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Steve Jobs apresentou o primeiro iPad ao mundo há 10 anos, e surpreendeu a indústria. Esse foi um dispositivo revolucionário que abriu o mercado para a era atual dos tablets. A Apple não inventou o conceito, mas defendeu o seu formato e patentes com unhas e dentes em processos judiciais contra outros fabricantes e, dessa forma, se notabilizou como líder do segmento.

 

 

O iPad consolidou o tablet no mercado de consumo

Depois de vários fabricantes e conceitos apresentando produtos similares desde a década de 1950, veio a Apple com o seu iPad. Sem inventar a pólvora, foi a empresa que melhor trabalhou com o conceito, marcando um antes e um depois dentro do segmento.

O iPad foi um empenho pessoal de Jobs, que tinha visão de futuro e senso de oportunidade, aproveitando o sucesso do iPhone. Então, ele entendeu que poderia abrir as portas para um novo segmento de produto para um grande público, e não apenas para um uso profissional ou corporativo.

O marketing da Apple apostou forte nas palavras de Jobs, vendendo o iPad como um produto “mágico e revolucionário”, melhorando tudo o que vimos antes em hardware e software. Na essência, era um iPhone gigante, com design leve e fino em um chassi unibody de alumínio.

Sua tela IPS multitouch de 9.7 polegadas funcionava perfeitamente com o iPhone OS 3.2, trabalhando com um SoC ARM de design próprio e de baixo consumo, entregando uma autonomia de bateria de 10 horas. Contava com WiFi e 3G, e oferecida acessórios como um dock com teclado para maior produtividade.

O preço de US$ 499, mais baixo que o esperado, também ajudou para o seu sucesso comercial (300 mil unidades vendidas no primeiro dia, mais de 3 milhões nos primeiros 3 meses e 15 milhões com a chegada do iPad 2).

Dois anos depois, a Apple reforçou a sua posição com o iPad Mini, com um formato mais manejável e maior diversidade de uso. Foi outro sucesso de vendas, e o mesmo aconteceu com as gerações seguintes do iPad, que influenciou em todo o mercado de tablets ao redor do mundo. Ninguém superou a Apple nesse segmento, e a empresa dominou completamente o mercado ao longo dessa última década.

 

 

O futuro incerto do iPad e dos tablets

Depois de vendas espetaculares, o iPad sofreu com a queda do mercado de tablets. O produto inspirou a criação de computadores híbridos (destacáveis, conversíveis, 2 em 1), que ofereciam as funções de tablet e também de um computador pessoal portátil.

O mercado de smartphones foi outra enorme pedra no sapato dos tablets. Os telefone estavam aumentando de tela e de potência, canibalizando as vendas dos tablets, já que as pessoas não viam muito sentido investir dinheiro em dois dispositivos. Outro item que explica a queda nas vendas é o ciclo de substituição dos próprios tablets, já que os novo modelos não apresentam inovações que justifiquem a compra por um novo produto.

Mesmo com a queda nas vendas, a Apple segue dominando o segmento com sobras. Nos últimos anos, aumentou a aposta nos tablets com o iPad Pro, que tem tela de 12.9 polegadas, bordas reduzidas, chassi mais leve, desempenho muito potente, Face ID, suporte para acessórios como teclados e o lápis ótico que Steve Jobs nunca quis ver no iPad.

O software também mudou para esse foco mais potente. O iPadOS é dedicado e exclusivo ao iPad, nascendo a partir da base do iOS 13 e oferecendo novidades específicas para o seu formato, se aproximando do macOS em vários aspectos.

Quanto aos demais fabricantes, um certo deserto. O Google abandonou o desenvolvimento de tablets próprios, e mesmo confiando nos seus parceiros para oferecer alternativas Android, que nunca foi capaz de competir com a Apple nesse mercado.

As soluções de baixo custo como a linha Fire da Amazon parece seguir crescendo. A Microsoft segue apostando no 2 em 1 com o Surface (com Windows), e o Surface Neo, atraente tablet com tela dupla, vai receber o Windows 10X para (quem sabe) abrir um novo segmento de mercado.

De cabeça, só me lembro da Samsung investindo em tablets top de linha, se apresentando como competidor do iPad. No máximo lembro da Huawei e da Xiaomi lançando tablets interessantes com Android. Mas… não dá para competir com o iPad, e iso é um fato consumado.


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