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Para muita gente (eu, inclusive), o ato de digitar rapidamente no teclado de um computador é algo vital para a produtividade. No passado, não era bem assim: você precisava ser preciso além de ágil para entregar um texto perfeito quando produzido na máquina de escrever, que não permitia erros. E essas pessoas, os datilógrafos, merecem o meu respeito, pois digitavam rapidamente e entregavam um produto final impecável.

Porém, o tempo passou. Veio os celulares, e muita gente se tornou especialista em produzir frases e mensagens completas utilizando o teclado de 0 a 9. Então, vieram os smartphones BlackBerry, e os teclados físicos viraram febre (eu amava o meu BlackBerry e os telefones Nokia com teclado).

No final das contas, a humanidade evoluiu e abraçou os teclados virtuais, a ponto de entregar uma digitação que é, pelo menos, três vezes mais rápida do que escrever uma mensagem nos métodos anteriores. É claro que a velocidade na digitação é uma questão de prática (muita gente que eu conheço ainda fica catando milho na tela do smartphone), mas a regra é imutável: quanto mais escrevemos, mais rápido somos na hora de escrever.

 

 

É sempre mais rápido com os dois polegares

 

 

Um estudo da Universidade de Cambridge mostra que o ser humano já escreve no seu smartphone quase tão mais rápido como fazem em um teclado de computador, especialmente no caso dos mais jovens. Deixando de lado as técnicas de escrita rápida e os mecanógrafos avançados (que podem escrever até 100 palavras por minuto em um teclado de escritório), a maioria dos seres humanos pode digitar em uma velocidade que varia entre 35 e 65 palavras por minuto.

Pois bem, quando utilizamos os polegares para digitar no smartphone, a velocidade média alcançada é de 38 ppm, apenas 25% mais lento que a velocidade de digitação observada em estudo similar em grande escala de teclados físicos.

Para o estudo acontecer, foi publicada uma ferramenta online de mecanografia (que você pode testar nesse link, tanto no smartphone como no computador), onde 37.000 voluntários testaram a ferramenta. Os dados demonstram que o número de pessoas que podem alcançar a velocidade de 100 ppm em um teclado está diminuindo, e que a idade e a localização dos dígitos são dois fatores que determinam a velocidade de escrita em um telefone.

Mais de 74% das pessoas utilizaram os dois polegares, alcançando com facilidade velocidades de 50 ppm, enquanto que o uso de um único dedo (aka os catadores de milho) ou apenas um polegar reduziu a velocidade para 35 ppp. Por outro lado, pessoas entre 10 e 19 anos de idade escrevem em média 10 palavras por minuto mais rápido nos seus telefones do que as pessoas de 40 anos.

 

 

Outra conclusão do estudo é que o autocorretor tende a aumentar a velocidade de escrita, ao mesmo tempo que reduz a taxa de erros, enquanto que a produção de palavras e a escrita em gestos possui um impacto negativo na velocidade, onde o tempo dedicado em pensar nas sugestões de palavras supera o tempo que leva para escrever as letras.

Apesar de ser um dos maiores estudos realizados para essa finalidade, os seus responsáveis alertam que quem participou do estudo estava disposto a realizar o teste de mecanografia online, de forma que os dados representam muito mais um grupo de pessoas ocidentais, jovens e alinhados com o mundo da tecnologia do que o grande público.

De qualquer forma, está bem clara a diferença de comportamento entre as gerações. As novas gerações, que sempre utilizaram dispositivos com tela touch, acabam se saindo melhor com as anteriores, apesar da velocidade de escrita ser algo palpável para os dois grupos.

 

Via The Guardian, Vice


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