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Meta vai começar a usar seus dados pessoais para treinar sua IA: como evitar isso

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A partir de 27 de maio de 2025, a Meta inicia de forma oficial o uso de dados pessoais dos usuários do Facebook, Instagram e WhatsApp para treinar seus sistemas de inteligência artificial.

A empresa considera essa prática como “interesse legítimo”, uma justificativa que permite o uso amplo das informações publicadas pelos usuários. Só se esqueceu de combinar isso com os usuários das suas plataformas antes de promover as mudanças em suas políticas de utilização de dados.

A coleta abrange praticamente todo o conteúdo público compartilhado nas plataformas, incluindo fotos, comentários, postagens, stories, interações com outros usuários e legendas.

A única exceção são as mensagens privadas do Messenger, que a empresa considera confidenciais e não utilizará para treinamento da IA.

Neste artigo, mostramos o impacto dessa decisão, e o que você precisa fazer para evitar que o Meta use os conteúdos de suas publicações para treinamento de sua inteligência artificial.

 

Dados coletados e exceções importantes

As informações utilizadas incluem nome, nome de usuário, foto do perfil, atividade em grupos públicos, páginas e canais, além de todo conteúdo definido como público pelos usuários.

A Meta também coleta dados sobre dispositivos utilizados, informações de parceiros sobre atividades dentro e fora das plataformas, e detalhes sobre conexões e seguidores.

Menores de 18 anos estão protegidos, pois seus dados não serão utilizados para treinamento da inteligência artificial. Tudo o que o Meta quer evitar neste caso é problemas com as diferentes legislações envolvendo os direitos de privacidade dos menores de idade.

Conversas privadas criptografadas também permanecem for a do escopo da coleta, mantendo a privacidade das comunicações pessoais entre usuários.

 

Quais informações o Instagram e o Facebook coletam para a IA da Meta

O Meta deixa claro quais são as informações que a empresa considera como públicas e, portanto, que serão utilizadas para treinamento de sua plataforma de inteligência artificial:

  • Nome.
  • Nome de usuário do Facebook e Instagram.
  • Foto do perfil.
  • Atividade em grupos públicos, páginas do Facebook e canais.
  • Atividade em conteúdo público. Por exemplo, seus comentários, classificações ou avaliações no Marketplace ou em uma conta pública do Instagram.
  • Avatares.
  • Outros conteúdos que você pode definir como público; por exemplo, postagens, fotos e vídeos que você publica em seu perfil, em Stories ou em Reels.

Dentro do Facebook existe uma seção com mais informações, na qual esclarece que coleta:

  • Informações que você nos fornece quando se registra para usar nossos Produtos e cria um perfil, como seu endereço de e-mail, número de telefone ou idade.
  • Sua atividade em nossos Produtos. Isso inclui o conteúdo em que você clica ou gosta, suas postagens e as fotos e mensagens que você envia. Em alguns Produtos, você pode usar mensagens criptografadas de ponta a ponta.
  • Quem são seus amigos ou seguidores e o que eles fazem em nossos Produtos.
  • Informações sobre o telefone, computador ou tablet no qual você usa nossos Produtos, como o tipo e a versão do nosso aplicativo que você usa.
  • Informações de parceiros sobre o que você faz dentro e fora de nossos Produtos. Isso pode incluir outros sites que você visita, aplicativos que você usa ou jogos online que você joga.

 

Sistema de consentimento por omissão

A Meta implementou um sistema controverso baseado na lógica “opt-out”, onde a ausência de oposição é interpretada como consentimento.

Isso significa que os usuários que não manifestarem explicitamente sua recusa terão seus dados automaticamente incluídos no treinamento da IA.

Essa abordagem transfere a responsabilidade para o usuário, que deve tomar medidas ativas para proteger suas informações. A empresa considera essa prática legal, embora questionável do ponto de vista ético, especialmente pela falta de transparência no processo de notificação.

Até porque quem está notificando os usuários sobre esse uso de dados para treinamento de IA são os produtores de conteúdo e a imprensa especializada. O Meta mesmo não adotou uma abordagem adequada ou transparente para conscientizar os usuários, deixando todo mundo no escuro.

 

Como recusar no Instagram

Para impedir o uso de dados no Instagram, o usuário deve acessar as configurações através do ícone de três linhas no canto superior direito.

O caminho é: Configurações e atividade, depois Mais informações e ajuda, seguido de Informações e Política de Privacidade.

Dentro do texto da política, existe um link “Opor” que direciona para um questionário. O usuário deve preencher o formulário com seus dados pessoais, explicar os motivos da oposição e enviar a solicitação para que ela seja processada pela empresa.

 

Como recusar no Facebook

No Facebook, o processo pode ser feito através de link direto disponibilizado pela Meta ou navegando pelas configurações da plataforma.

O usuário deve fazer login e acessar a seção “Direito de se opor” na página específica sobre uso de dados para IA.

Alternativamente, é possível acessar através de Configurações e privacidade, depois Centro de privacidade e IA generativa no Meta. Na parte inferior da página, existe o botão “Direito de objeção” que leva ao mesmo formulário de recusa que deve ser preenchido e enviado.

 

Plataforma alternativa para recusa

O grupo Citizen8 criou uma ferramenta alternativa que simplifica o processo de recusa.

A plataforma gera automaticamente e-mails personalizados para solicitar que Facebook e Instagram não utilizem os dados do usuário para treinamento de IA.

Para utilizar esta opção, basta acessar o site do Citizen8 e usar a mesma conta de e-mail cadastrada nas plataformas da Meta.

O sistema gera o texto apropriado e facilita o envio da solicitação de recusa para ambas as redes sociais simultaneamente.

 

Consequências do atraso na recusa e implicações legais

Os usuários que perderem o prazo inicial ainda podem manifestar sua oposição posteriormente, mas sem efeito retroativo. Isso significa que todo o conteúdo publicado até a data da recusa já terá sido processado e utilizado para treinamento da inteligência artificial.

A recomendação é não postergar a decisão, pois dados já coletados não podem ser “retirados” do treinamento da IA. Apenas o conteúdo futuro ficará protegido após a manifestação formal de recusa por parte do usuário.

E o grande ponto de dúvida de muitos usuários é: “o Meta pode fazer isso?”.

A prática da Meta é considerada legal, baseada na legislação vigente sobre “interesse legítimo” para processamento de dados. No entanto, a medida levanta questões importantes sobre privacidade e proteção de informações pessoais dos usuários de redes sociais.

A empresa já havia tentado implementar medida similar na Europa sem sucesso, mas agora conseguiu colocar a política em vigor através desta abordagem de consentimento por omissão. O impacto a longo prazo dessa decisão ainda está sendo avaliado por especialistas em privacidade digital.

De qualquer forma, estamos fazendo a nossa parte. Você está avisado do que vai acontecer com os seus dados publicados nas plataformas de Mark Zuckerberg a partir de amanhã.

No final, a decisão é sempre sua.


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