
O que uma faz, a outra vai fazer.
É assim mesmo: copie os movimentos de seus concorrentes. Siga de perto o que os seus adversários estão fazendo, e mantenha o público que você já tem. Com alguma sorte, você vai conquistar o rebote do público que você não tem.
Muito provavelmente foi isso o que a Fox lá nos Estados Unidos (que ainda existe, diferente do que aconteceu no Brasil) pensou quando decidiu anunciar o lançamento do Fox One, o seu novo serviço de streaming premium.
E o timing é basicamente o mesmo do anúncio da chegada da ESPN como aplicativo de streaming independente e de entrega direta de conteúdo para o consumidor.
Como vai funcionar o Fox One?

Exatamente da mesma forma que o aplicativo da ESPN, mas contando com uma variedade maior de programação, já que ele não é exclusivamente esportivo.
Um detalhe importante: a Fox deixou claro que o Fox One será lançado nos Estados Unidos ANTES do início da temporada de futebol americano da NFL.
Ou seja, Fox One e ESPN chegam ao streaming mais ou menos no mesmo tempo, com o mesmo objetivo e tentando conquistar o mesmo público.
O que diferencia as duas plataformas é que o Fox One vai oferecer transmissões ao vivo e conteúdo sob demanda de diferentes canais desse grupo de mídia, como Fox News, Fox Sports, FS1, FS2, Fox Business e estações locais.
A empresa planeja dar acesso ao Fox One para assinantes de TV paga, tal e como enfatiza o CEO Lachlan Murdoch. O executivo reforça que a empresa que não deseja perder assinantes tradicionais para o novo serviço.
Como eles vão conseguir isso?
Com conteúdos segmentados e exclusivos no Fox One, deixando a maior parte da programação ativa nos canais de TV paga.
Exatamente da mesma forma que a ESPN (muito provavelmente) vai fazer.
Se vetaram o Venu Sports, vou sozinha mesmo
ESPN e Fox One também contam em comum com a decepção de não permitirem a união de suas forças (com a participação da Warner Bros. Discover) para construir o tal super bundle esportivo que eles planejaram meses atrás.
O anúncio do Fox One ocorre após o fracasso dos planos para a plataforma de streaming Venu, que contaria com os conteúdos esportivos de todos os grupos mencionados no parágrafo anterior.
O movimento daria mais independência para os grupos de mídia, que poderiam maximizar os lucros por não terem outros intermediários comendo parte do bolo.
Por outro lado, quem seguiu o modelo de negócio planejado no Venu foi a concorrência: DirecTV, Comcast e Disney já introduziram no mercado serviços similares ou independentes.
A Fox tenta se diferenciar das demais ao prometer recursos de personalização baseados nos padrões de visualização e a possibilidade de agregar a assinatura da outra plataforma de streaming do grupo, a Fox Nation, embora informações sobre preços ainda não tenham sido divulgadas.
Pete Distad, CEO da Fox One, destacou que o serviço foi projetado para alcançar público além dos assinantes tradicionais de TV paga, entregando conteúdo diretamente aos telespectadores em qualquer lugar.
E um conteúdo que, em boa parte, é segmentado, já que estamos falando de duas categorias de programação que envolvem eventos ao vivo: esportes e jornalismo.
E todo mundo sabe que são os eventos ao vivo que dão mais audiência para a TV por assinatura hoje. As plataformas de streaming também entenderam isso. Tanto que estão aumentando gradativamente esse tipo de programação nos diversos serviços disponíveis.
Os movimentos da Fox com o Fox One são bem claros. Só não vê quem não quer.
E nesse momento, tem executivo de TV por assinatura entrando em desespero.
Via The Verge
