
Todo ano, setembro chega com aquele mesmo ritual: a Apple sobe ao palco, mostra um telefone um pouquinho mais rápido, uma tela um pouquinho melhor e todo mundo anota o preço. Dessa vez, porém, o roteiro da apresentação dos novos iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max ganhou umas reviravoltas.
A começar pelo palco: quem comandou a apresentação foi John Ternus, o novo CEO da Apple, com Tim Cook nem dando as caras, agora que está na presidência do conselho da empresa. Uma transição que era ensaiada desde abril e que finalmente se concretizou.
Mas o que realmente chamou a atenção nos novos iPhone 18 Pro e 18 Pro Max não foi só a troca de comando. Na verdade, não foi nem mesmo o protagonismo dividido com o novo iPhone Duo, que praticamente monopolizou as editorias de tecnologia ao redor do mundo.
Foi uma lente que abre e fecha, algo que nenhum iPhone jamais fez antes. E o preço que essa e outras novidades vai cobrar de todo mundo.
Quando a física volta a mandar na fotografia

Os smartphones nos acostumaram a uma ideia meio mágica de fotografia. E, tal e como acontece em toda mágica, criou-se um certo efeito de ilusionismo junto ao grande grupo de usuários.
O software faz tudo: simula desfoque, ajusta luz, recorta fundos. O iPhone 18 Pro chega para lembrar que a óptica ainda tem seu valor.
Pela primeira vez, um celular da Apple traz uma abertura variável de verdade, com seis lâminas cortadas a laser que se movem para controlar a entrada de luz. São quatro posições, indo de f/1.48 até f/4, que funcionam como um bom fotógrafo faria: abre tudo no escuro para capturar mais luz, fecha para manter todo mundo nítido numa foto de grupo.
O mais curioso é que a Apple não inventou essa roda. A Samsung já tinha colocado uma versão de duas posições no Galaxy S9 lá em 2018.

A diferença é que o sistema do iPhone tem um alcance muito maior, e vem acompanhado de controles manuais que deixam qualquer entusiasta da fotografia babando: dá para ajustar obturador, balanço de branco e até usar um histograma para ver a exposição.
E o melhor: a Apple liberou esse controle para aplicativos de terceiros, o que significa que desenvolvedores podem criar suas próprias interfaces para mexer na abertura.
Podem chorar, usuários do Android. As fotos e vídeos no Instagram ainda ficarão melhores no iPhone do que no seu caro Samsung Galaxy S26 Ultra que você está pagando em 21 suaves prestações no cartão de crédito.
Mas a pergunta que muitos estão fazendo, especialmente os mais desconfiados, é sobre a durabilidade.
Peças móveis tão finas dentro de um aparelho que a gente derruba no chão, coloca no bolso, leva para a praia. A Apple não divulgou testes específicos, e a Samsung, que estreou a tecnologia, não teve grandes problemas nesse sentido.
Só o tempo e o uso em massa vão dizer se a preocupação faz sentido.
A assinatura que a inteligência artificial não pode forjar

Uma das sacadas mais interessantes nos aspectos fotograficos, e que passou meio despercebida por muitos durante a apresentação do produto, foi a Apple Reference Image.
Num mundo onde imagens geradas por inteligência artificial estão cada vez mais realistas, provar que uma foto é de verdade virou um desafio. A Apple então criou um sistema que “assina” cada pixel no momento do disparo, gerando um negativo digital inalterável que fica guardado junto com a foto.
Se alguém editar a imagem, dá para comparar com a versão original e ver o que mudou. E dessa forma, temos ao menos uma tentativa de barrar as manipulações de imagem que assolam a internet.
É uma resposta direta a um problema que só tende a crescer: como confiar no que se vê?
A assinatura viaja junto com o arquivo, então qualquer pessoa pode verificar a origem.

O recurso não vai funcionar na União Europeia nem na China por questões regulatórias, o que levanta uma série de perguntas sobre como cada mercado lida com autenticidade digital. Mas pelo menos é um passo importante numa direção que outras fabricantes provavelmente vão seguir.
Sim, dá para imaginar a própria Samsung, que conta com excelentes sensores fotográficos nos seus smartphones premium, adotando uma solução semelhante. Até porque essa é uma tecnologia que, mesmo sendo um pouco complexa de se entender, consegue passar uma mensagem de confiabilidade para o usuário comum.
Aumentar a autenticidade de uma imagem registrada já é um passo enorme em direção de um uso mais consciente e seguro nas imagens de terceiros. E insisto que este é um recurso necessário em um mundo em que a inteligência artificial pode inserir ou remover pessoas de qualquer lugar.
Ou transportar todo mundo para os anos 80 através de um prompt no ChatGPT ou Gemini. E confesso que essa trend já está me cansando.
Chip de 2 nanômetros e o desafio do calor

Por dentro, os novos iPhones trazem o novo processador A20 Pro, fabricado em 2 nanômetros. Para quem não acompanha a corrida dos chips, isso significa transistores menores e mais eficientes.
E, em termos práticos, é um processador que será mais potente, mas com menor dissipação de calor, o que resulta em maior autonomia de bateria para o dispositivo, pelo menos na teoria.
Volto a falar do tópico energético daqui a pouco.
A Apple promete uma GPU até 40% mais rápida que a do A19 Pro e um Neural Engine com o dobro de capacidade para processar inteligência artificial. Números impressionantes, mas que escondem uma mudança talvez mais importante: a câmara de vapor que resfria o aparelho agora tem três vezes mais área de superfície.
Isso é relevante porque desempenho em pico é uma coisa; desempenho sustentado, quando o telefone esquenta e começa a reduzir a velocidade para não derreter, é outra.
A Apple afirma que o ganho chega a 40% em uso prolongado, o que deve fazer diferença para quem joga títulos pesados ou edita vídeo diretamente no aparelho.

