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Funcionários da Samsung usaram a IA para obter bônus milionário

Para você, que realmente acredita que a vida da Samsung é fácil, lamento em dizer, mas suas crenças são tão frágeis quanto o joelho de paçoca do Neymar.

A Samsung evitou uma greve histórica após os funcionários sindicalizados da divisão de semicondutores aprovarem um acordo que destina 10,5% do lucro operacional do setor para bônus. E tudo isso aconteceu por dois fatores primordiais: organização sindical e (é claro) inteligência artificial.

O acordo, aprovado por 74% dos trabalhadores, impediu a paralisação de cerca de 48 mil empregados na Coreia do Sul. E, por tabela, milhões de dólares de prejuízos para a Samsung.

O aumento da demanda global por chips de memória voltados para inteligência artificial impulsionou os lucros da empresa e resultou em bônus médios de aproximadamente US$ 340 mil, podendo chegar a US$ 416 mil para alguns funcionários.

Fim do conflito. Certo?

Mais ou menos.

 

Tem gente descontente nessa história…

O acordo gerou insatisfação interna na Samsung, já que outras divisões — como a de eletrônicos de consumo — ficaram de fora e receberão compensações muito menores. Esses grupos agora tentam contestar o acordo judicialmente.

Afinal de contas, é sempre importante lembrar que a inteligência artificial está em basicamente todos os aspectos da atual tecnologia de consumo. E é claro que outras divisões dentro da Samsung iriam olhar para o lado e dizer “ei, eu também quero a minha fatia nos lucros”,

Além disso, acionistas também ameaçam processar a empresa, alegando que a decisão reduz o valor que seria destinado a eles.

Olha só, que coisa… um bando de engravatados e endinheirados ficaram irritados com os funcionários sindicalizados… acho que já vi isso antes.

Há ainda o temor de que o precedente incentive sindicatos de outros setores a fazer reivindicações semelhantes.

Juro que consigo imaginar alguns executivos em posição fetal, chorando e gemendo de medo após esse acordo.

 

Por que isso é importante para a Samsung

A situação ganha relevância porque a Samsung representa cerca de 25% das exportações da Coreia do Sul, e uma paralisação poderia afetar a economia global de componentes.

Na prática, o que a Samsung realmente teme aqui é uma queda assustadora nos lucros, principalmente no melhor momento para a empresa, já que todo mundo está surfando na onda da inteligência artificial.

Deixar de produzir componentes como semicondutores e memórias para outras empresas que procuram soluções informáticas com IA generativa é praticamente pedir para fechar as portas.

E não é surpresa imaginar que a Samsung está obtendo lucros obscenos com as vendas de componentes para outras empresas, incluindo as próprias concorrentes nos setores de telefonia, informática, computadores e Smart TVs.

Enquanto isso, concorrentes como SK Hynix e Micron se beneficiam da mesma onda de demanda por IA e já alcançaram a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Só fico na dúvida se seus funcionários farão movimentos semelhantes aos que os sindicalizados da Samsung executaram com sucesso.

No final das contas, é um jogo. A diferença neste caso é que os empregados decidiram dar as cartas para cima de seus patrões.

Quem sabe deram a deixa para que os demais façam o mesmo a partir de agora.

 

Via Tecnoblog, Reuters