Facebook vai ter que vender o WhatsApp e o Instagram?

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Quando você é processado por 48 dos 50 estados do seu país MAIS o governo norte-americano, as chances de você perder o processo são enormes. Mesmo se você responde pelo nome Mark Zuckerberg e é dono de um império chamado Facebook.

Acho que passou da hora de Alan Sorkin e David Fincher produzir e filmar a segunda parte de A Rede Social. Porém, a cada ano que a dupla espera para iniciar a produção, novos acontecimentos alimentam aquelas mentes para o desenvolvimento de roteiro. E se as brechas de segurança, a influência nas eleições e as vendas de dados dos usuários sem o consentimento não fossem suficientes para abalar o império do menino Zuck, uma prática que era de conhecimento público pode fazer com que os abalos sejam sentidos de forma mais contundente dessa vez.

 

 

 

O monopólio como prática de destruição

 

 

Entendo até que demorou demais para o governo norte-americano concluir o óbvio: nos últimos anos, o Facebook se tornou um monstro devorador de pequenas empresas que tinham ideias incríveis para monopolizar o mercado, se tornando praticamente a única alternativa no segmento das redes sociais.

E não é um exagero dizer isso. Apesar de toda a influência que Twitter, Telegram e TikTok alcançaram nos últimos anos, a audiência das duas plataformas é irrisória diante dos mais de 2 bilhões de usuários do Facebook (e, por tabela, mais de 2 bilhões de usuários do Facebook Messenger), 2 bilhões de usuários do WhatsApp e mais de 1.5 bilhão de usuários do Instagram.

É muita gente usando vários produtos de um único dono.

 

 

Tá, no passado a Microsoft também foi acusada de monopólio com o Windows e competição desleal, e alegou nos tribunais que a existência do Mac e do Linux por si tornavam essa acusação algo infundado. Mas aqui, o buraco é mais embaixo: o peso que todas as plataformas de comunicação que estão debaixo das asas de Mark Zuckerberg é absurdo, e influencia as pessoas em níveis assustadores.

E a grande cereja do bolo aqui é o Facebook usar todo o seu poderio para aniquilar qualquer alternativa que apareça no mercado que seja minimamente interessante ou com potencial para se transformar em algo grande. Ou Zuckerberg compra aquela pequena empresa (como fez no passado com o WhatsApp e o Instagram) ou copia na cara dura os principais recursos da concorrência para enfraquecer aquela alternativa (como fez com o Snapchat, o que é um caso clássico dessa prática).

 

 

 

Facebook deve vender WhatsApp e Instagram?

 

 

O processo movido pela FTC e por 48 estados norte-americanos pede a independência completa do WhatsApp e do Instagram, que seriam completamente desconectadas do Facebook. E isso, em termos práticos, significa a venda das duas empresas.

Considerando a forma em como o caso foi formatado e todas as suas nuances, não é um exagero dizer que existem boas chances para essa venda acontecer, considerando o histórico de casos de monopólio nos Estados Unidos. Porém, na prática, poucas empresas tem músculo financeiro para adquirir uma das duas plataformas, que se valorizaram demais nos últimos anos.

Por outro lado, caso a venda aconteça, dependendo do comprador, o cenário pode ser pior para os usuários. Já pensou se o WhatsApp vai parar na mão da Apple? Não resta dúvidas que Tim Cook e sua turma vão querer capitalizar em cima disso. E o Instagram na mão da Microsoft? Pode até não querer lucrar, mas vai exigir caro pelas APIs e patentes integradas na plataforma, o que pode resultar em um desaparecimento de aplicativos compatíveis.

É um cenário complexo, sob vários aspectos. Porém, é um momento singular. O império de Mark Zuckerberg nunca esteve tão ameaçado, e será mais do que interessante ver como o corpo jurídico do Facebook vai trabalhar dessa vez.

Por fim, que aconteça a venda. Já deu essa história de Zuckerberg saber absolutamente tudo o que conversamos e compartilhamos em nossas conversas com amigos, familiares e colegas de trabalho, que deveriam ser privadas, mas não são.

E não me venha com essa história do “ah, mas você deveria usar o Telegram então…”. Eu já uso. E nem isso dá o direito de alguém como Zuckerberg querer comercializar e monopolizar a violação de privacidade em massa.

 

 

Via The Verge, FTC, Axios


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