A bateria também recebeu atenção: o iPhone 18 Pro Max promete até 45 horas de reprodução de vídeo na versão com eSIM exclusivo, um recorde na linha. E é aqui que, talvez, está o grande ganho que o novo processador entrega.
Não podemos nos esquecer que os novos iPhones vão receber uma boa dose de inteligência artificial rodando nativamente no dispositivo. O que significa que esse processador, por mais eficiente que seja, terá que trabalhar duro em boa parte do tempo para gerenciar um enorme volume de dados em poucos segundos.
Por isso, a câmera de vapor maior se faz necessária. É um indício de que a Apple está pensando em controlar a questão térmica a todo custo, na tentativa de oferecer a melhor experiência de uso possível.
Logo, tento não me empolgar muito com toda essa autonomia de bateria prometida pela Apple para os novos iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max. As chances de o modelo durar apenas um dia longe da tomada são consideráveis.
Mas se isso acontecer, não é nenhum pecado.
Preços que fazem a gente tossir

Chegamos à parte que sempre dói.
Nos Estados Unidos, os preços subiram 100 dólares em relação à geração passada: o iPhone 18 Pro sai por 1.199 dólares e o Pro Max por 1.299 dólares. A Apple atribui o aumento ao custo mais alto da memória, uma tendência que já vinha sendo noticiada pela cadeia de fornecimento.
No Brasil, os valores oficiais começam em 11.999 reais para o Pro e 12.999 reais para o Pro Max, na versão de 256 gigabytes.
Sim, eu sei. Caro demais. E ainda defendo que a maioria que vai comprar esse dispositivo fará isso via importação.
A boa notícia, se é que dá para chamar assim, é que a proporção em relação ao preço americano melhorou ligeiramente. O iPhone 18 Pro custa 1,96 vez o valor direto em dólares, contra 2,05 da geração passada.
Ainda é um absurdo, mas um absurdo um pouco menos gritante.
As opções de armazenamento vão até 2 terabytes, uma novidade na linha, e as cores incluem um tal de “bordô” que a Apple insiste em chamar de burgundy, além do glacier, que nas imagens oficiais parece mais azulado do que branco.
Gosto é algo subjetivo, mas… sinceramente? As novas cores não fazem muita diferença para mim. Poderiam simplesmente não existir, pois não fazem diferença alguma na minha vida.
O novo chefe e a Siri que (talvez) entenda o que você quer

Não dá para ignorar o contexto humano por trás do lançamento.
John Ternus, que vinha da engenharia de hardware, agora é o CEO. Tim Cook não foi embora — virou presidente executivo do conselho — mas a mudança marca o fim de uma era.
A missão de Cook era bem complicada: suceder ninguém menos que Steve Jobs como CEO da Apple. E fez isso de forma brilhante.
Tim conseguiu maximizar a Apple a ponto de se tornar uma empresa trilionária. É a maior marca do mundo, e não apenas do setor de tecnologia.
Dá para dizer que a tarefa de John Ternus passa longe de ser das mais fáceis, considerando o contexto aplicado.

E o primeiro evento de Ternus trouxe também a nova Siri, que a Apple está chamando de Siri AI, em versão beta. Ela promete entender o que aparece na tela, usar o contexto pessoal para localizar informações em mensagens e e-mails, e até responder perguntas sobre o que a câmera está vendo.
O problema é que a versão em português da nova Siri AI só deve chegar em outubro, e a Apple já avisou que alguns recursos terão limites diários de uso — e que, no futuro, pode cobrar por acesso ampliado.
Nada de novo sobre o sol. Acredito que todas as plataformas vão limitar ao máximo suas soluções de inteligência artificial, que estarão disponíveis muito mais para serem treinadas e coletar dados dos usuários do que qualquer outra coisa.
De qualquer forma, é uma mudança de modelo que muitos vão estranhar.
Quem tem pressa pode baixar o iOS 27 a partir de 14 de setembro, quatro dias antes dos novos iPhones chegarem às lojas, mas a Siri renovada vai ficar só no inglês por enquanto.
Vale a pena?

A pergunta que todo mundo faz, e que não tem resposta simples.
O iPhone 18 Pro e Pro Max trazem avanços reais: a abertura variável é mais do que um truque de marketing, o sistema de autenticação de imagens responde a um problema novo, e o desempenho deve ser realmente superior.
Mas o design externo é praticamente o mesmo do iPhone 17 Pro (com cores que, meu Deus do céu, é difícil pensar quem queria isso…), e o aumento de preço, mesmo que justificado por componentes mais caros, pesa no bolso.
Para quem tem um iPhone 16 Pro ou anterior, o salto pode fazer sentido. Desde que o orçamento suporte esse rombo enorme no cartão de crédito.
Para quem tem o 17 Pro, a diferença talvez seja mais sutil. Apenas os usuários de nicho ou com necessidades mais específicas vão trocar o modelo do ano passado pela versão de 2026 e, mesmo assim, precisa ter uma justificativa muito forte para o novo investimento.
O que está claro é que a Apple está navegando em águas diferentes: um novo CEO, uma inteligência artificial que ainda está encontrando seu lugar e uma câmera que finalmente aprendeu a piscar.
Mas é a piscada mais cara de sua vida. Pode ter certeza disso.
Via Apple
