
Rei morto. Rei posto. Se bem que, neste caso, ninguém morreu. E todo mundo sabia que o rei iria sair.
Josh D’Amaro foi escolhido por Bob Iger o novo CEO da Disney. Com a decisão, veio uma nova organização corporativa na liderança da empresa, deixando claro para todo mundo que estamos diante de uma nova era, com novos rumos.
D’Amaro pode dizer que conseguiu algo que Bob Chapek nunca chegou perto de ter: se livrar da influência de Iger nesse período de transição. O que não significa que sua transição será pautada por um mar de tranquilidade.
Neste artigo, mostro como tudo vai funcionar na Disney com a troca de comando, incluindo as missões e perspectivas para a gestão D’Amaro dentro da empresa.
Sucessão oficial e definitiva
Bob Iger escolheu Josh D’Amaro para assumir o cargo de CEO em março. O veterano deixará o poder executivo para atuar apenas como conselheiro simbólico.
Se por um lado Iger antecipa a sua saída do comando da Disney em aproximadamente um ano, por outro lado, o executivo aparentemente alcançou o seu principal objetivo com essa escolha: encontrar um perfil diferente daquele que o fez retornar para a Disney de forma forçada.
E mesmo com a troca, Bob Iger já tem data para voltar a colocar os pés para cima: ele fica como conselheiro na Disney até dezembro de 2026, apenas para garantir que a transição para a gestão de D’Amaro aconteça dentro de um campo de normalidade.
Independência do novo líder

D’Amaro terá liberdade total para governar sem a sombra constante de seu antecessor, algo que era outro objetivo que os envolvidos buscavam alcançar. Diferente de transições passadas, Iger não manterá influência ativa no conselho administrativo.
Isso vai acontecer porque, dessa vez, não será necessário o embate retórico que ocorreu na era Bob Chapek, o que permitiu que vozes que estavam com visões contrárias ao que estava estabelecido dentro da Disney ganhassem força dentro do conselho da empresa.
É uma espécie de “trauma” que a Disney se vê obrigada a lidar até hoje.
A empresa busca evitar o fracasso ocorrido na transição de 2020 com Bob Chapek. Naquela ocasião, a interferência de Iger e a pandemia geraram instabilidade e prejuízos, com lançamentos em escala industrial e pouco impacto criativo.
A nova distribuição de poderes na Disney, com quatro grandes chefes em diferentes funções (incluindo Dana Walden, que agora é a chefe do novo departamento criativo da empresa) pode fazer com que a gestão se torne mais orgânica e eficiente.
Iger vs. D’Amaro
Abaixo, os principais pilares que diferenciam o estilo de gestão do mentor e de seu sucessor:
| Pilar de Gestão | Bob Iger (O estrategista) | Josh D’Amaro (O operacional) |
| Foco Principal | Aquisições agressivas (Pixar, Marvel, Lucasfilm, Fox). | Otimização da experiência do cliente e expansão física. |
| Estilo de Liderança | Diplomático, focado em Wall Street e grandes acordos. | Carismático, próximo aos funcionários e focado no fã. |
| Maior Desafio | Reestruturar o streaming e lidar com o declínio da TV linear. | Recuperar a magia dos cinemas e justificar os preços altos. |
| Uso de Tecnologia | Lançamento do Disney+ e consolidação digital. | Integração de IA e modernização tecnológica dos parques. |
Foco nos setores lucrativos
D’Amaro foi o responsável pela expansão bem-sucedida dos parques temáticos nos últimos anos, e nunca podemos nos esquecer que este é o principal negócio da Disney (e não a televisão).
Ele deve manter a continuidade nos negócios que geram maior receita para o grupo, colocando foco naquilo que realmente importa para a empresa. Olhando de forma específica para o setor de entretenimento, a tendência é que a Disney se torne mais seletiva nos lançamentos, o que deve aumentar a qualidade dos produtos entregues para os fãs de cinema e TV.
É claro que Josh D’Amaro terá que enfrentar alguns desafios operacionais imediatos, já que a Disney como um todo enfrenta a sua crise financeira, mesmo com todo o sucesso de bilheteria nos cinemas.
O novo CEO precisará lidar com o aumento de preços nos parques e nas plataformas de streaming, o que tradicionalmente resulta em um distanciamento dos usuários, além da crise criativa no cinema, algo que afeta a todos os estúdios em Hollywood, de um modo geral.
Além disso, a integração da Inteligência Artificial será uma prioridade estratégica de curto prazo, o que resulta em efeitos colaterais como a revolta de roteiristas, atores e profissionais de produção, já que é um recurso que é visto como uma potencial ameaça aos empregos em Hollywood.
Josh terá uma responsabilidade enorme a cumprir, mas será bem pago para isso. Acho que é prudente desejar boa sorte para os fãs e usuários dos serviços Disney, pois mesmo com um perfil aparentemente mais empático que o de Iger, D’Amaro ainda precisa responder ao conselho de acionistas e investidores.
E essas pessoas tendem a não ser as mais legais do mundo.
Via Business Insider, LA Times
