
Com a volta das fitas cassete pelas mãos de artistas independentes e fãs da música analógica, é mais do que normal que as marcas estejam interessadas neste público. O problema é que não tem tantos dispositivos compatíveis com o formato no mercado.
Os aparelhos antigos são caros ou não funcionam bem. E vários dos novos modelos que aparecem no mercado são de baixa qualidade.
A Maxell decidiu lançar o MXCP-P100, que promete ser o melhor de todos os mundos, pois combina o design retro com as tecnologias atuais. É um tocador de fitas no estilo Walkman (uma marca registrada da Sony) com Bluetooth, porta USB-C e bateria recarregável.
Um sucesso logo de cara

O Maxell MXCP-P100 foi lançado inicialmente no Japão e, rapidamente, esgotou. O player está disponível em duas cores (preto e branco) e pesa cerca de 210 gramas, o que o torna prático para uso diário.
Entre os destaques do aparelho estão a compatibilidade com Bluetooth 5.4, autonomia de até nove horas (ou sete horas no modo sem fio), recarga via USB-C e uma entrada tradicional para fones de ouvido de 3,5 mm.
Isso garante que tanto usuários modernos quanto os mais puristas encontrem uma forma confortável de ouvir suas fitas.
Um dos elementos mais comentados do MXCP-P100 é o uso de um volante (flywheel) de latão no mecanismo de reprodução. Essa peça ajuda a manter uma rotação estável da fita, o que reduz distorções sonoras comuns em tocadores mais simples, conhecidas como “wow” e “flutter”.
Embora a Maxell não tenha confirmado oficialmente qual mecanismo interno está sendo utilizado, especula-se que seja um clone dos mecanismos Tanashin, amplamente usados na fabricação de tocadores portáteis nos anos 90 e que ainda são replicados na China. A posição dos botões no MXCP-P100, no entanto, levanta dúvidas sobre essa suposição.
Vale a pena pelo preço?
O preço sugerido do aparelho é de 13 mil ienes, o equivalente a aproximadamente 90 dólares ou cerca de 490 reais, o que o coloca em uma faixa intermediária em relação aos concorrentes modernos.
Modelos como o FiiO CP13, que também aposta na estética retrô, não contam com Bluetooth. Já players como o We Are Rewind, que também trazem recursos modernos, têm preços bem mais elevados, superando os 150 dólares.
O lançamento do MXCP-P100 faz parte de uma onda mais ampla de resgate de tecnologias analógicas, onde o valor está menos na conveniência e mais na experiência sensorial e emocional.
Em um mundo cada vez mais dominado pelo streaming e pela desmaterialização da música, a volta dos cassetes e de seus tocadores representa um tipo de resistência cultural e estética. Além disso, muitos artistas usam o formato como uma forma de se destacar no mercado ou de oferecer versões exclusivas e limitadas de seus álbuns.
Ainda não há previsão de lançamento global do MXCP-P100, mas sua rápida venda no Japão sugere que a Maxell pode investir em novos lotes ou até em uma distribuição mais ampla.
Enquanto isso, os interessados fora do país já começam a encontrar o aparelho em plataformas de revenda e importação, com preços bem acima do valor original.
Combinando charme retrô e funcionalidades modernas, o Maxell MXCP-P100 chama a atenção por ser uma opção relevante para quem quer redescobrir o prazer de ouvir música em fita cassete, sem abrir mão da praticidade da tecnologia atual.
Resta agora acompanhar se a qualidade do produto será confirmada por testes e avaliações mais aprofundadas, e se ele será apenas o início de uma nova fase para os tocadores de fita no século 21.
Via The Verge
