
Todo ano tem gente torcendo para a Apple quebrar o próprio padrão e lançar um iPhone mais barato.
Todo ano essa torcida perde.
Na verdade, não é exatamente derrota. É só quebra de expectativa mesmo. Afinal de contas, o iPhone série “e” já existe, e ele é menos caro que os demais.
Só que não é exatamente a mesma coisa que ter um iPhone 18 com um preço um pouco mais acessível. E o mais irônico de tudo isso é que estamos falando da dona Apple, que comprou toda a memória do mundo para deixar a concorrência sem componentes… com a desculpa (também) de tentar manter o preço do seu smartphone sem reajustes.
Os primeiros números que vazaram sobre o iPhone 18 Pro confirmam a tendência indigesta para os entusiastas em tecnologia: a linha de topo da Apple está prestes a bater seu próprio recorde histórico de preço no Brasil, e desta vez a justificativa não é só ganância corporativa.
Existe a mais do que conhecida crise real de componentes por trás disso, e ela está pegando a indústria inteira, não só a Apple.
O que os números indicam
O analista Jeff Pu, ouvido pelo 9to5Mac, projeta um aumento de até US$ 300 no preço inicial do iPhone 18 Pro nos Estados Unidos. Se isso se confirmar, o preço inicial do modelo base entre os mais avançados do smartphone da Apple deve alcançar patamares simplesmente obscenos.
É importante frisar: trata-se de uma projeção de analista, não de uma confirmação oficial da Apple.
Os valores estimados, segundo essa apuração, seriam os seguintes:
- iPhone 18 Pro: US$ 1.399 na versão de entrada, cerca de US$ 300 acima da geração anterior
- iPhone 18 Pro Max: US$ 1.499 na versão de entrada com menor armazenamento
Convertendo direto para reais, sem entrar ainda na conta de impostos brasileiros, já dá para sentir o tamanho do estrago. E aqui no Brasil a matemática nunca é simples.
Ainda mais para uma Apple, que entende que o dólar por aqui deve ter a cotação de R$ 10. Com tudo isso, existe o risco real desse patamar subir consideravelmente.
Por que o preço sobe tanto?

Quem acompanha o mercado de smartphones sabe que 2026 não está sendo um ano fácil para quem fabrica hardware. A crise de memórias RAM e armazenamento NAND virou pauta recorrente, e ela não poupou ninguém, nem gigante como a Apple.
De acordo com as apurações da mídia especializada, os custos somados de memória RAM LPDDR5X e armazenamento NAND para essa geração chegam a ser o triplo do que a Apple pagava um ano antes. Isso não é um detalhe pequeno em uma cadeia de produção que já opera com margens calculadas na casa decimal.
Os fatores apontados como responsáveis pelo salto de preço incluem:
- O processador A20 Pro, novo chip proprietário com custo de fabricação mais alto
- A crise global de memória RAM e armazenamento NAND, que praticamente triplicou de preço
- Um sistema de câmeras inédito, que exige investimento adicional antes mesmo da etapa de embalagem
Nenhum desses itens, isoladamente, explicaria um salto de US$ 300. Juntos, formam um quadro bem mais convincente.
Mesmo assim, é preciso considerar um contexto mais amplo. Os preços certamente não estão impactados apenas e tão somente pelos preços mais altos dos componentes.
Para a Apple, não basta apenas não absorver os custos. É importante também garantir que as margens de lucro por unidade vendida sejam mantidas.
Existe toda uma cadeia logística que é impactada por uma série de fatores inflacionários que, de alguma forma, acabam afetando os preços das unidades. Sem falar nas margens de lucro de lojistas e outros envolvidos de alguma forma na comercialização dos produtos.
Como você pode ver, o buraco é mais embaixo.
O que isso significa para o bolso brasileiro

Aqui é onde a conversa fica desconfortável para quem mora no Brasil.
O país já paga historicamente entre 40% e 60% a mais por um iPhone do que o consumidor americano, e não é a taxa de câmbio sozinha que explica essa diferença, a carga tributária local também pesa bastante.
Com base no comparativo entre a geração 17 e a projeção para a 18, os valores seriam os seguintes:
- iPhone 17 Pro custou R$ 11.499 no lançamento; a projeção para o iPhone 18 Pro é de R$ 14.499
- iPhone 17 Pro Max custou R$ 12.499 no lançamento; a projeção para o iPhone 18 Pro Max é de R$ 15.499
Isso representa um salto de aproximadamente R$ 3.000 por aparelho, caso as estimativas se confirmem. Algo absolutamente fora da realidade do usuário brasileiro, inclusive para aqueles que, em teoria, tem condições financeiras para comprar o produto por aqui.
Mesmo sabendo que essas pessoas tendem a comprar o iPhone fora do Brasil.
Vale reforçar mais uma vez que esses valores ainda são projeção de mercado, não o preço oficial divulgado pela Apple. A realidade só deve ser confirmada em setembro.
Vale a pena esperar a Apple recuar?

Sinceramente, não. Porque é certo que a Apple não vai fazer isso.
O histórico recente da empresa mostra que ela prefere repassar custo ao consumidor a sacrificar margem de lucro, e não há motivo concreto para acreditar que isso mudaria justamente agora, em meio à pior crise de componentes dos últimos anos.
Estamos falando de uma empresa que tem como o principal objetivo de sua vida obter o lucro. Por ela, pelos acionistas e pelos investidores.
A Apple não é, e nunca foi a ONU. E sei que estou falando o óbvio.
Outras fabricantes, como Samsung e Motorola, já reajustaram preços por conta do mesmo problema de insumos. E com a Qualcomm confirmando que vai aumentar os preços dos seus processadores em DOIS DÍGITOS, os valores dos telefones com Android tendem a ficar cada vez mais elevados.
Isso reforça que o movimento da Apple, se confirmado, não seria um caso isolado, mas parte de uma reação de mercado. E vale para todo mundo, infelizmente.
Quem está esperando o momento ideal para trocar de iPhone talvez precise repensar a estratégia. Se as projeções se confirmarem em setembro, esperar mais um ciclo pode sair ainda mais caro do que comprar agora.
Fica a dica.
Via: TecMundo, G1, O Globo, NotebookCheck, Canaltech
