
A grande promessa do século XXI era conectar o mundo. Facebook, Google, Instagram, Twitter – todas essas gigantes chegaram ao mercado dizendo que revolucionariam como nos comunicamos e compartilhamos informações.
No começo, realmente funcionava dessa forma: eram plataformas incrivelmente funcionais, intuitivas e, acima de tudo, gratuitas. Não havia barreiras de entrada, qualquer pessoa podia se inscrever e começar a se expressar. A experiência era tão atrativa que milhões migraram para essas redes, abandonando o antigo ecossistema descentralizado da internet.
O que ninguém previu era como essas empresas transformariam seus próprios usuários em produtos a serem vendidos.
Os algoritmos aprisionaram os internautas
Com o tempo, a dinâmica começou a mudar drasticamente. Os algoritmos tomaram conta de tudo: do que você vê até quando você vê.
Seu feed não mostra mais o que seus amigos postam em ordem cronológica, mas aquilo que a inteligência artificial calcula que vai gerar mais engagement, mais tempo gasto na plataforma, mais publicidade vista.
Os anúncios não aparecem como algo distinto ou marcado; eles se integram perfeitamente ao seu feed, criando uma experiência que não distingue mais entre o conteúdo genuíno e o patrocinado.
Tudo está misturado, tudo é otimizado para fazer você permanecer clicando, rolando, consumindo. A sensação é a de estar em um supermercado onde cada prateleira foi estrategicamente planejada para que você gastasse mais.
Perdemos o controle sobre o conteúdo
Mas talvez o aspecto mais frustrante seja perder o controle sobre sua própria presença digital. Você não escolhe como seu perfil aparece para outros usuários; a plataforma decide isso por você.
Todos têm o mesmo layout cinzento, a mesma estrutura, as mesmas limitações. Não há espaço para criatividade visual, para aquele toque pessoal que fazia você sentir que aquele perfil era realmente seu. As regras são impostas de cima para baixo, com mudanças constantes que ninguém pediu e algoritmos que punem criadores por conteúdo que não “performa” bem.
A internet deixou de ser um espaço de exploração para virar um parque de diversões controlado, onde as rotas já estão todas traçadas. O problema aqui é que, em alguns casos, algumas atrações são muito indigestas.
Qual é a saída?
É difícil encontrar uma solução neste momento que devolva a essência da internet. Aquela rede mundial de computadores que conhecíamos antes de tudo se tornar uma teia amarrada por algoritmos simplesmente não existe mais.
Alguns internautas estão buscando com alternativas novas plataformas que resgatam a essência dos primeiros anos de internet, mas é difícil saber se isso pode funcionar a médio e longo prazos.
Existe um certo desespero por retenção e engajamento, e todo mundo sabe que uma rede social só tem relevância se tiver usuários ativos o tempo todo – e eu estou dizendo o óbvio neste momento.
Plataformas com engajamento contam com patrocinadores e investidores interessados no enorme volume de dados que circulam no serviço. E os algoritmos facilitam (e muito) a vida de programadores e desenvolvedores.
Ou seja, novos serviços podem até parecer um copo de água gelada no meio do deserto, mas correm o risco de, com o passar do tempo, se transformarem em garrafas patrocinadas pela Coca-Cola.
