
Quando o produto é de graça, o produto é você.
E os seus dados são o novo ouro da era digital. As grandes empresas estão batalhando para obter o maior volume possível de informações de usuários reais, tanto para treinamento das plataformas de inteligência artificial quanto para venda de dados para publicidade.
Toda essa voracidade de informação tem consequências. Multas milionárias por envio de dados para a China e a coleta massiva de informações pela Meta intensificaram as preocupações com privacidade na internet.
Europa e Estados Unidos tem se empenhado em proteger esses direitos… mas a Geração Z apresenta comportamentos distintos em relação a essa questão.
“Ao menos ganho dinheiro com algo que é meu…”

Essa nova geração possui hábitos peculiares, como dormir menos de oito horas, usar celular com alto-falante no ouvido e utilizar dispositivos até no cinema. Mas o que realmente chama atenção é que grande parte desses jovens não demonstra preocupação com a privacidade digital, chegando ao ponto de aceitar pagamentos para serem “espionados”.
E é claro que tem algumas empresas que já estão monetizando em cima desse comportamento, que desafia a lógica dos mais céticos, mas se alinha com o perfil diferenciado desse grupo de pessoas.
Empresas especializadas em coleta e venda de dados encontraram na Geração Z um público receptivo. Segundo estudo da Oliver Wyman, 88% dos jovens dessa faixa etária não veem problemas em compartilhar informações pessoais com empresas de redes sociais, desde que isso melhore sua experiência digital.
E é isso o que está acontecendo neste momento: os jovens estão ganhando dinheiro ao compartilhar os dados pessoais com algumas empresas, no lugar de ceder tudo isso de graça para completos desconhecidos.
A empresa Verb.AI exemplifica essa prática ao oferecer 50 dólares mensais para usuários que aceitem instalar aplicativos que registram todas as atividades no celular. Isso equivale a cerca de 200 horas de dados pessoais coletados mensalmente, resultando em 0,25 dólares por hora de informação cedida.
Vale a pena vender os seus dados?

A companhia afirma que os dados são anônimos, mas garantir essa proteção é complexo, podendo resultar no compartilhamento de informações com milhares de empresas diferentes.
Especialistas afirmam que a relação custo-benefício mostra-se desfavorável neste caso: receber uma quantia irrisória em troca de exposição completa da vida digital é uma conta que não fecha na maioria dos casos.
Por outro lado, é preciso fazer as contas direito para entender direito o que está em jogo aqui.
Considerando as tais 200 horas de dados compartilhados para obter 50 dólares, o jovem teria que ficar pelo menos 10 horas usando ativamente o smartphone de segunda a sexta-feira (e descansando nos finais de semana para enlouquecer).
Por mais que um jovem use o smartphone de forma ativa, é praticamente impossível manter 10 horas por dia de atividades online. Isso é mais do que qualquer trabalho de um ser humano normal.
Usar a internet por tanto tempo é pedir para ter a sua saúde mental totalmente destruída.
Agora… seis horas por dia, de segunda a segunda… é algo um pouco mais crível para um adolescente que vive no Instagram e no TikTok.
Resumo da ópera: é bem difícil receber 50 dólares por esse método. Mas ao menos é uma grana que entra para pagar o streaming.
Logo… por que não?
Via Mein-MMO

