o seu salário dobrado em apenas dois anos, já que “ele foi muito competente para isso”.

E entenda uma ironia quando você se deparar com uma em um texto.

 

O paradoxo Nadella

A Microsoft anunciou um lucro líquido de nada menos que US$ 101.8 bilhões em 2025, ou 15,% a mais do que no ano anterior. E isso aconteceu em um ano complicado nas questões fiscais, com tarifas de importações enlouquecidas ao redor do mundo.

A folha de pagamento de Nadella engordou a ponto de obesidade mórbida, ao mesmo tempo em que a empresa se livrou de milhares de profissionais na divisão do Xbox e nos setores burocráticos e operacionais.

O principal objetivo era reduzir as camadas de gerenciamento e aumentar a agilidade organizacional por meio de inteligência artificial. E em 2026, a empresa quer reduzir a influência do trabalho remoto, substituindo quem puder por chatbots.

E isso, porque Nadella pediu para reduzirem o seu salário em 2024, ficando com “apenas” US$ 79,1 milhões (que já eram US$ 30,6 milhões em 2023).

De nada adiantou: em 2025, o salário do CEO da Microsoft será de US$ 96,5 milhões, o que mostra que o seu salário simplesmente triplicou em apenas dois anos.

Nadella foi eficiente o suficiente para que as ações da Microsoft subissem a ponto de representar mais de US$ 84 milhões em bônus de ações e investimentos. O executivo foi o maior beneficiado da era da inteligência artificial da empresa, o que deve resultar em mais investimentos no segmento, além do Azure como principal impulsionador dos resultados.

 

E os demitidos? Ficam como?

Cheios de ódio pela postura de Nadella e da Microsoft, é claro.

No mundo perfeito, Nadella tinha que dividir os seus ganhos adicionais com as famílias dos funcionários que foram demitidos em nome de seus lucros obscenos e aumentos de salários exorbitantes. Mas o que estou pedindo é um completo absurdo.

A Microsoft mostra uma de suas piores facetas quando converte em lucro corporativo perdas salariais em função de demissões. E nem podemos dizer que essa notícia do aumento de salário do Nadella é uma grande surpresa.

Porque não é.

Todas as grandes corporações estão trabalhando pesado no desenvolvimento de plataformas e soluções com inteligência artificial para automatizar tudo. E esse é um destino que, aparentemente, será inevitável.

O que a notícia nos deixa, além de um certo espanto, é um ponto de reflexão sobre o rumo que tudo está tomando dentro das grandes empresas.

Os profissionais humanos estão se tornando descartáveis. A não ser que sejam especialistas em produção de prompts.

E, mesmo assim: daqui a pouco, esses também ficarão sem emprego.


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