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Muita gente acha que o aplicativo do Instagram (assim como os demais apps de propriedade de Mark Zuckerberg) estão nos escutando o tempo todo, e isso é motivo para críticas diversas. Porém… o que de verdade existe nessa afirmação?

 

 

O que diz o Instagram

 

 

Não tem nada nos termos de uso do Instagram sobre a coleta de dados pelo microfone. Se o aplicativo nos espionar por esse modo, com certeza deixaria isso claro nos termos para se respaldar de forma legal. Mas isso não acontece.

Em análise aprofundada sobre as condições na política de dados do Instagram, o que mais se aproxima do uso do microfone como ferramenta de coleta de dados para a personalização de anúncios são os seguintes:

– Dados de configuração do dispositivo: informação que nos permite receber ativando a configuração correspondente no dispositivo, como o acesso à localização GPS, câmera e fotos.

– Características do dispositivo: informações como sistema operacional, versão de hardware e software, nível de carga da bateria, intensidade do sinal, espaço de armazenamento disponível, tipo de navegador, tipos e nomes de aplicativos ou arquivos e plugins.

 

Isso não significa que o Instagram não espia nossas conversas. Quando você concede permissão de uso da câmera e microfone para o aplicativo, ele pode fazer o que quiser em segundo plano, incluindo coletar dados e cruzar perfis. O app se reserva o direito de usar a câmera e as fotos para armazenar informações.

 

 

O que já foi comprovado

 

 

Quando o usuário passa dias usando frases específicas sobre termos específicos, nenhuma busca na internet é feita com os termos relacionados com a frase ou as palavras essenciais da frase. Em compensação, o Instagram bombardeia o usuário com publicidade relacionada com o tema, inclusive se aproximando de detalhes das palavras consideradas essenciais na frase. Nos dias seguintes, a publicidade continua a ser exibida, mas em um volume consideravelmente mais baixo.

O mesmo comportamento se repete quando falamos sobre roupas e calçados, com um envio acentuado de publicidade quando você passa o dia em um centro comercial ou shopping center. Ou seja, o Instagram usa o GPS para cruzar dados e obter um perfil ainda mais preciso.

No último caso analisado, quando você faz uma busca no smartphone via Google Chrome no item desejado, mesmo que as últimas buscas tenham acontecido há mais de uma semana, a publicidade no Instagram aparece em forma de Stories e publicações inseridas no feed, em um volume de publicidade muito maior que nos dois exemplos anteriores. Ou seja, é de se imaginar que o Instagram obteve os dados do navegador para saber o que você está buscando. Detalhe: a publicidade não é ativada até que você fale com alguém sobre o produto que você quer com o smartphone por perto, e provavelmente o algoritmo está programado para ser ativado dessa forma.

 

 

Conclusões

 

 

Acho que o artigo fala por si.

A única coisa que o Instagram reconhece é o que está na sua política de uso de dados, onde se reserva o direito de acesso ao conteúdo da tela, câmera, GPS, conexões recebidas, cookies do navegador e a atividade em aplicativos de terceiros. Não dá para confirmar de forma contundente o uso do microfone como medida para coletar dados e melhorar o taggeamento dos mesmos, mas o comportamento indicado é no mínimo estranho.

Ou seja, é tecnicamente possível que o Instagram escute tudo o que falamos perto dele, com um algoritmo que entra em ação quando os dados são coletados através do microfone e combinados com os demais elementos.


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