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Não existe almoço grátis, minha gente!

Para Mark Zuckerberg, o futuro do Facebook passa pelo trabalho remoto, e a empresa vai contratar em massa profissionais com esse perfil. Por outro lado, parte do seu atual grupo de profissionais pode adotar essa prática laboral. Com isso, a empresa quer que pelo menos 50% do seu pessoal esteja em home office em um espaço entre cinco e dez anos.

A produtividade do Facebook em trabalho remoto não foi afetada, e isso joga a favor das mudanças. Porém, tem um pequeno asterisco nessa oferta generosa: os funcionários podem até escolher trabalhar de casa, mas serão pagos em função do local em que vivem, e seu salário não será o mesmo daqueles que vão trabalhar nos escritórios da empresa.

 

 

 

Você não pode ter tudo nessa vida

 

 

Você tende a ganhar mais trabalhando presencialmente. Teoricamente, com gastos maiores, você tem salários maiores. E quando você adota o trabalho remoto, você não tem despesas de transporte, pode se mudar para cidades mais baratas, com um custo de vida mais baixo. Logo, você também deixa de receber por isso.

Os funcionários do Facebook poderão fazer essa escolha, mas terão que informar à empresa até 1 de janeiro de 2021, justamente para que os salários possam ser ajustados para a nova situação. Dependendo do lugar onde o funcionário vive, o salário dele vai mudar, se ajustando ao custo de vida do local. Regiões com preços e impostos mais baixos pode significar uma redução do salário. Quem vive e trabalha em Menlo Park (cidade onde estão os escritórios centrais do Facebook) ou na região da Baía de San Francisco, Califórnia (EUA) vai receber um salário maior. Simples assim.

O critério adotado pelo Facebook pode resultar em uma mudança em suas políticas laborais. A empresa bonificava em US$ 10 mil os funcionários que se mudassem para morar mais próximo de sua sede coorporativa.

Porém, o trabalho remoto é uma nova tendência entre as gigantes de tecnologia (Twitter e Shopify já liberaram o home office por tempo indeterminado), e essa mudança será cada vez mais presente no setor, resultando em impactos diversos na economia e na vida desses profissionais.

 

 

 

É mais barato para as empresas

 

 

Fica evidente que a crise sanitária atual é o melhor argumento possível para estabelecer novas políticas laborais que acabam impactando na saúde financeira das gigantes de tecnologia. Todas as funções consideradas burocráticas ou que podem ser realizadas em um escritório e na frente de um computador estão aptas ao trabalho remoto.

E não apenas a economia em não ter que pagar as despesas de deslocamento e moradia dos funcionários, mas a redução de custos em outros aspectos, como o menor consumo de energia elétrica, o aluguel de escritórios mais baratos e custos menores no pagamento de seguros e outros benefícios.

Se gigantes do setor como Facebook e Twitter já adotaram o trabalho remoto como o novo normal, o que dizer das empresas menores de Silicon Valley? E pense em como isso pode afetar a toda uma região: com menos pessoas trabalhando naquele local, restaurantes, lanchonetes, bares, padarias, cafeterias, supermercados e outros comércios de departamentos fatalmente vão perder público, e terão que se reinventar para sobreviver.

O trabalho remoto parece ser um caminho sem volta, e todos terão que se adaptar a isso. Mas é fundamental que todos olhem para as letras miúdas dos contratos. Incluindo os funcionários do Facebook, que vão receber um salário menor se optarem pela comodidade e segurança oferecidas pelo trabalho em casa.

São as regras do jogo. E nada mais.

 

 

Via Bloomberg


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