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Escassez de RAM faz Microsoft acordar com o Windows 11

Parece que a Microsoft criou vergonha na cara e decidiu trabalhar a sério nas melhorias do Windows 11 em computadores com um hardware mais restrito. Não dá mais para aguentar uma plataforma tão travada e com um funcionamento tão deficitário em equipamentos que, de fato, poderiam entregar um melhor desempenho.

Nos últimos meses, a equipe responsável pelo Windows tem revisitado uma promessa feita em março: melhorar a qualidade do sistema de forma contínua e perceptível. O texto, assinado por Pavan Davuluri no blog oficial da empresa, não tenta vender uma revolução, mas sim mostrar que o trabalho está acontecendo em camadas — algumas visíveis, outras mais profundas — e que o objetivo é tornar o Windows mais estável, rápido e menos intrusivo no dia a dia.

É o mínimo que se espera de uma empresa do porte da Microsoft. E vale a pena revisar algumas coisas que ele falou para explicar o estado geral de momento do sistema operacional.

 

O que o Pavan disse? 

Palavras de Pavan Davuluri, chefe da divisão do Windows, no blog da Microsoft (ou algum assessor de imprensa que escreveu por ele):

Otimização de memória para 8 GB ou mais: redução do consumo de memória do Windows [11] para proporcionar uma experiência rápida e responsiva em todos os PCs que os clientes usam diariamente.

 

As mudanças estão chegando

A atualização destaca que várias mudanças já estão em testes com os Insiders. E se metade do que Pavan prometeu vier, já teremos um Windows 11 muito melhor do que utilizamos hoje.

A busca do Windows ganhou uma cara mais calma, com resultados mais claros e menos distrações. O File Explorer, alvo de reclamações históricas, está recebendo ajustes estruturais para reduzir travamentos, melhorar a navegação e corrigir problemas como miniaturas borradas.

Não sei se é só comigo, mas sempre que vou fazer uma busca em algum arquivo no Windows, o sistema está sempre dando um jeito de travar e até reiniciar o Explorador de Arquivos. Meu entendimento é que isso jamais deveria acontecer em um sistema operacional que é desenvolvido por uma empresa enorme e cheia de recursos como a Microsoft.

Posso ser exigente demais com isso, mas entendo que faz algum sentido quando penso nos bilhões de dólares de faturamento que a gigante de Redmond informa a cada trimestre.

De qualquer forma, o sistema também está ficando mais eficiente no uso de memória, graças a melhorias no WinUI 3 e componentes como WebView2. E esse é outro ponto que eu espero que a Microsoft melhore o quanto antes.

Um sistema operacional SOZINHO consumindo pelo menos metade da memória durante a sua execução é algo inadmissível nos dias de hoje. Por maior que esse código seja, ele já deveria estar otimizado ao extremo, mesmo com toda a sua complexidade.

Se bem que… falar qualquer coisa da comodidade do meu escritório é algo obviamente muito fácil de se fazer.

 

Outras melhorias que certamente queremos para ontem

A barra de tarefas e o menu Iniciar estão mais personalizáveis, e o Windows Updates está sendo ajustado para interromper menos o usuário, inclusive permitindo pular atualizações durante a configuração inicial.

Pode não parecer, mas esse nível de customização é importante. Não estamos falando aqui de deixar o Windows mais bonito, mas sim de obter um sistema operacional que vai funcionar bem com as suas necessidades e hábitos de uso.

A Microsoft também lançou a Driver Quality Initiative, um esforço amplo para elevar o padrão de qualidade de drivers — algo que costuma impactar diretamente a estabilidade do sistema. Tal solução deve acabar de uma vez por todas com os conflitos e softwares problemáticos que os usuários precisam encarar de vez em quando, gerando enormes dores de cabeça.

Tanto os mais leigos quanto os experientes sofrem com os drivers problemáticos. Quem não entende muito de manutenção enfrenta enormes dificuldades para resolver o problema por conta própria. E quem entende do assunto passa por dores de cabeça para resolver os problemas dos outros que, na boa, poderiam ser evitados com um trabalho mais cuidadoso por parte da Microsoft.

Além disso, há avanços em conectividade (USB4, Bluetooth, impressoras), no desempenho de ferramentas como Snipping Tool e no tempo de inicialização. E o Windows Hello também ficou mais confiável, reduzindo falhas ao reconhecer rosto ou impressão digital.

E tudo isso é prometido para chegar aos computadores até o final do ano. Vamos ver se a Microsoft cumpre a promessa dessa vez.

 

O que deve ser o foco até o final de 2026?

Para o restante do ano, quatro novas frentes se tornam a prioridade para a Microsoft:

  1. melhorar a experiência de configuração inicial, que ainda tem vários passos que poderiam ser evitados ou de seleção do usuário (e ferramentas como o Rufus existem para confirmar isso);
  2. otimizar o sistema para máquinas com 8 GB de RAM ou mais, e essa precisa ser a maior prioridade da Microsoft a partir de agora, inclusive para garantir a sobrevivência do mercado de PCs em plena crise das memórias;
  3. facilitar o uso de controles parentais, que não chegam perto de entregar a mesma praticidade e eficiência encontrada nos sistemas da Apple;
  4. e tornar a interação por voz mais natural, uma vez que esse aspecto de acessibilidade deve ganhar protagonismo com o uso cada vez mais constante das plataformas de inteligência artificial.

O tom geral é de continuidade: ainda há trabalho pela frente, mas a equipe parece motivada pelo retorno dos usuários.

Ou como gosto de acreditar, a Microsoft criou vergonha na cara, e decidiu FINALMENTE melhorar o Windows em aspectos que eram considerados mais do que necessários por uma enorme base de usuários.