
Alguém ainda tinha alguma dúvida de que os processadores da Qualcomm seguiam mais potentes e menos gastadores que os chips Exynos da Samsung?
E, antes mesmo de continuar, não podemos culpar a Samsung por tentar. Entendo que os sul-coreanos melhoraram (e muito) neste aspecto, entregando uma maior qualidade e performance nas versões mais recentes dos seus chips.
Mas a mais recente série Snapdragon da Qualcomm continua imbatível, oferecendo uma diferença enorme de tempo a mais longe da tomada. E é tempo o suficiente para que o usuário mais exigente escolha a versão por ele no lugar do Exynos 2600.
A partir de agora, vou explicar melhor o que está acontecendo.
Um abismo de autonomia

O mais recente confronto entre os processadores que equipam a linha Galaxy S26 trouxe à tona uma disparidade no desempenho da bateria.
Em um teste conduzido pelo canal do YouTube Android Addicts, a versão equipada com o chip Snapdragon 8 Elite Gen 5 demonstrou uma vantagem esmagadora sobre o modelo que utiliza o processador proprietário da Samsung, o Exynos 2600.
A diferença, longe de ser marginal, alcançou a marca de 2 horas e 38 minutos a mais de tempo de tela ativa para o dispositivo equipado com a solução da Qualcomm. Um verdadeiro abismo de autonomia entre os dois processadores.
Metodologia do teste
Para garantir a credibilidade da comparação, o teste foi conduzido sob condições rigorosamente controladas.
Ambos os smartphones Galaxy S26, idênticos em todos os outros aspectos de hardware e software, tiveram suas baterias carregadas a 100% e passaram por uma rotina de tarefas exaustivas.
O Wi-Fi foi desativado, mantendo-se apenas a conectividade 5G ativa, e uma sequência de atividades foi executada, incluindo chamadas, gravação de vídeo em 4K, navegação por GPS, streaming de vídeo, benchmarks e o uso de redes sociais.
Resultados e superaquecimento

O veredito final foi categórico: enquanto o Galaxy S26 com Snapdragon 8 Elite Gen 5 desligou após 9 horas e 26 minutos de uso contínuo, o modelo com Exynos 2600 encerrou o teste bem antes, com apenas 6 horas e 48 minutos, representando uma diferença de aproximadamente 28% na autonomia.
Durante a execução de tarefas mais pesadas, como a codificação de vídeo em 4K, o aparelho com o chip da Samsung apresentou um superaquecimento intenso, resultando até mesmo no fechamento forçado do aplicativo antes da conclusão do processo.
Aqui, fica evidente que a Samsung ainda tem muito o que melhorar para alcançar o mesmo nível de excelência da parceira norte-americana, que é líder no segmento de processadores para dispositivos móveis.
Mas é importante também entender por que os chips Exynos sofrem tanto nas tarefas mais pesadas.
O problema do consumo energético
A raiz do problema parece estar no consumo de energia e na gestão térmica do Exynos 2600.
Análises mais aprofundadas indicam que este chip, o primeiro da história a utilizar o processo de litografia GAA (Gate-All-Around) de 2nm, atinge picos de potência extremos. Em testes de benchmark como o Geekbench 6, o processador da Samsung atingiu a marca de 30W de consumo, um valor 40% superior ao pico de 21,5W registrado pelo Snapdragon 8 Elite Gen 5.
Especialistas apontam que a configuração de 10 núcleos de CPU do Exynos 2600, combinada com a imaturidade ou ineficiência do novo processo de fabricação de 2nm da Samsung, pode ser a responsável por esse desempenho aquém do esperado.
A arquitetura mais complexa exige mais energia e gera mais calor, um desafio para o chassi compacto do Galaxy S26, forçando a bateria a um esforço extra para manter o sistema refrigerado e funcional.
O dilema do consumidor (e da própria Samsung)
Essa diferença prática coloca os consumidores em uma posição delicada, especialmente na Europa e em outros mercados onde a Samsung opta por utilizar seu chip proprietário, enquanto os Estados Unidos e a Ásia recebem a versão com Snapdragon.
Para os compradores que desejam o máximo de performance com o maior tempo de funcionamento possível, o modelo com processador da Qualcomm oferece uma vantagem substancial em autonomia e estabilidade térmica.
Diante do cenário, a Samsung enfrenta um dilema estratégico.
Ou a fabricante coreana precisa revisar a eficiência de seu promissor, porém problemático, processo de 2nm GAA, ou deverá repensar a arquitetura de seus futuros chips, como o Exynos 2700, talvez reduzindo o número de núcleos para priorizar a eficiência energética em vez do poder bruto de processamento.
Talvez não seja exatamente o caso de a Samsung jogar a toalha e desistir de vez do seu processador. Porém, deve repensar (e rápido) suas estratégias de fabricação e desenvolvimento dos chips Exynos.
Até porque os primeiros rumores sobre um eventual chip com processo de 1 nanômetro por parte da Samsung começaram a pipocar na internet. E tudo leva a crer que ele será uma evolução do chip de 2nm GAA, que já entrega essas anormalidades detectadas pelos testes.
Ainda dá tempo de a Samsung repensar as estratégias. Antes que entre em um caminho sem volta na produção dos seus futuros processadores.
Via Wccftech
