
Nada nesse mundo é eterno. Muito menos no mundo da tecnologia. Menos ainda quando essa coisa tem a palavra “mecânico” no meio do caminho.
HDs ou discos rígidos tradicionais não duram para sempre, e qualquer pessoa que está minimamente relacionada com o mundo da tecnologia sabe muito bem disso.
Menos é claro os executivos de gravadoras, que são seres arrogantes e prepotentes, que sempre comandaram o setor musical do mãos de ferro, mas que foram superados pelas novas tecnologias.
E ver que esses mesmos caras não se deram conta que os discos rígidos não são eternos é quase uma surpresa zero para mim.
20% da música dos anos 90 desapareceu

Para entender o caso.
De acordo com um relatório publicado recentemente, a empresa Iron Mountain Media and Archive Services analisou suas unidades de discos rígidos mecânicos, e descobriu que pelo menos um quinto dos seus discos rígidos que armazenavam músicas dos anos 1990 está totalmente ilegível.
Mesmo com todos os procedimentos corretos de armazenamento, os discos rígidos estão apresentando falhas, com o problema se agravando quando as gravadoras não fazem verificação sobre a integridade das unidades de armazenamento.
Esse armazenamento das canções em HD era utilizado para remasterizar os álbuns. Porém, até que o processo de restauração das canções não acontecesse, o disco rígido fica lá, mofando e ocupando espaço.
As unidades demoram para serem verificadas por um único motivo: as grandes gravadoras só pensam nas estratégias comerciais, sem se importar com a deterioração de um bom pedaço do passado da música.
HDs usados entre 1990 e 1995, que contam com importantes capítulos da história da música (como o movimento grunge e a ascensão do pop e do hip-hop) estão se perdendo neste exato momento.
E as gravadoras só estão descobrindo esse cenário de caos agora, pois precisam remasterizar as canções para relançá-las nas plataformas de streaming.
Executivo de gravadora é meio burro mesmo…
Não quero ofender a ninguém. E, por isso, peço desculpas ao burro.
Falando sério: passa longe de ser a primeira vez que executivos de gravadora demonstram completo desconhecimento sobre o tema TECNOLOGIA, e paga o preço por isso.
A batalha contra o Napster e a iTunes Store são apenas dois desses episódios infelizes, onde as gravadoras faziam valer as suas próprias leis, sem olhar para as consequências.
De novo: qualquer pessoa que está minimamente inserida no mundo da tecnologia sabe muito bem que um HD não é eterno.
E que deixar um HD parado e sem uso dentro de um cofre qualquer fará com que esses dados sejam perdidos.
Entre 30 e 35 anos é o tempo médio que um disco rígido mecânico tende a funcionar em um computador. Não mais que isso.
E esse tempo pode variar de acordo com os cuidados (ou melhor, a falta deles) que o usuário decidir aplicar na recuperação do dispositivo.
Agora, pense nos demais envolvendo a degradação dos discos rígidos, e você vai concluir rapidamente que a próxima vítima desse efeito colateral indesejado é… a dona Apple.
As primeiras gerações do iPod contavam com um HD mecânico para armazenamento das faixas. E se alguém em Cupertino olhou para os lados e percebeu os efeitos colaterais do tempo, o episódio envolvendo esses HDs da gravadora precisa ser uma espécie de “sinal de alerta máximo”.
Ainda mais agora, que muitos usuários de tecnologias do passado estão tirando o iPod de dentro do armário do escritório ou do fundo do guarda-roupa para ouvir música com o mínimo de interrupções.
Então… expliquei de forma breve porque a indústria da música está perdendo boa parte de sua história: executivos que não entendem nada de tecnologia.
A falta de manutenção preventiva resulta em danos permanentes e irreversíveis é o principal culpado pelo cenário de momento. E um dos dois responsáveis por toda a tecnologia que consumimos ao nosso redor poderia antecipar os passos.
É claro que poderia ser algo muito pior (e confesso que torço por isso, apenas pelo prazer sádico de ver alguém tropeçando pelas consequências de tudo o que vivemos nesse mundo tech.
RIP HDs mecânicos, mas fica o registro de que estou falando sobre a integridade dos componentes eletrônicos a algum tempo.
Bem antes de virar modinha, ou de um grande executivo não se lembrar de realizar o backup dos seus dedos.

