Alguém precisa colocar as coisa nos seus devidos lugares. Ou não, e deixar tudo bagunçado, só pela diversão.

O Motorola One foi a resposta da Lenovo ao ASUS Zenfone Max Pro M1 e ao Xiaomi Mi A1 (e A2), oferecendo um smartphone com Android One by Google, especificações decentes o suficiente para o uso diário e preço relativamente competitivo. Na teoria, muita gente queria o telefone, já que ele foi um dos mais procurados de 2018. Na prática, muita gente ficou com nojinho do que a Motorola apresentou.

Nem é preciso dizer que o Xiaomi Mi A2 é o grande vencedor entre os três. O preço no Brasil é excelente, as câmeras surpreendem e a experiência de uso é bem ajustada. A ASUS bem que tentou surfar nessa onda, mas a prova clara que o Zenfone Max Pro M1 não foi bem nas vendas é a decisão que esse modelo será simplesmente abandonado.

De novo: não é fácil competir com o Xiaomi Mi A2 custando na casa de R$ 1.000 ou menos. É simplesmente a melhor relação custo/benefício dentro do segmento.

E aí, restou o Motorola One.

Eu acho que tem muitos usuários (e vários deles fanboys) que precisam entender melhor o que significa o uso de determinados termos em um texto. E em vários casos os textos precisam ser bem claros, para que não fique nenhuma sombra de dúvida sobre o que é dito.

Então…

 

 

Vou desenhar sobre o real problema do Motorola One

 

 

Eu não teste o Motorola One, mas eu posso dizer com propriedade que eu não tenho a menor dúvida que este é um bom smartphone Android. Eu não estou recebendo da Motorola/Lenovo para falar isso. Até porque eu não recebi o telefone para testes (algo atípico, já que eu testei todos os lançamentos de 2018 da marca).

E a discussão aqui não está na qualidade do dispositivo. Ele é bem construído, conta com o Android by Google e com a promessa de rápidas atualizações, e toda a qualidade que a Motorola sempre entregou nos seus smartphones.

O ‘X’ da questão (ou o ‘M’ da questão) é que muita gente esperava mais da Motorola com o Motorola One. Por que? Porque a Motorola pode entregar mais.

Entregou mais no bem sucedido Moto G6, e eu não estou aqui tentando ignorar o fato desse ser um modelo que pertence a outra categoria de smartphones. Estou falando em um conjunto mais equilibrado e mais alinhado com a sua proposta de preço.

Acho que a discussão não é nem o fato do Motorola One contar com o processador Snapdragon 625 (de 2017). Esse chip ainda dá um caldo e é bem eficiente para 2018 (pode não ser tão bom assim para 2019). O grande problema é escolher esse chip, e cobrar R$ 1.499 pelo dispositivo.

Esse é o grande ponto de decepção.

Comparando com os concorrentes diretos que eu citei nesse post, o Xiaomi Mi A2 tem o Snapdragon 660 e pode ser encontrado por menos de R$ 1.000. O ASUS Zenfone Max Pro M1 tem o Snapdragon 636, e custa menos de R$ 1.200.

Como explicar a Motorola colocar um processador com tecnologia defasada em relação aos seus concorrentes e cobrar consideravelmente mais caro pelo seu produto?

Não faz o menor sentido!

A Motorola se esqueceu que o consumidor brasileiro está bem mais esperto e atento aos detalhes, e não se seduzem apenas pelo design ou outras características pontuais. Caso contrário, o Samsung Galaxy J8 seria um sucesso no Brasil, mas ele ficou em uma situação patética ao contar com um Snapdragon 450 e ser anunciado a R$ 1.899 (com o tempo, a Samsung caiu na real e reduziu o valor do produto para R$ 1.259).

Em resumo: o Motorola One não é ruim. Ele é decepcionante. A broxada que os fãs da Motorola sentiram quando souberam o preço do dispositivo é mais que compreensiva. É você esperando uma Danielle Winits e chega na sua casa um Felipe Dylon.

Ninguém merece!