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Errar é humano. Perdoar é divino. E reconhecer o erro é um sinal claro de inteligência. A Microsoft não seria a gigante que é hoje se não tivesse apresentado ao longo de sua história acertos e erros, onde em algumas oportunidades reconheceu ao mundo que seus pensamentos não eram os mais acertados.

O novo século mostrou ao mundo um exponencial crescimento dos softwares livres ou de códigos abertos. E esse crescimento gerou uma grande controvérsia, encontrando na Microsoft uma das suas vozes opositoras que faziam um enorme barulho. A gigante de Redmond defendeu por décadas o seu modelo de negócio, onde um software fechado e proprietário era a única garantia de desenvolvimento e evolução de sistemas operacionais e outras soluções de software.

Do outro lado da mesa de debates, estava o Linux, o maior impulsor do software livre, o que gerou uma batalha de declarações entre Steve Ballmer (um dos maiores perseguidores do código aberto durante a sua era como CEO da Microsoft) e Linus Torvalds, um dos grandes nomes do sistema operacional do pinguim.

Pois bem, quase 20 anos depois dessa briga toda acontecer, a Microsoft finalmente admitiu que a visão da empresa estava equivocada em relação a este tema. Até porque foi impossível não perceber que o software livre ou de código aberto prosperou em todos os campos da tecnologia. Não da forma que a maioria das pessoas imaginou que seria, mas em segmentos realmente importantes para a nossa sociedade, como por exemplo nos dispositivos móveis e nos servidores informáticos.

 

 

 

Estar do lado equivocado da história

 

 

Quem faz a declaração que, para alguns, pode ser considerada surpreendente é Brad Smith que trabalhou em altos postos na Microsoft por mais de 25 anos.

 

“A Microsoft estava no lado equivocado da história quando o código aberto explodiu no começo do século”.

 

Smith admitiu algo contra o que ele mesmo também lutou. Foram múltiplas batalhas legais por parte da Microsoft contra o Linux, pois na época a gigante de Redmond considerava que essas soluções acabavam se aproveitando a propriedade intelectual alheia. Tanto, que em 2001, Ballmer fez aquela polêmica declaração que considerava o Linux como “um câncer”, que contaminava tudo o que tocava.

Pois é… ninguém podia falar que aquele vídeo com ele todo suado, com pizzas de suor embaixo do braço e gritando que nem um louco “DEVELOPERS, DEVELOPERS, DEVELOPERS” teve em nossa mente quase o mesmo efeito moral.

 

 

 

Microsoft aprendeu a amar o código livre nos últimos anos

 

 

As recentes declarações de Smith apenas confirma o que sabemos hoje. Nos últimos anos, a Microsoft passou a trabalhar com os códigos abertos sem maiores dificuldades, como parte da nova filosofia que a empresa abraçou com a chegada de Satya Nadella no posto de CEO da empresa. Isso acontece ao ponto da gigante de Redmond ser a maior colaboradora individual de projetos de softwares livres, superando empresas como Docker, Facebook e Google.

Smith faz uma reflexão mais do que reveladora no final de sua fala:

 

“A boa notícia é que, se a vida é suficientemente longa, você pode aprender e necessita mudar”.

 

Isso vale para tudo na vida.

Hoje, a Microsoft conta com um núcleo Linux completo na próxima atualização do Windows 10 no final de maio, deixando para trás os tempos onde um considerava o outro uma doença terminal. O que mostra claramente que sempre é possível aprender e evoluir com quem tem uma filosofia diferente.

 

 

Via The Verge


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