
A Microsoft acaba de jogar mais uma pá de cal sobre o túmulo já cavado do Windows 10. Ou melhor, tenta soterrar o sistema operacional a todo custo, uma vez que só agora o Windows 11 assumiu a liderança na participação de mercado.
A partir de agosto de 2026, quem ainda estiver preso nesse sistema – por nostalgia, teimosia ou porque o notebook simplesmente não aguenta o Windows 11 – verá o Microsoft 365 congelar no tempo.
Na prática, isso significa nada de novos recursos, nem um botãozinho redesenhado, nem IA salvadora de planilhas. Só atualizações de segurança até 2028 — ou seja, um Office 365 mumificado, seguro, mas sem alma.
Não adianta espernear
A decisão vale para usuários comuns (Planos Personal e Family), empresas e até aquele seu tio que usa o Excel 2007 até hoje.
E eu conheço pessoas que vão além no uso retrô do Office (que é a desculpa gourmetizada daqueles que não tem grana para seguir pagando pelo Microsoft 365), que – pasmem – usam o Office 97 até hoje.
Não sei como essas pessoas conseguem isso, mas conseguem.
O corte será gradual, mas a mensagem é clara: ou você atualiza para o Windows 11 ou vai ser obrigado a trabalhar com uma versão do Office que parou no tempo.
Isso pode não afetar a grande maioria dos usuários que só querem o 365 para produzir textos e planilhas. Mas não deixa de ser mais uma maneira de a Microsoft pressionar o coletivo a mudar para o Windows 11.
E é o tipo de comportamento da Microsoft que é muito criticado por aquelas pessoas que se sentem lesadas e até roubadas pelo fato de ainda terem bons computadores em casa, mas que se sentem obrigadas a trocar de equipamento por conta das famigeradas regras impostas pela Microsoft para o uso da nova versão do sistema operacional.
Falando nisso…
A justificativa oficial da Microsoft
A tal da “Política de Ciclo de Vida Moderna”, que basicamente diz que, se você não dança conforme a música da Microsoft, vai dançar sozinho.
É pior do que isso: mesmo que o Word e o Excel ainda abram bonitinhos, a empresa já avisou que não vai se responsabilizar por problemas de desempenho, travamentos misteriosos ou qualquer fenômeno paranormal relacionado a usar um sistema defunto com um app que já se mudou para outro plano astral.
Ou seja, se o Word ou o Excel travarem durante a exportação de arquivos para PDF ou em uma oscilação do Windows, a Microsoft não tem nada a ver com isso.
E não se empolgue com o programa de suporte: se o bug só acontece no Windows 10, o atendimento técnico vai te sugerir gentilmente um “mude para o Windows 11 ou aceite seu destino”.
Pedir correção de falhas ou novos recursos? Pode esquecer!
Tudo isso, claro, vem embalado na tentativa de empurrar milhões de usuários para o Windows 11 — mesmo que seus PCs antigos não tenham o TPM 2.0, 8 GB de RAM, ou seja lá qual for o novo ritual de hardware exigido.
O resultado desse pragmatismo da Microsoft será um cemitério de 400 milhões de máquinas possivelmente presas no limbo digital.
Resumo da ópera: se você não quiser virar o Indiana Jones do Excel (explorando funcionalidades de 2026 em pleno 2028), atualize para o Windows 11.
Ou considere, quem diria, o Linux.
Sim, o Linux: aquele primo alternativo que você sempre ignorou pode acabar te salvando.

