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Huawei Pura 90 Pro joga na nossa cara o problema que uma briga política pode causar

A Huawei resolveu dar as caras com dois novos smartphones de luxo em forma de tijolos tecnológicos. E não me entenda mal: os novo Pura 90 Pro e Pro Max são excelentes, mas deixam claro que priorizam as câmeras acima de qualquer outra coisa, inclusive o design.

Não é a primeira vez que a marca faz isso. Alguns dos modelos recentes da Huawei entregam excelentes sensores fotográficos, mas deixam de fora recursos como o 5G, de forma até lógica e conveniente (para a marca, que está proibida de trabalhar com fabricantes de modems norte-americanos).

De qualquer forma, o Huawei Pura 90 Pro e o Pura 90 Pro Max são provas cabais de que a marca ainda sabe fazer smartphones com câmeras que são capazes de colocar medo na concorrência. E isso é o que mais importa para você saber neste primeiro momento.

 

Pensado de forma prioritária na fotografia

Tudo nessa vida tem ônus e bônus. E no caso da Huawei, rola uma certa “lei de compensação” na proposta do Pura 90 Pro e Pura 90 Pro Max.

Enquanto a Apple e a Samsung ficam no “mais do mesmo” nos sensores fotográficos, a marca chinesa aposta em sensores gigantes e lentes periscópicas que parecem saídas de uma luneta profissional.

Isso pode ser uma vantagem relevante para usuários específicos, que desejam ter essa característica no smartphone do dia a dia. Fotógrafos e videomakers certamente vão se beneficiar desses sensores no novo dispositivo.

O modelo Pro Max, em especial, é um absurdo de tão soberbo, com sua lente teleobjetiva de 200 MP e um sensor enorme que promete fotos noturnas dignas de filme. É quase uma ofensa chamar isso de “smartphone”, pois parece um equipamento de estúdio camuflado de celular.

Mas… nem tudo é perfeito neste mundo.

 

Como os EUA influenciam nesses produtos

O veto do governo norte-americano à Huawei resulta em um dispositivo que, para boa parte dos usuários, deixa de lado um relevante ativo: o Android do Google. Para o grande público, essa é a grande barreira que o Huawei Pura 90 Pro e Pura 90 Pro Max entregam.

É uma realidade que bate à porta com a força de um martelo: sem os serviços do Google, essa nave-mãe toda vira um peso de papel bem caro fora da China. Por mais lindo que seja o hardware, o consumidor médio não quer saber de “HarmonyOS” e das suas soluções gambiarra para rodar apps do dia a dia.

Até dá para contornar a ausência dos aplicativos do Google no telefone, mas essa é uma solução que não é tão prática para o grande público. Sem falar que, se o modelo chegar ao Brasil em algum momento no futuro, deve contar apenas com a conectividade 4G, o que é um retrocesso na era do 5G.

 

Além disso, são telefones caros

A dupla deve chegar com preços salgados no mercado internacional, provavelmente acima dos mil euros. E aí, a pergunta que não quer calar é: quem vai pagar essa pequena fortuna por um celular que não tem o app do banco ou o Maps funcionando redondo?

A Huawei parece viver em um universo paralelo, achando que a obsessão por megapixels supera a necessidade básica de um ecossistema funcional. Mas certamente vai ter um grupo de usuários que vai ignorar as ausências nas especificações para investir pesado no dispositivo.

Ainda não há previsão de lançamento do modelo para o mercado brasileiro, mas podemos ter a esperança de que um dia ele vai desembarcar por aqui.

A menos que a marca ofereça um desconto violento ou um mapa do tesouro para instalar o Google Play Services nos dispositivos (algo que não é tão difícil de se encontrar na internet, mas não com vias tão práticas quanto instalar um apo qualquer), a fila andará, e a maioria vai preferir o rival com “tudo incluso”, mesmo que a câmera seja um pouco inferior.

É inegável que os novos Pura 90 são um primor técnico, um belo troféu de engenharia, mas um péssimo negócio para quem vive no mundo real. Talvez sirvam para entusiastas ou para quem já está tão preso ao ecossistema chinês que nem sente falta do Ocidente.

Para o resto de nós, fica a frustração de ver tanta potência engessada pela guerra política e comercial que insiste em separar o que deveria ser global.

 

Via Android Authority