A administração de Donald Trump teve a ideia de aumentar as taxas alusivas aos smartphones comercializados nos Estados Unidos que são fabricados na China. A partir de 1 de janeiro de 2019, o aumento dessas taxas deve ficar entre 10% e 25%. Pesado, não?

O imposto afeta as marcas chinesas e a todas as empresas que contam com centros de produção na China. De forma irônica (ou não), várias marcas norte-americanas serão afetadas. Principalmente a Apple e o seu iPhone.

 

 

A Apple já começou a sofrer os efeitos da nova taxa

O simples anúncio do aumento da taxa e a óbvia relação que acabei de fazer no parágrafo anterior resultou em uma queda das ações da Apple na bolsa de 1.6% na segunda-feira (26). E essa notícia chega no pior momento, já que a gigante de Cupertino tenta se recuperar nas quedas das vendas de iPhones e competir com uma concorrência cada vez mais pesada.

Agora, pense em como está a cabeça dos investidores da Apple com tudo o que já está acontecendo com a empresa (vendas de novos iPhones abaixo do esperado, volta da produção do iPhone X, etc) e ao ler e ouvir as palavras de Donald Trump: “Talvez. Talvez. Depende de quanto a taxa for. Posso chegar a 10%, e as pessoas poderiam suportar isso com muita facilidade.”

 

 

 

Trump não está brincando dessa vez

As novas sanções norte-americanas vão afetar o comércio de US$ 200 bilhões em mercadorias na China, e só nesse item começa a seriedade da coisa. O soco na boca do estômago da Apple é direto e forte. Até agora, a empresa estava isenta de tais taxas, e isso aconteceu porque muitos dos componentes utilizados em seus produtos foram fabricados nos Estados Unidos.

Agora, Trump quer que toda a produção aconteça em território norte-americano. Ele já recomendou as empresas com centros de produção na China que deveriam construir as suas fábricas na América.

A ideia parece ser boa? Sim. Mas não é. Economistas ficaram descontentes com a medida, pelo simples fato de desacelerar a economia norte-americana em vários níveis. Não só por encarecer o processo de produção dos produtos, mas também na entrega de produtos mais caros para o consumidor final, o que fatalmente vai afetar nas vendas dos iPhones, que devem cair ainda mais.

Sem falar que países como o Brasil devem pagar a conta, pois os preços dos iPhones em nosso mercado devem ficar ainda mais altos, já que vai valer aqui a teoria do “alguém vai ter que pagar essa conta”.

A Apple ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas deve fazer isso nas próximas horas.

 

Via Wall Street Journal