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Google Stadia morreu e não disse a que veio

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E o Google Stadia morreu, depois de apenas três anos de vida.

Na verdade, a tecnologia que deu origem ao Stadia vai permanecer viva (segundo promete o Google). Mas o serviço de games por streaming foi dessa para uma melhor, e mesmo com todo o seu potencial (afinal de contas, era um serviço mantido pela gigante de Mountain View), ele jamais teve a capacidade de competir com outras soluções que hoje estão consolidadas dentro deste segmento, como o Xbox Cloud Gaming da Microsoft e o GeForce NOW da NVIDIA.

Agora, é preciso entender quais foram os motivos que resultaram nessa decisão (e eles são os motivos mais óbvios do mundo) e o que vai acontecer com os jogos que os usuários compraram dentro do serviço.

 

Por que o Google Stadia morreu?

O Google não fez cerimônia alguma para explicar qual foi o principal motivo para a morte do Stadia. E nem precisava esconder as evidências neste caso, pois todo mundo estava percebendo o que estava acontecendo: o serviço não conseguiu um espaço dentro do crescente e já concorrido mundo dos videogames via streaming.

Palavras do próprio Google: “(o Stadia) não ganhou a tração entre os usuários que esperávamos”.

Em outras palavras: o Google Stadia não ganhou nenhum centavo, só deu prejuízo, e a gigante de Mountain View se cansou de perder dinheiro com a iniciativa.

Isso… e aquela velha história do Google ser um eterno Beta na vida. Uma empresa que sempre cancelou projetos onde, em alguns casos, até funcionavam. Bom, não foi bem este o caso do Stadia, mas não deixa de ser mais um produto ou serviço da empresa que, de uma forma ou de outra, entra para o cemitério de Mountain View.

Não dá para dizer que o Google não se esforçou para fazer o Stadia dar certo. Seria um pouco injusto da minha parte. Até mesmo uma apresentação específica na E3 a empresa fez, o que significa que houve um empenho acima da média para pelo menos dar a entender que estava mesmo interessada em impulsionar os games via streaming.

Sem falar em todos os investimentos na iniciativa, tanto na estrutura como nos acordos estabelecidos com parceiros.

No final, tudo isso agora vira história.

 

O que vai acontecer a partir de agora?

Os clientes que investiram dinheiro na compra de hardware relacionado com o Stadia serão reembolsados via Google Store, e quem adquiriu jogos e conteúdos adicionais na Stadia Store também terá os valores pagos nesses itens devolvidos. Os gamers seguem com acesso à biblioteca do serviço, que vai permanecer ativo até 18 de janeiro de 2023.

Depois da data mencionada no parágrafo anterior, os servidores do Google Stadia deixam de funcionar, e os usuários só poderão concluir os progressos das partidas dentro da plataforma. Na maioria dos jogos disponíveis, não será possível migrar o progresso dos títulos para outras plataformas.

Ou seja, os usuários do Google Stadia ficam sem pai nem mãe depois que o serviço for oficialmente encerrado, o que resulta em termos práticos em uma enorme perda de dinheiro para muita gente. E, de novo: estamos falando de uma empresa que deu a entender que estava levando muito a sério o negócio dos videogames via streaming, mas que se perdeu em algum momento na iniciativa.

Para piorar a situação (porque sempre pode piorar), as assinaturas do Stadia Pro não poderão ser reembolsadas. Por outro lado, os assinantes dessa modalidade poderão utilizar o serviço até o fim efetivo de suas atividades. Mas imagino que vai ter muita gente irritada neste momento que realmente gostaria de receber o dinheiro de volta.

Tanto o Stadia Store como as transações dentro dos jogos já não estão mais disponíveis. Ou seja, os jogadores não podem comprar novos jogos ou adquirir novos itens para os jogos já adquiridos, pois o Google se antecipou aos possíveis problemas que os usuários podem ter durante as partidas e a experiência de uso na plataforma durante esse período que antecede a morte do serviço como um todo.

Para os usuários do Google Stadia que enfrentarem problemas durante esse período que antecede a sua morte, a empresa de Mountain View habilitou uma página de suporte para atender aos casos mais críticos.

Se é que serve de consolo, o Google garante que a tecnologia por trás do Stadia segue viva, algo que todo mundo já sabia com o anúncio do Immersive Stream for Games como parte do Google Cloud para empresas. Esses recursos também serão utilizadas para o desenvolvimento de soluções relacionadas à realidade aumentada e outros serviços que já existem como YouTube e Google Play.

 

Crônica de uma morte anunciada

Não é de hoje que muitos especialistas em tecnologia afirmam que o Google Stadia vai desaparecer. Essa suspeita se tornou ainda mais presente quando a Logitech anunciou recentemente o seu novo dispositivo de jogo na nuvem, e a solução de Mountain View foi uma das poucas a não serem mencionadas como compatíveis com o produto.

O Stadia enfrentou rumores sobre o seu desaparecimento desde o começo, justamente por causa da “tradição” do Google em acabar com os seus projetos poucos anos depois do seu lançamento. E o serviço de games via streaming tinha uma cara de “olha, gostamos da brincadeira, mas vamos desistir dela rapidamente”.

É bem a cara do Google fazer esse tipo de coisa.

Os rumores só se tornaram mais intensos no ano passado, com a redução do número de jogos lançados na plataforma. E o fim se tornou iminente quando o Google anunciou que estava fechando os seus estúdios de desenvolvimento de jogos internos.

Ou seja, fica mais ou menos claro que o Google não sabia direito o que fazer com o Stadia, ou nunca quis que ele se tornasse um competidor efetivo em um mercado de games via streaming que está alcançando um interessante ponto de maturação e consolidação.

Repito que Microsoft e NVIDIA investiram pesado no mesmo segmento, e começam a colher os frutos de sua persistência. E não dá para dizer que o Google é uma empresa de porte menor do que as duas primeiras. O que é possível afirmar é que a gigante de Mountain View nunca teve o foco efetivo no segmento dos games. Até teve o interesse, mas investir de verdade no setor (mesmo com todo o dinheiro gasto em estrutura), isso não aconteceu.

No final, o Google Stadia morre sem dizer a que veio. O Brasil mesmo nunca recebeu o serviço. Logo, não vai sentir muita falta. De qualquer forma, fica o registro de uma plataforma que poderia ser muito grande se a gigante de Mountain View tivesse o foco necessário para fazer a plataforma funcionar de verdade.

Mas aí veio a Microsoft e a NVIDIA e redefiniu os parâmetros de um conceito que o Google iniciou e não quis dar continuidade.

RIP Google Stadia. E é difícil sentir falta do que a gente não viveu.


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