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Esta não é uma fake news, ou você não está lendo uma manchete do passado. Em pleno 2019, algumas pessoas ainda acreditam que outras são inferiores por conta de elementos étnicos ou sociais, algo que qualquer ser humano racional deve considerar como absurdo e revoltante para uma sociedade minimamente evoluída.

O mundo de possibilidades que a internet e o uso de smartphones abriu deixou uma brecha onde as intenções são (infelizmente) desgraçadas. Uma matéria da BBC mostra uma investigação realizada no Kuwait, e lá, algumas pessoas utilizam o Instagram e outros aplicativos similares para comprar e vender escravos.

É isso mesmo o que você acabou de ler: estão comprando e vendendo escravos pela internet. Em pleno 2019.

 

 

A face mais obscura da internet e das redes sociais

 

 

A investigação revela um mercado de escravos que está no seu auge no Kuwait, onde trabalhadores domésticos estão sendo comprados e vendidos de forma totalmente ilegal, através de aplicativos de fotos e redes sociais, como é o caso do Instagram.

O negócio era promovido nessas redes através de hashtags potenciadas com a ajuda de algoritmos avançados, onde se realizam vendas de mulheres através de mensagens privadas dentro do aplicativo. Dessa forma, esses criminosos burlam as autoridades locais, mantendo uma certa privacidade para as negociações irregulares.

O Facebook, empresa que é a proprietária do Instagram, já foi alertada sobre o uso de uma dessas hashtags utilizadas para o tráfico de escravos, e obviamente proibiu o uso dessa prática na plataforma. Google e Apple também afirmam que estão trabalhando em novas tecnologias para prevenir esse tipo de ação ilegal pela internet.

Para descobrir o esquema, investigadores disfarçados contratados pela BBC se passaram por um casal recém chegado no Kuwait. Eles conversaram com 57 usuários de aplicativos de fotos e interação social no estilo do Insiagram, e pelo menos 12 pessoas tentaram vender para eles a sua empregada doméstica, através de um aplicativo chamado 4Sale, que permite o filto por raças e faixas de preços.

 

 

As pessoas que conversaram com o time de investigação da BBC deixaram claro que são empregadas domésticas, mas tratando as mesmas como se fossem uma mercadoria qualquer, e que as mesmas poderiam fazer qualquer coisa. Algumas dessas pessoas estavam se dedicando à atividade de compra e venda de escravos como um negócio formal, comprando as pessoas com um preço mais barato, e logo depois revendê-las com um preço mais elevado.

Nos países da região do Golfo (como é o caso do Kuwait), as empregadas domésticas são levadas para o país por agências de trabalho e são registradas de forma oficial diante do governo. Os potenciais empregadores pagam uma cota para as agências, para que os mesmos se transformem em “proprietários” dessas mulheres, que não podem abandonar aquele lar ou sair do país sem a permissão da pessoa que comprou os seus serviços.

É algo simplesmente revoltante. Uma clara violação dos direitos humanos, e uma completa irracionalidade, incompatível com a realidade que vivemos. Bom, quero dizer, com esse 2019 totalmente absurdo em vários aspectos, algumas pessoas realmente acreditam que tem o direito de escravizar o mais fraco ou o diferente. É o sinal que regredimos como coletivo.

E nesse caso em específico, é triste reconhecer que estamos diante da face mais obscura da internet.

 

Via BBC


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