
Gente… qual é a surpresa disso?
Faz tempo que estamos (os outros produtores de conteúdo eu não sei, mas eu pelo menos estou) advogando contra o famigerado recurso do Google Gemini em exibir as respostas resumidas das buscas no topo da página de resultados no buscador.
E agora, temos estudos que confirmam o óbvio: os cliques nos sites simplesmente despencaram pela metade, afetando páginas web de todo o planeta. Inclusive contribuindo para o fechamento de alguns veículos.
Sem as visitas e o dinheiro da publicidade, o resultado é esse: esvaziamento da produção de conteúdo de qualidade.
Os dados dos estudos realizados

O Google implementou Visões Gerais de IA em suas buscas a partir de maio de 2024, oferecendo respostas diretas no topo dos resultados.
É um recurso prático para os usuários, pois poupa o tempo dos preguiçosos em clicar em um link a mais quando está recebendo a resposta que deseja de forma imediata.
O problema é que a nova função tem impactado negativamente os cliques em links orgânicos, conforme apontam diversos estudos recentes.
E nem precisava de pesquisa para isso. Todo mundo que tem um site na internet sabe muito bem disso, pois viu os acessos e ganhos em publicidade evaporarem nos últimos 12 meses.
Segundo o Pew Research Center, a taxa de cliques caiu de 15% para 8% quando a Visão Geral por IA é exibida. Já os dados da Ahrefs indicam que os sites perdem em média 34,5% dos cliques em buscas com IA.
As estatísticas da WordStream mostram um aumento de 58% nas buscas de clique zero, quando o usuário não acessa nenhum link. Apenas 1% das visões gerais resultam em cliques em fontes citadas, com Wikipedia, YouTube e Reddit dominando essas citações.
O mais grave de tudo isso é que a qualidade do conteúdo desses cliques tende a ser empobrecido quando comparado com veículos tradicionais e sites especializados.
Mas este é um sinal dos tempos. Afinal de contas, todo mundo já sabia que todas essas fontes que ficam com os 1% das vistas em buscas de clique zero se tornaram as principais fontes de informação da maioria da internet que conhecemos.
O problema aqui é a qualidade da informação obtida. Não é todo vídeo do YouTube ou subreddit que entrega exatamente aquilo que é ou deveria ser sobre os mais diferentes tópicos.
Tem muita gente reclamando disso (e não é de hoje)
Criadores de conteúdo e veículos jornalísticos relatam quedas de até 40% no tráfego, o que acaba impactando diretamente na sustentabilidade desses projetos.
Associações como ANJ, ABI e Repórteres Sem Fronteiras pediram ao Cade que investigue o Google no Brasil por possível abuso de poder econômico.
Mesmo porque é o próprio Google, que está se valendo de sua posição dominante, que está filtrando o que é ou não informação e, ao mesmo tempo, monetizando em cima dos conteúdos de terceiros.
A União Europeia também iniciou investigações após queixas de editores afetados pelas novas práticas. Ao redor do mundo, vários sites estão fechando as portas justamente porque as visitas simplesmente despencaram.
Um estudo recente mostra que 1 em cada 5 buscas atualmente apresenta uma visão geral de IA, e consultas mais longas ou em formato de pergunta têm maior chance de acionar resumos de IA.
E quando os usuários encontram a resposta que desejam para a busca ou pergunta, eles tendem a encerrar a sessão após ler a visão geral, mesmo com risco de erros ou “alucinações” da IA.
E o Google diante de tudo isso?

Nem aí.
A gigante de Mountain View afirma que que seus resumos ajudam os usuários, mas a tendência é sim prejudicar tanto a quem busca (porque a qualidade da informação entregue pode ser distorcida ou de baixa qualidade) quanto aos produtores de conteúdo, afetando a sustentabilidade do ecossistema digital.
Sinceramente?
Não espero que o Google mude de ideia, pois a empresa investiu muito dinheiro no Gemini para voltar atrás agora “em nome da sobrevivência da internet, tal e como conhecemos”.
O único cenário possível para uma mudança é o próprio Google perceber que está perdendo dinheiro com a queda de exibição de publicidade nesses sites.
Esse é um sistema que se retroalimenta. Quanto mais sites exibindo anúncios nos artigos, maior é o potencial do Google em vender as campanhas para os anunciantes.
É uma regra simples: mais visitas, mais chances de publicidade paga, maior é o lucro do Google na hora de negociar com quem quer pagar pelas campanhas online.
Quando ESSE dinheiro emagrecer, o Google pode (quem sabe) repensar a questão.
Até lá, todo mundo que lute.
Via Tecnoblog, Pew Research Center, Ahrefs, WordStream, Read AI, ArsTechnica

