
Jogos para smartphones devem pouco para os jogos de consoles neste momento, e isso é fato. A evolução foi impressionante, com gráficos e jogabilidade em níveis elevadíssimos.
Acontece que toda melhoria cobra um preço. Os jogos mais avançados ocupam cada vez mais espaço de armazenamento interno dos dispositivos, o que pode fazer com que o usuário acabe tendo que lidar com um dos maiores inconvenientes em um dispositivo móvel.
Chegou a hora de conversar um pouco sobre esse aumento exacerbado dos jogos nos smartphones e, ao mesmo tempo, os fabricantes, que oferecem produtos com pouca memória, mas sem pensar que aquele dispositivo também pode ser um telefone gaming.
128 GB não são suficientes para um smartphone gaming
A diferença chega a ser desconcertante, mas faz parte de uma regra geral de um segmento em constante evolução. Jogos com gráficos melhores e mais complexos sempre vão ocupar mais memória, e isso é fato.
Enquanto títulos casuais como Candy Crush ainda têm baixa demanda de espaço, jogos mais ambiciosos tecnicamente e narrativamente, como Genshin Impact e Persona 5: The Phantom X, podem ultrapassar facilmente os 15 ou 20 GB de ocupação.
Com smartphones que ainda trazem 128 GB de armazenamento interno como padrão e com parte considerável desse espaço sendo ocupada pelo sistema operacional e aplicativos essenciais, a quantidade restante para instalar jogos é limitada.
Aliás, muitos entendem que um smartphone gaming de respeito deve contar com, no mínimo, 256 GB de armazenamento. Menos que isso, e é melhor você nem investir o seu dinheiro no telefone, por melhor que ele seja.
Por exemplo, Persona 5: The Phantom X ocupa 17,79 GB no Pixel 8a após a instalação completa. Já Genshin Impact pode superar 25 GB, Call of Duty: Mobile chega a 15 GB, e Diablo Immortal também beira os 15 GB.
Outros títulos como NBA 2K Mobile, PUBG Mobile, Apex Legends Mobile e ARK: Survival Evolved também exigem muito da memória do aparelho, o que faz com que a experiência de jogo vá se degradando com o passar do tempo.
E tudo ainda pode piorar…
O problema é agravado pela impossibilidade de transferir esses jogos para um cartão microSD, algo que era relativamente normalizado em um passado não muito distante.
A diferença de velocidade entre o armazenamento interno (UFS 4.0, com até 4,2 GB/s) e um cartão microSD comum (até 104 MB/s) torna a execução via cartão inviável. Além disso, aplicativos como WhatsApp, Instagram e Spotify também consomem espaço, deixando o sistema rapidamente saturado.
Há quem diga que a indústria faz isso também para promover a obsolescência programada dos dispositivos, mas não gosto de pensar que uma teoria da conspiração se torna uma realidade prática, apenas e tão somente para ferrar o consumidor.
Diante desse cenário, a recomendação é optar por celulares com pelo menos 256 GB de armazenamento, especialmente para quem deseja jogar com alta performance. E, em alguns casos, até mesmo os 512 GB são recomendados.
Porém, a maioria de nós não conta com dinheiro infinito, e um telefone com o dobro de armazenamento tende a custar ainda mais caro.
Alternativamente, os serviços de jogos em nuvem, como os da Xbox e NVIDIA, surgem como soluções viáveis para contornar o problema do armazenamento limitado. E, mesmo assim, algumas plataformas cloud ainda estão evoluindo.

