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Eddie Murphy está de volta, e em grande estilo.

Meu Nome é Dolemite é uma grata surpresa. Muita gente vai torcer o nariz por causa do nome de Eddie Murphy encabeçando o elenco (e até com uma certa dose de razão, pois os últimos projetos do ator no cinema foram péssimos), ou por causa da proposta geral do filme. Porém, assim como o próprio Rudy Ray Moore, subestimar essa história pode ser um erro terrível.

Pois estamos diante de um dos melhores filmes de 2019. A seguir, meus argumentos.

 

 

A celebração do negro inteligente e empoderado

 

 

Seria bem fácil elogiar um filme que conta a história do negro pobre e inteligente que consegue vencer em Hollywood com um dos filmes mais toscos de todos os tempos. Então, eu vou tentar complicar um pouco a minha vida para munir esse texto de argumentos válidos para que qualquer pessoa que gosta de cinema se interesse por essa história.

Mesmo que você não saiba quem é o ator e cineasta Rudy Ray Moore (e nem é obrigado a saber), é importante que você saiba que essa personalidade é, por si, um baita material para que Eddie Murphy entregue o que tem de melhor na sua atuação. Sim, tem muita piada non-sense e humor absurdo, mas sem o desnecessário que testemunhamos em alguns filmes do ator.

Rudy Ray Moore ou o Sr. Dolemite cabe como uma luva na personalidade de um Murphy que, de certo modo, conta parte de sua própria história no mundo do entretenimento. Não digo que é um recomeço para o ator, que não deixou de ser um astro consagrado porque estava em baixa nos últimos anos. Mas é uma forma de revisitar as suas origens como comediante e na proposta de um humor voltado para o público negro: ousado, sem limites, polêmico, mas comentando o dia a dia de uma grande comunidade que se identifica com essas histórias.

 

 

Murphy é beneficiado por um roteiro envolvente e empático, com diálogos recheados de palavrões, mas com falas representativas e significativas quando necessário. O filme conta a história que precisa contar, sem maiores rodeios ou complicações. O carisma natural da personalidade de Rudy é outro ponto a favor do filme e de sua história.

O excelente elenco do filme também ajuda bastante no seu sucesso. Tudo fica muito mais fácil quando Murphy trabalha ao lado de nomes como Wesley Snipes, Keegan-Michael Key, Titus Burgess, Mike Epps, Craig Robinson, T.I., Snoop Dogg, Da’Vine Joy Randolph, Chris Rock e outros. É um elenco equilibrado e que funciona em cena, com uma harmonia orgânica que faz você querer abraçar a todos eles no final da história.

 

 

O que podemos aprender com Meu Nome é Dolemite?

Para começar, não desista dos seus sonhos. Persiga seus sonhos com convicção, e não deixe um executivo branquelo de Hollywood passar você para trás. Você foi esperto o suficiente para transformar as histórias de velhos mendigos bêbados em comédia. Logo, não vai deixar o cara que disse “não” para o seu filme ficar com o dinheiro que é fruto do seu trabalho.

Tenha visão ampla e seja generoso com outras pessoas. Abra as portas para quem tem talento, e você terá companheiros fieis na sua trajetória. E não tenha medo de ousar e arriscar. Só conquistam grandes feitos quem corre grandes riscos.

Por fim, mostre ao mundo que você, como homem negro e marginalizado, pode vencer se o seu trabalho for autêntico, original e se comunica com os seus iguais. A mensagem de empoderamento negro de Meu Nome é Dolemite é muito clara e significativa, especialmente no final do filme.

Ah, sim… e nunca deixe que alguém diga o que você pode ou não pode fazer. Vai lá e faz!

 

 

Temos em Meu Nome é Dolemite um filme honesto, que não tem pretensão alguma em ser uma obra prima, mas entrega uma agradável surpresa da Netflix. Coloca Eddie Murphy de volta ao seu lugar de respeito entre os gigantes da comédia, e mostra ao mundo uma divertida história de superação e humor chulo.

Isso mesmo. Humor chulo. Humor chão. Humor de prostíbulo e boca de fumo. Um humor sofisticado demais para quem vive preso na caixinha das referências políticas e sociais.

Um filme altamente recomendado. Ponto para a Netflix.

 


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