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Por muito tempo foi comentado sobre a enorme dependência do Google que todos os fabricantes de dispositivos Android possuem, e essa dependência ficou latente quando os problemas da Huawei com o veto imposto por Donald Trump nos Estados Unidos alcançou o seu ponto máximo.

Quando Trump impôs o veto à Huawei, a empresa chinesa acelerou o projeto Huawei Mobile Services, investindo nada menos que US$ 1 bilhão para essa iniciativa. Porém, agora sabemos que a empresa chinesa não está sozinha na tentativa em se tornar mais independente do Google.

Outras gigantes chinesas estão conscientes da ameaça que Donald Trump representa para os seus negócios, e decidiram fechar uma parceria comercial com a Huawei para desenvolver uma nova loja de aplicativos, o que desligaria essas empresas de uma dependência tão grande em relação ao Google.

Xiaomi e Oppo se uniram à Huawei para criar a Global Developer Service Alliance (GDSA), uma associação que busca unificar as lojas de aplicativos chinesas para que os desenvolvedores possam enviar os seus aplicativos para uma das lojas e, dessa forma todos os dispositivos dessas marcas recebem o aplicativo enviado e atualizado, de forma totalmente compatível com os diferentes modelos dos fabricantes.

O objetivo da GDSA é funcionar por regiões, como por exemplo na Índia ou na Indonésia. Assim, cada uma das empresas envolvidas na aliança vai ajudar as outras, de acordo com a presença de cada uma delas nas respectivas regiões. Uma iniciativa (quase) sem precedentes de ação colaborativa entre os fabricantes de tecnologia móvel.

Assim, cada empresa vai aproveitar das vantagens oferecidas pelas demais em diferentes regiões do planeta, explorando de forma mais ampla a sólida base de usuários da Xiaomi na Índia, da Vivo e Oppo no sudeste asiático e da Huawei na Europa (e na própria China).

 

 

A Huawei enverga, mas não quebra

 

 

Essa iniciativa é mais uma prova da capacidade de resiliência da Huawei, que tem sobrevivido a duras penas ao veto imposto por Trump, apesar do relativo fracasso em vendas do Huawei Mate 30. O que é uma pena para esse modelo, pois bem sabemos que se ele tivesse o suporte nativo aos aplicativos do Google, ele seria um sucesso indiscutível de vendas.

A boa notícia para a Huawei é que, ao não depender da Qualcomm para receber os processadores que vão alimentar os seus smartphones, a sua divisão de hardware, a HiSilicon, conseguiu utilizar uma versão do Android personalizada, que integra alternativas aos aplicativos do Google, além de uma loja de apps que é de sua propriedade, a AppGallery. Por outro lado, a loja de aplicativos da Huawei conta com apenas 11 mil apps, muito pouco se comparado com os milhões de itens disponíveis na Google Play Store. Porém, a nova loja conta com os apps mais populares, como WhatsApp e Instagram.

A Global Developer Service Alliance vai ter muito trabalho pela frente, e já podemos considerar como uma vitória ver fabricantes de smartphones com propostas tão diferentes falando a mesma língua para se livrar da dependência do Google. Porém, estamos falando de marcas que já são grandes o suficiente para fazer alguns executivos de Mountain View tremerem um pouquinho os pés abaixo da mesa de reuniões.

 

 

Via Reuters


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