
A Samsung finalmente decidiu que os dobráveis não deveriam ser exclusividade de quem tem dinheiro sobrando para queimar. Ou pelo menos tentou deixar esse recado.
A empresa sul-coreana apresentou o Galaxy Z Flip7 FE, o primeiro smartphone dobrável da marca com a nomenclatura “FE” (Fan Edition), que teoricamente deveria democratizar essa tecnologia.
Mas será que conseguiu mesmo?
Bom, você vai ver pelo preço sugerido do produto que a resposta é NÃO. Mas… é um começo de uma nova variante de produto, e os valores podem cair com o passar do tempo…
…e com alguma sorte.
O que você ganha pagando menos?

O Galaxy Z Flip7 FE chega com uma tela principal de 6,7 polegadas FHD+ Dynamic AMOLED 2X com taxa de atualização LTPO de 1-120 Hz. A tela externa é de 3,4 polegadas Super AMOLED (748 x 720p).
Quando desdobrado, tem 71,9 x 165,1 x 6,9 mm, e quando dobrado fica com 71,9 x 85,1 x 14,9 mm, pesando 187 gramas.
O processador é um Exynos 2400 (o mesmo do Galaxy S24), acompanhado de 8 GB de RAM. O armazenamento vem em duas opções: 128 GB ou 256 GB.
A câmera frontal é de 10 MP f/2.2, enquanto as traseiras incluem uma principal de 50 MP f/1.8 com OIS e uma ultra-wide de 12 MP f/2.2.

A bateria é de 4.000 mAh com carregamento rápido de 25W, carregamento sem fio e PowerShare. Vem com Android 16 + One UI 8, conectividade 5G, Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.4, GPS, NFC e suporte para Nano SIM + eSIM.
O modelo ainda conta com leitor de impressões digitais lateral e resistência à água IP48.
Em linhas gerais, é um smartphone de respeito. Deve funcionar bem nas mãos dos usuários menos exigentes, atendendo às expectativas de quem queria um dobrável “de baixo custo”.
E é aqui que começam os problemas do Galaxy Z Fold7 FE: mostrar que ele é um telefone dobrável de baixo custo que vale a pena.
O preço (que não é tão popular assim)

Aqui vem a parte interessante (ou mais indigesta) para o consumidor: o Galaxy Z Flip7 FE custa a partir de 999 euros (aproximadamente R$ 5.400 na cotação atual).
Para um produto que deveria democratizar os dobráveis, parece que a Samsung tem uma definição bem peculiar de “acessível”.
Para a Samsung, oferecer um produto “acessível” significa estabelecer algumas restrições técnicas, que podem não justificar o valor cobrado pela marca para esse smartphone.
Para chegar nesse preço “competitivo”, a Samsung teve que fazer alguns sacrifícios:
- Processador: Em vez do Exynos 2500 que equipa o Flip7 premium, o FE vem com o Exynos 2400, que é mais antigo e menos potente que os chips Snapdragon da concorrência.
- Design: A tela externa é menor que a do Flip7 premium, parecendo mais com a geração anterior.
- Câmeras: Mantém apenas duas câmeras (contra três do Fold7), sendo uma cópia das especificações do Galaxy Z Flip6.
- Bateria: Sem as baterias de ânodo de silício mais avançadas, ficou com uma bateria conservadora de 4.000 mAh.
- Carregamento: Apenas 25W de carregamento rápido, nada revolucionário.
A concorrência está rindo (baixinho, para não desrespeitar demais)

Para colocar em perspectiva, os concorrentes diretos estão bem mais em conta:
- Motorola Razr 50: cerca de 599 euros
- Xiaomi Mix Flip: cerca de 650 euros
Ou seja, o “dobrável barato” da Samsung está custando entre 350 a 400 euros a mais que a concorrência. Matemática interessante essa.
Enquanto a Samsung comemora ter conseguido colocar um dobrável por “apenas” 999 euros, a concorrência já está há tempos oferecendo alternativas mais baratas, sendo que os modelos dobráveis da Motorola e da Samsung oferecem especificações similares ou até superiores em alguns aspectos.
Eu realmente não consigo entender o que exatamente aconteceu aqui.
Sim, eu sei que a Samsung merece elogios por oferecer um dobrável de baixo custo. Por outro lado, ele tem preço de telefone top de linha, e mesmo sendo a primeira versão do produto, ele é altamente inspirado no Galaxy Z Fold6.
Nem dá pra dizer que a Samsung peca pela inexperiência neste caso, pois é evidente que os telefones são calcados no design e proposta geral de modelos da geração anterior.
O veredito (preliminar)

O Galaxy Z Flip7 FE é um primeiro passo da Samsung para democratizar os dobráveis, mas ainda está longe de ser realmente acessível.
É como se a empresa tivesse olhado para um dobrável de 1.200 euros e pensado: “Vamos fazer um de 999 euros e chamar de barato!”.
Lamento por aqueles que podem cair nessa.
A estratégia pode funcionar quando o preço começar a cair com o tempo e as promoções aparecerem (e elas vão aparecer – afinal de contas, é um smartphone Android de toda a regra).
Mas no lançamento, parece que a Samsung ainda não entendeu completamente o conceito de “democratizar” a tecnologia.
Para quem quer um dobrável sem recorrer a um agiota no futuro, talvez seja melhor dar uma olhada na concorrência primeiro.
Afinal, por que pagar mais caro por um produto que se posiciona como “econômico”?
Isso mesmo: não faz o menor sentido.
Via Samsung

