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Entenda a “inflação não oficial” do PS5

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Se já estava difícil comprar um PlayStation 5 no Brasil, saiba que ficou algo ainda mais complicado a partir de hoje (25), com o anúncio da Sony sobre o aumento de preços de todas as versões do console.

A decisão afeta todos os mercados globais de forma imediata, com exceção dos Estados Unidos, que é o principal mercado da Sony dentro desse segmento. Nem mesmo o Japão escapou de ficar com um PlayStation 5 mais caro a partir de agora.

A Sony justifica a decisão com o cenário econômico futuro pouco promissor e a inflação que atingiu em cheio a maioria dos mercados globais. E ela até tem o seu fundo de razão nessa afirmação.

O que a Sony não contou para ninguém é que, para ela, existe a inflação oficial e a inflação não oficial.

E eu vou explicar este conceito a partir de agora.

 

Como funciona a inflação para a Sony

Esta não é a primeira decisão inflacionária que a Sony aplica dentro do seu segmento de videogames. Acontece que é muito mais mediático aumentar o preço do PlayStation 5.

Poucas pessoas falaram sobre o aumento de preços dos jogos AAA para o console de última geração.

Não faz muito tempo que a Sony anunciou que os jogos AAA do PS5 passariam a custar lá fora 80 euros (antes, 60 euros). E esse é o preço real para os jogos de consoles da empresa mais caro em toda a sua história.

Para você ter uma ideia, os preços dos jogos AAA da Sony são os mais caros da indústria desde a época do Atari Jaguar, Nintendo 64, Super Nintendo e outros consoles de videogames dessa geração. Esse é um tempo que a maioria dos leitores deste blog sequer eram nascidos, e explica muito bem por que meus pais tinham enormes dificuldades em comprar um produto como esse para mim.

É sempre importante lembrar que os videogames no passado eram muito mais caros do que são hoje, e por motivos muito semelhantes aos que vivemos neste momento para um aumento de preços dos consoles da atual geração: uma inflação enorme, custos elevados de produção, crise econômica global, produtos importados que são bem caros etc.

De qualquer forma, a Sony está forçando a barra neste caso.

Apesar dos preços das gerações anteriores do PlayStation ficarem inalterados, não são todos os mercados do planeta que estão sofrendo com uma inflação que, comparada com o que vivíamos na década de 1990, não é tão expressiva.

Quero dizer, um aumento de preços de 10% ao ano causa impactos enormes na vida da grande maioria das pessoas (obviamente). Porém, não chega perto do que aconteceu no Brasil antes da chegada do Plano Real, onde era simplesmente impossível comprar um videogame quando você nem sabia quanto ia custar o quilo da carne moída no final do dia.

 

O que a Sony não conta sobre a inflação não oficial do PlayStation 5

É importante observar que outros fatores ao redor da decisão da Sony interferem de alguma forma no aumento de preços do PlayStation 5.

E esses fatores também ajudam a justificar a “inflação não oficial” da Sony para o console, já que tais eventos não influenciam de forma direta no comportamento da economia, mas afetam a escalada dos preços de produtos tão específicos como é o PS5.

O primeiro fator é a própria escassez do PlayStation 5 no mercado.

No início de sua vida útil, o PlayStation 5 se tornou um desaparecido do FBI. Era muito difícil encontrar uma unidade do console no mercado, e quando ele ficava disponível, os estoques eram rapidamente zerados.

Aqui, é de se imaginar que foi a própria Sony quem decidiu colocar uma quantidade muito menor de unidades do PlayStation 5 no mercado, seja pelo hype que queria levantar, seja pela já escassez de componentes para a fabricação do produto, seja porque ele é um videogame caro para ser produzido.

O efeito colateral dessa decisão foi o mercado de segunda mão inflacionando os valores de venda do PlayStation 5. Muitas pessoas compraram rapidamente as poucas unidades disponíveis do produto e revenderam o videogame com valores muito mais caros do que os sugeridos pela Sony.

O segundo motivo que explica a inflação não oficial do PlayStation 5 está nas estratégias que muitas lojas e varejistas adotaram para lucrar de forma abusiva em cima dos valores originais do console.

Muitos lojistas decidiram vender o PlayStation 5 exclusivamente em forma de bundle, ou seja, em “pacotes especiais”, para cobrar preços tão caros quanto aqueles adotados pelo mercado de segunda mão. A Best Buy, por exemplo, decidiu inicialmente vender o console apenas para quem era membro do seu programa especial de compras, cuja mensalidade custa US$ 200 ao ano.

Tudo isso fez com que o PlayStation 5 se tornasse um produto de luxo para muita gente. O console se tornou economicamente inatingível para várias pessoas, e o anúncio do aumento nos valores oficiais do produto só fará com que esse cenário se torne ainda mais crítico.

 

A Sony não está sozinha nessa estratégia nefasta

Quem pensa que a Sony reinventou a roda com essa história de inflação não oficial está pensando errado. Ou não está acompanhando o mercado de tecnologia da forma correta.

A Apple faz isso faz tempo. Aumentou em 35% o preço do MacBook Air de uma geração para outra, mas meses antes aumentou o preço do MacBook Air M1 de forma silenciosa e do dia para noite. Ou seja, é “a inflação da inflação”, sem qualquer tipo de explicação razoável.

A Sony argumenta que o aumento do PlayStation 5 está respaldado pela inflação global e pelo pessimismo econômico de momento, mas não menciona em nenhum momento as suas pontuais contribuições para essa superinflação de valores no seu console de videogame.

Se por um lado o PlayStation 5 teve um aumento de preços após dois anos de valores congelados, por outro lado, o jogador desse console está passando por penitências que são fruto de um produto que é um sucesso, independente da vontade da própria Sony.

E este é um paradoxo indigesto para os gamers.

E, pelo menos por enquanto, quem agradece com essa infeliz decisão da Sony é a Microsoft. Mesmo porque alguém tem que sair ganhando neste embate.

Certo?


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