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A Huawei está irritada com os Estados Unidos. Não apenas por fazer parte da famigerada Entity List (veto que impede as empresas norte-americanas em realizar negócios com a gigante chinesa), mas também com o fato da administração Trump empurrar o caso com a barriga, prorrogando por três vezes o início efetivo do veto.

A área cinza criada fez com que algumas empresas ficassem em dúvida se podiam negociar ou não com a Huawei. Uma das duvidosas é o Google. E por causa de sua dúvida, o Mate 30 Pro foi o primeiro smartphone da Huawei a não contar com os aplicativos e serviços da gigante de Mountain View.

E isso faz com que os futuros dispositivos Huawei P40 e P40 Pro fiquem com um futuro incerto (sem trocadilhos).

 

 

A trégua que não está agradando

 

 

Até o dia 17 de fevereiro de 2020, a Huawei pode temporariamente seguir com os seus negócios com as empresas norte-americanas. Não sabemos se os Estados Unidos vai oferecer outra prorrogação ao início do veto, e isso só aconteceu para que a empresa chinesa continue a oferecer serviços para clientes em áreas remotas do país.

Os equipamentos de telecomunicações da Huawei são muito utilizados nas áreas rurais dos Estados Unidos, Mas as consequências do veto vão além disso. O futuro dos smartphones da marca está em jogo, e isso vale mais do que antena instalada entre uma fazenda e outra.

 

 

O software importa (e muito)

 

 

O Huawei Mate 30 Pro tem um hardware excelente, mas ele passa a impressão de ser um dispositivo “capado” por não contar com os apps e serviços do Google. E esse é um problema muito sério, pois o grande público já se acostumou a utilizar serviços como YouTube, Gmail ou Google Maps. E entregar acesso oficioso aos serviços do Google não ajuda a melhorar a imagem desse smartphone premium.

Os métodos de inclusão dos apps do Google de forma não oficial não são acessíveis para a maioria dos usuários finais, e isso pode espantar clientes, e com razão. A Huawei oferece a AppGallery como alternativa, mas nela ficam de fora os principais apps do mercado mobile (por enquanto)

E, olhando para o futuro, neste exato momento, os apps do Google estão fora do Huawei 40 e 40 Pro.

 

 

Como será o futuro da Huawei sem o Google?

 

 

Os futuros Huawei P40 e Huawei P40 Pro devem chegar ao mercado no primeiro trimestre de 2020. A trégua termina em 16 de fevereiro de 2020. Ou seja, um prazo muito curto para uma mudança de planos para dispositivos que devem ser anunciados na Mobile World Congress 2020, que acontece entre 24 e 27 de fevereiro de 2020.

Pode até ser que a Huawei não anuncie os dispositivos nessa data. Mesmo assim: vale a pena correr os riscos de não ter os serviços do Google no dispositivo?

É difícil saber.

O HarmonyOS pode ser uma das alternativas. Um dual boot nos dispositivos é especulado, mas pode ser uma escolha que pode comprometer ainda mais a imagem da Huawei. Fato é que as dúvidas que já recaíram ao Mate 30 Pro na parte de software seriam muito maiores se a Huawei realizar a mesma aposta em todos os smartphones que são adicionados no seu catálogo.

A empresa já disse que poderia passar de forma imediata para o HarmonyOS se não pudesse mais utilizar o Android, e afirmou que as prorrogações do governo norte-americano não criam um impacto substancial nos negócios da Huawei.

Não teve impacto. Porém, todos os demais modelos da Huawei, com exceção do Mate 30 Pro, receberam o software do Google na íntegra. Se não fosse assim, o impacto seria substancial.

A nova trégua dos EUA não esclarecem as coisas, e para o grande público só resta esperar por uma solução e a volta da normalidade. Sinais de uma solução até existem, mas carecem de certezas que só o tempo pode trazer.


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