
O principal ativo da TV hoje é o esporte ao vivo, os grandes conglomerados de mídia estão entendendo que é melhor seguirem sozinhas e longe do empacotamento da TV por assinatura, pois dessa forma maximizam os lucros por assinante.
O que era uma especulação (levantada inclusive por mim neste blog) se transformou em uma realidade: a Disney vai lançar neste outono nos Estados Unidos um serviço de streaming direto ao consumidor chamado simplesmente “ESPN”.
Uma experiência exclusiva e direta para os fãs de esporte. Sem intermediários, e cobrando menos que os pacotes enormes da TV por assinatura.
Como vai funcionar a ESPN (no streaming)

A ESPN terá diferentes planos para atrair usuários com diferentes perfis de uso. Alguns desses pacotes são apenas com os canais da ESPN, e outros são em combos com o Disney+ e/ou o Hulu.
O plano “ilimitado” custará US$ 29,99 mensais ou US$ 299,99 anuais, e vai incluir todos os canais lineares da ESPN. Uma oferta especial de lançamento combinará o pacote ilimitado da ESPN com Disney Plus e Hulu (ambos com anúncios) por US$ 29,99 nos primeiros 12 meses.
O serviço também oferecerá um plano “select” por US$ 11,99 mensais, que manterá a programação do atual ESPN+, para onde os assinantes existentes serão automaticamente transferidos.
Os consumidores poderão escolher entre diversas opções de pacotes que combinam ESPN com Disney+ e Hulu, com e sem anúncios, em diferentes faixas de preço.
O ponto mais interessante dessa nova proposta da ESPN é a sua flexibilização. Você pode contratar diferentes propostas de combos, adicionando uma maior variedade de programação na assinatura.
Em nenhum momento você é obrigado a, por exemplo, assinar o plano mais premium para ter todos os canais da ESPN, diferente do que acontece hoje aqui no Brasil, que só entrega a experiência completa no Disney+ Premium.
E no caso do Disney+ e Hulu, é possível formar combos com a ESPN nas modalidades com e sem anúncios das plataformas de entretenimento.
É o fim da ESPN da TV paga?

Ainda não, mas é o mais claro ensaio de que isso realmente pode acontecer no futuro.
Em vários momentos ao longo dos últimos anos, deixei claro aqui no blog que a Disney estava pensando nisso em médio e longo prazos.
Deixei claro também que o futuro da TV por assinatura como um todo estava mesmo nas mãos da ESPN, e se o grupo esportivo decidisse criar uma plataforma de streaming própria, as operadoras tinham que começar a rezar, pois poderia acontecer um êxodo de assinantes.
E com a recente saída de todos os demais canais do Grupo Disney da TV por assinatura ao redor do mundo, não será mais surpresa se a ESPN fizer o mesmo movimento, ainda mais agora que tem uma plataforma de streaming para chamar de “sua”.
O lançamento da ESPN “em carreira solo” no streaming também ajuda a explicar a recente chegada do DirecTV MySports, pacote com os principais conteúdos esportivos da operadora de TV paga.
Com o público querendo não apenas uma maior flexibilização dos serviços de TV paga, mas um conteúdo ainda mais segmentado e com pleno controle do que quer assistir, o movimento da Disney com a ESPN é bem lógico.
E ela não está sozinha nessa visão. A Fox (que ainda existe nos Estados Unidos) também vai lançar a sua plataforma de streaming exclusiva com conteúdo premium.
E, da mesma forma que a ESPN, a Fox vai lançar o seu serviço a tempo para o início do campeonato esportivo mais importante para o norte-americano médio: o futebol americano da NFL.
A ESPN como streaming estará disponível no início do outono norte-americano, com a data exata sendo anunciada no final do verão.
Não há previsão de lançamento de algo semelhante no Brasil, mas… quem duvida?
Via The Verge

